A empresária e advogada Thatiana Rabelo Mesquita Theodoro, presa pela Polícia Federal na última terça-feira, 25 de agosto, na Operação Bóreas, que desarticulou esquema de tráfico internacional de drogas realizado no Tocantins, possivelmente liderado pelo seu irmão, Márcio Theodoro, foi encaminhada para o presídio feminino de Cuiabá.

A Operação Bóreas tem o objetivo de desarticular uma organização criminosa especializada na logística de transporte aéreo internacional de drogas e armas de fogo.
Sua defesa já pediu a revogação da prisão preventiva e o Tribunal de Defesa das Prerrogativas (TDP) da OAB-MT identificou irregularidades no cumprimento do mandado, afirmando que o início das buscas na residência dela ocorreu sem acompanhamento de algum membro da Ordem, além de que os agentes federais teriam vasculhado o celular dela indevidamente.
Thatiana foi alvo de mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça do Tocantins. O advogado Fernando Faria, que patrocina a defesa dela, afirma que ela não tem ligação direta com a trama de traficância, e que a empresa da qual é sócia, TRMT Restaurante Ltda., responsável pelo Tatu Bola Bar, localizado na Praça Popular em Cuiabá, não seria usada para lavar o possível dinheiro ilegal. À reportagem, o defensor esclareceu que a empresa não está ligada com a investigação: não sofreu mandados de buscas e apreensão, bloqueio de valores e sequer foi citada.
Submetida a audiência de custódia na tarde de ontem (25) na Superintendência da Polícia Federal, Thatiana foi encaminhada após a sessão à Penitenciária feminina Ana Maria do Couto May, capital, onde ficará em sala direcionada para juristas.
Thatiana informou ao juízo Federal que, durante o cumprimento do mandado, os agentes vasculharam seu celular – irregularidade corroborada pelo membro do TDP que acompanhou a audiência, o qual, por sua vez, ainda identificou outras irregularidades que foram registradas na ata e serão encaminhadas ao juízo competente para reavaliar a necessidade da manutenção da prisão, como a ausência da íntegra da decisão contra a empresária, bem como que os policiais iniciaram as buscas na casa dela sem que algum integrante da Ordem acompanhasse a ação.
Diante disso, somado aos predicados favoráveis, a primariedade, a filha criança, residência e emprego fixos, a defesa dela solicitou, de imediato, a revogação da detenção – o que ainda não obteve decisão, já que o juízo do Tocantins ainda não examinou o pedido. A prisão preventiva tem duração de 90 dias até ser reavaliada, o que não significa que ela ficará detida por todo esse período.
Thatiana seria um de três alvos, que inclui também o traficante Matheus Matias de Oliveira, um dos principais nomes do esquema. A atuação de Thatiana e o papel que ela teria desempenhado no esquema, conforme a defesa, é inócuo e se limitaria a mensagens trocadas por ela com o advogado do seu irmão. Contudo, a versão da acusação e os elementos que embasaram a investigação ainda tramitam sob sigilo e a reportagem segue na apuração para esclarecê-los.
Além dos mandados de prisão que terminaram com a detenção de Thatiana e Matheus, outro mandado de prisão de um alvo não revelado também foi realizado. Buscas e apreensões também foram cumpridas.
Ofensiva apreendeu aeronaves, bloqueio e sequestro de bens e valores, determinadas pelo Juízo da 4ª Vara Federal de Palmas/TO. A Polícia Federal também solicitou a inclusão de dez alvos nos mecanismos de Difusão Vermelha da Interpol.
Participaram da operação a Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE/TO), a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Tocantins (FICCO/TO) e policiais federais do Pará.
As investigações indicam que o grupo criminoso era responsável pela organização de voos, utilização de aeronaves e pistas clandestinas, além do suporte logístico necessário ao transporte de grandes carregamentos de cocaína e armas de fogo, provenientes da Bolívia e do Peru com destino ao Brasil. A apuração decorre de investigações relacionadas a recentes apreensões da droga realizadas no estado do Tocantins.
Os investigados poderão responder pelos crimes de tráfico internacional de drogas, organização criminosa e lavagem de dinheiro, entre outros delitos que venham a ser identificados no decorrer das investigações.

Irmão da advogada já havia sido preso
Márcio Theodoro, irmão de Thatiana Theodoro foi preso em um avião carregado de cocaína no dia 23 de fevereiro de 2025, no município de Marianópolis, em Tocantins. A prisão ocorreu em operação da FICCO/GO (Força Integrada de Combate ao Crime Organizado de Goiás).

