Mais de 2 milhões de toneladas de alimentos entregues, queda de 72% nos preços e aumento superior a 50% no número de leitos hospitalares, segundo dados das Forças de Defesa de Israel
Desde o início do cessar-fogo, em outubro de 2025, as Forças de Defesa de Israel (FDI) mantêm a facilitação da entrada de ajuda humanitária e bens comerciais na Faixa de Gaza em coordenação com a Organização das Nações Unidas (ONU) e outras organizações internacionais. Um balanço divulgado pela instituição consolida o volume acumulado nesses dez meses.

Segundo os dados do exército israelense, mais de 2 milhões de toneladas de alimentos entraram na Faixa no período, incluindo carne, aves, ovos, queijos, frutas e verduras. Cerca de 600 caminhões cruzam as passagens diariamente, dos quais entre 70% e 80% transportam alimentos. Os preços caíram aproximadamente 72% desde o começo do cessar-fogo. Atualmente, 41 padarias operadas por organizações internacionais funcionam em Gaza e produzem mais de 3 milhões de pães por dia, além de dezenas de padarias locais.
No abastecimento de água, as FDI informam o fornecimento médio de mais de 70 mil metros cúbicos por dia, distribuídos por cerca de 250 caminhões-pipa e aproximadamente 2.800 pontos espalhados pelo território. Quatro adutoras estão operacionais — três delas trazem água de Israel —, somadas a duas grandes usinas de dessalinização, uma das quais, em Khan Yunis, conectada à linha de energia “Kela”, vinda de território israelense. Mais de 78 mil toneladas de equipamentos de higiene e saneamento também entraram na Faixa, ao lado de equipamentos de remoção de resíduos e pastilhas de purificação de água.
Na área médica, o balanço aponta a entrada de mais de 21 mil toneladas de equipamentos, incluindo aparelhos de raio-X, geradores e cilindros de oxigênio. O número de leitos hospitalares cresceu mais de 50%. No norte de Gaza funcionam hoje oito hospitais permanentes, quatro hospitais de campanha e quatro centros médicos; no sul, dois hospitais permanentes e oito hospitais de campanha.
“Cada caminhão que entra em Gaza é registrado, cada passagem é documentada, cada tonelada é contabilizada em coordenação com agências da ONU e com organizações internacionais que estão no terreno”, afirma o major da reserva Rafael Rozenszajn, primeiro porta-voz oficial das FDI para os países de língua portuguesa.
A leitura converge com dados de agências internacionais. A análise mais recente da Classificação Integrada da Segurança Alimentar (IPC), divulgada em 23 de julho de 2026, atribui à ampliação da assistência humanitária os ganhos observados em segurança alimentar e nutrição, com queda da desnutrição aguda infantil após a expansão dos programas nutricionais. O balanço das FDI aponta ainda o Hamas como principal obstáculo à melhora adicional das condições em Gaza, citando interferência em operações humanitárias, exploração de infraestrutura civil, influência sobre mecanismos de distribuição e tentativas recorrentes de contrabando de itens proibidos sob a cobertura da ajuda.
“Existe uma pergunta que quase nunca é feita: o que acontece com a ajuda depois que ela atravessa a fronteira?”, observa Rozenszajn. “A logística de entrada é a parte auditável do processo. A distribuição interna é onde uma organização terrorista opera sem escrutínio, sem imprensa e sem prestação de contas. Quem se interessa genuinamente pela população de Gaza deveria cobrar transparência nas duas pontas, não em apenas uma”, enfatiza Rozenszajn.
Israel afirma que seguirá trabalhando com parceiros internacionais para ampliar a resposta humanitária e, simultaneamente, impedir que o Hamas se aproprie dela em prejuízo dos civis de Gaza.
Rafael Rozenszajn é major da reserva e o primeiro porta-voz oficial das Forças de Defesa de Israel (FDI) para os países de língua portuguesa. Nascido no Rio de Janeiro, é especialista em direito internacional, graduado pela Northwestern University e oficial da reserva das IDF. É autor do best seller A Guerra de Narrativas (Editora Citadel).

