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Como preservar o patrimônio cultural diante das transformações ambientais, urbanas e tecnológicas? A questão estará no centro dos debates da 11ª edição do Fórum Internacional de Patrimônio Arquitetônico Brasil–Portugal (FIPA Brasil), que será realizada de 21 a 23 de julho, em Florianópolis (SC), com a participação de especialistas, pesquisadores e profissionais dos dois países.
O evento reforça os dez anos de cooperação entre Brasil e Portugal e a união dos arquitetos e urbanistas em torno dos desafios da preservação do patrimônio cultural. A 11ª edição do encontro conta com a participação do FIPA Brasil, Prefeitura de Florianópolis, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR), Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Santa Catarina (CAU/SC) e Universidade de Aveiro.
A programação está organizada a partir do conceito de “Diversidades”, com quatro eixos temáticos: diversidade nas formas de manifestação do patrimônio cultural; diversidade no diagnóstico das patologias das edificações; diversidade nas estratégias de resiliência às mudanças climáticas; e diversidade na avaliação dos impactos ambientais sobre o patrimônio.
Com o tema “Diversidades”, esta edição do FIPA Brasil destaca que o patrimônio cultural é material e imaterial, constituído por múltiplas manifestações presentes nas edificações, nas paisagens, nas técnicas construtivas e nas formas de fazer que atravessam gerações e ajudam a construir a memória coletiva. Reconhecer essa pluralidade significa compreender que sua preservação depende dessa multiplicidade.
“Em um cenário marcado por transformações ambientais, urbanas e tecnológicas, o diálogo entre diferentes países, instituições e profissionais torna-se essencial para a construção de novos caminhos para a preservação”, afirma a presidente do CAU/BR, Patrícia Sarquis Herden.
Para a coordenadora do FIPA Brasil, Maria Rita Silveira de Paula Amoroso, o principal papel do fórum é aproximar universidades, pesquisadores, instituições públicas e especialistas dos dois países envolvidos com a preservação do patrimônio cultural “O meu papel como coordenadora do FIPA Brasil é abrir portas e fazer com que as pessoas atravessem essa ponte dos dois lados. Essa sempre foi a finalidade do fórum e vai continuar sendo. Essa é a missão do FIPA”, afirma.
Ao longo da sua trajetória, o fórum consolidou-se como um ambiente de cooperação voltado à construção de redes de conhecimento e ao compartilhamento de experiências relacionadas à conservação e ao restauro.
A escolha de Florianópolis, em Santa Catarina, como sede desta edição do FIPA Brasil dialoga com o contexto cultural da cidade, marcada pela presença da cultura açoriana e por diferentes manifestações do patrimônio cultural, tema central dos debates do fórum.
A programação inclui palestras, oficinas, apresentações de artigos científicos e exposição de pôsteres. No dia 20 de julho, a visita técnica à Fortaleza de Santa Cruz de Anhatomirim será acompanhada da roda de conversa “Entre sambaquis, fortificações e memórias: arqueologia como prática de mediação em projetos de restauro”. Participam da atividade o professor doutor e arqueólogo Wagner Magalhães, da Universidade de São Paulo (USP); a arqueóloga Ane Catarina Sousa, vice-presidente de Patrimônio Cultural do ICOMOS Portugal; e o arqueólogo António Matias, da Câmara de Santarém, Portugal. A mediação será da arquiteta e urbanista Suzana de Souza, presidente da Associação Catarinense de Conservadores e Restauradores de Bens Culturais (ACCR) e conselheira estadual do CAU/SC.
Nesta edição, o fórum também abre espaço para experiências e estudos relacionados ao patrimônio cultural catarinense, inserindo temas locais em um debate internacional que reúne contribuições de diferentes regiões do Brasil e de Portugal.
Também estão previstas visitas guiadas ao Centro Histórico de Florianópolis e à cidade de Laguna, além de atividades culturais como a Roda de Rendeiras, no Largo da Alfândega, e a apresentação do Boi de Mamão. A programação inclui ainda a exposição fotográfica em comemoração aos 100 anos da Ponte Hercílio Luz.
Ao longo dos quatro dias, o fórum contará com palestras dos quatro eixos temáticos, apresentações de artigos, exposição de pôsteres e atividades voltadas ao intercâmbio de conhecimentos e experiências entre Brasil e Portugal no campo do patrimônio arquitetônico e cultural.
O FIPA Brasil integra a programação da 2ª Semana de Arquitetura e Urbanismo de Santa Catarina, que será realizada de 19 a 24 de julho de 2026, em Florianópolis.
Paralelamente à realização do fórum, Florianópolis sediará o lançamento do CAU Digital, nova plataforma de serviços do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR). A capital catarinense também receberá a assinatura de um acordo de cooperação entre entidades representativas do Mercosul sobre mobilidade profissional, exercício da arquitetura e urbanismo e cooperação entre os países do bloco.
O encerramento do encontro contará ainda com o lançamento da 12ª edição do Fórum Internacional de Patrimônio Arquitetônico Brasil–Portugal, que será realizada em Portugal.
A programação completa está disponível no site do evento. https://caubr.gov.br/fipa26/
Sobre o CAU/BR
O Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR) é a autarquia federal que regula e fiscaliza o exercício profissional da arquitetura e do urbanismo. A instituição trabalha na promoção de políticas públicas integradas que assegurem o direito à moradia, ao saneamento ambiental, à infraestrutura urbana e ao transporte de qualidade para a população.

