A Secretaria de Justiça e Direitos Humanos da Bahia (SJDH) acompanha com atenção os relatos de hostilidades envolvendo turistas e moradores nas regiões de Itacaré e Morro de São Paulo, bem como o episódio de apagamento de um painel artístico organizado pela Frente Palestina do Sul da Bahia e o relato de uma jovem soteropolitana que teria sido vítima de importunação sexual por turistas estrangeiros. Todos esses episódios são objeto de investigação da Polícia Civil.

Mulher denunciou importunação sexual por israelense em Salvador
Segundo vídeo postado por Carolina Carvalho em suas redes sociais, o homem atravessou a rua para falar com ela e começou a fazer perguntas invasivas, em inglês, sobre sua aparência e onde morava. Ela contou que tentou encerrar a conversa, mas o turista insistiu na abordagem. O caso é investigado pela Polícia Civil.
“Ele já veio de uma forma super invasiva, se aproximando muito perto de mim, colocando o corpo. E falando: ‘Você é muito linda, onde você mora?’. Eu não dei muita audácia e continuei andando”, relatou.
O fato aconteceu na última sexta-feira, 6 de novembro. Ela prestou depoimento na Delegacia do Turista.

Israelenses tentam tirar homenagem a Palestina de prédio histórico em Itacaré
A intervenção artística foi feita nas paredes de um importante casarão histórico localizado na cidade, que até dias atrás estava sendo alugado por israelenses. A obra fazia parte de uma manifestação em defesa do “turismo ético” na região, que denuncia o racismo praticado pelos visitantes.
Com frases, pinturas e lambes, o mural prestava solidariedade aos palestinos e denunciava as violências coloniais praticadas contra diversos povos pelo mundo. Os israelenses foram contidos e expulsos do local pelos próprios moradores da vizinhança.
“No dia do ato, estava tendo também um evento cultural, muita gente passando na praça, estava tendo a Flicaré, que é uma feira de livros que a gente tem aqui em Itacaré, com muitas pessoas interessantes, arte para tudo que é lado. E aí vários artistas começaram a chegar, cada um querendo expressar um pouco da sua indignação, e ficou um painel bem maior daquilo que eu combinei”, explicou a professora, moradora de Itacaré e coordenadora da Frente Palestina do Sul da Bahia, Mariá Veiga.
Só que, horas após o fim da mobilização, um grupo de turistas israelenses, incomodados com o conteúdo das mensagens, tentou vandalizar o mural. O caso foi divulgado pela página Frente Palestina do Sul da Bahia, que afirmou em uma das postagens de denúncia: “Podem tentar calar a parede, mas a nossa história não será apagada.”
“Um grupo, que devia ter umas sete pessoas vestidas com as vestimentas tradicionais, foi caminhando até o casarão com a proposta de danificar o mural feito pelos moradores, pelos artistas, pelos estudantes, pela comunidade. Eles foram com essa intenção. E aí os próprios nativos, não estávamos nós, ativistas, nada disso. As próprias pessoas que estavam na praça protegeram o mural, porque as pessoas ficaram felizes com aquele mural ali”, explicou Mariá Veiga.


