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Polícia indicia filhas por suspeita de feminicídio da mãe que teve corpo deixado em rio no Tocantins

Rita Moraes
Rita Moraes
Publicado 7 de abril de 2026
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As filhas da servidora pública e empresária Deise Carmen de Oliveira Ribeiro, 55 anos  foram indiciadas pela suspeita de planejar uma emboscada e matar a própria mãe. O marido também foi indiciado. Segundo a Polícia Civil, o núcleo familiar era marcado por desentendimentos relacionados ao controle e à administração de recursos financeiros.

O corpo foi encontrado no dia 1º de janeiro de 2026, em estado avançado de decomposição, boiando no Rio Santa Tereza. Ela foi dada como desaparecida desde o Natal de 2025. Na ocasião, um morador da região viu o corpo e chamou os bombeiros.

De acordo com o delegado João Paulo Sousa Ribeiro, responsável pela investigação, as filhas Déborah de Oliveira Ribeiro e Roberta de Oliveira Ribeiro viam a mãe como um “obstáculo” para acessar os bens da família.

A investigação apontou que elas compraram um celular no nome da mãe. Após matarem a vítima, usaram o aparelho para enviar mensagens aos parentes, fingindo que Deise tinha ido embora por conta própria. A estratégia serviu para atrasar as buscas e enganar a polícia. O marido, José Roberto Ribeiro, foi indiciado por ter atuado na eliminação de registros relevantes após o crime. Filhas e marido estão presos preventivamente desde fevereiro.

Em nota, a defesa dos suspeitos informou que tomará todas as medidas legais cabíveis, assegurando que o contraditório e a ampla defesa sejam exercidos em sua plenitude.


Quem era Deise Carmen?

Deise trabalhava como vigilante noturna em uma escola e tinha uma fabrica de rodos. Estava casada há mais de 30 anos.

Dinâmica do crime

 

No dia 26 de dezembro de 2025, a vítima foi levada para uma área rural perto da Vila Quixaba, onde foi morta com vários golpes de faca. Depois, o corpo foi jogado no Rio Santa Tereza para esconder o cadáver.

“A investigação demonstrou, de forma consistente, a premeditação e a atuação conjunta das investigadas, que utilizaram inclusive meios tecnológicos para tentar ocultar o crime”, destacou o delegado.

O inquérito foi conduzido pela 94ª Delegacia de Polícia de Peixe, com apoio da 8ª Divisão Especializada de Repressão ao Crime Organizado (DEIC) de Gurupi.

O caso foi encaminhado para Justiça e será analisado pelo Ministério Público Estadual (MPTO), que definirá se apresenta a denúncia criminal.

Íntegra da nota da defesa

 

A defesa técnica de Déborah de Oliveira Ribeiro, Roberta de Oliveira Ribeiro e Jose Roberto Ribeiro, diante da recente conclusão das investigações conduzidas pela Polícia Civil do Estado do Tocantins e das solicitações de pronunciamento enviadas por este veículo de comunicação, vem a público esclarecer que recebeu com absoluta serenidade o relatório final apresentado pela autoridade policial em 1º de abril de 2026. A conclusão do inquérito é uma etapa natural do rito processual e, para os investigados, representa o início da oportunidade de confrontar judicialmente as hipóteses levantadas na fase inquisitorial.

É imperativo reconhecer o excelente e exaustivo trabalho desempenhado pela Polícia Judiciária e pela Superintendência da Polícia Científica do Estado do Tocantins. Contudo, muito embora o esforço investigativo seja notório, a defesa sublinha que inúmeras lacunas fundamentais restam a ser preenchidas. A narrativa policial, em diversos pontos, carece de lastro probatório técnico e se baseia em interpretações que serão devidamente contestadas no foro adequado.

A defesa destaca que a própria autoridade policial, em seu relatório final, admitiu não ter reunido elementos suficientes para vincular Jose Roberto à execução do homicídio ou à ocultação do cadáver. O indiciamento deste restringe-se exclusivamente a uma suposta supressão de mensagens digitais, o que afasta, de plano, qualquer participação nos crimes investigados.

A defesa tomará todas as medidas legais cabíveis assegurando que o contraditório e a ampla defesa sejam exercidos em sua plenitude. Confiamos que, sob o crivo do Poder Judiciário e com a devida paridade de armas, as lacunas hoje existentes serão sanadas, restabelecendo-se a justiça e a verdade real sobre os fatos.

A defesa permanece à disposição das autoridades e da sociedade, reiterando o compromisso com a legalidade e a presunção de inocência.

 

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