Uma investigação da Polícia Civil do Espírito Santo desvendou um crime, motivado por uma suposta “revelação divina”. Gabriel Bandeira, um entregador de 36 anos, foi sequestrado, torturado e morto após um pastor relatar um sonho à irmã da vítima. O coro foi encontrado em uma mata.
A suposta visão pastor
No sonho, o homem teria abusado da própria sobrinha, uma criança de apenas 4 anos. O caso, detalhado no Brasil Urgente, expõe a brutalidade do chamado “tribunal do crime” na região metropolitana de Vitória.
De acordo com as apurações, a irmã de Gabriel, após ouvir o relato do pastor, procurou lideranças do tráfico local para denunciar o suposto abuso. Com base apenas na narrativa do sonho, Gabriel foi retirado de dentro de sua residência, na presença da mãe, e levado para uma área de mata. Ali, ele foi mantido amarrado e sofreu diversas agressões por horas antes de ser executado.
Investigação descarta abuso e aponta responsáveis
A delegada Suzana, responsável pelo caso, afirma categoricamente que não existem indícios de que o entregador tenha cometido qualquer violência contra a sobrinha. A autoridade policial ressalta que a investigação foi a fundo na acusação de abuso e concluiu que Gabriel nunca fez mal à criança, além de não possuir qualquer histórico criminal ou envolvimento com atividades ilícitas. A vítima não teve chance de defesa perante os executores.
O mentor da execução foi identificado como Júlio Alvarenga, de 28 anos, conhecido pelo apelido de Malvadão. Ele é apontado pela polícia como chefe da organização criminosa Terceiro Comando Puro, com atuação em Vitória e Cariacica. Júlio, que costumava publicar vídeos em redes sociais ostentando armas de fogo, é descrito pelas autoridades como um líder de “mãos de ferro”, responsável por ditar regras rígidas aos moradores de sua área de influência, incluindo a revista de aparelhos celulares e o controle de câmeras de monitoramento.
Desdobramentos judiciais
Durante os depoimentos, a irmã da vítima negou ter encomendado o crime. No entanto, o filho dela confessou a participação no planejamento da ação que levou à morte do tio. Apesar da confissão e das evidências coletadas até o momento, a mãe e o sobrinho de Gabriel ainda não tiveram a prisão preventiva decretada, mas serão indiciados pelo envolvimento no homicídio.
Júlio Alvarenga já se encontra sob custódia das autoridades. A polícia reforça que a motivação do crime foi estritamente baseada na falsa acusação originada pelo sonho do líder religioso, que serviu como justificativa para a aplicação da “disciplina” imposta pela facção criminosa liderada por Malvadão.


