A SIMPLY351, empresa especializada em relocação entre Brasil e Portugal, não nasceu de um plano de negócios tradicional. Fundada há um ano em Lisboa pelas cariocas Mariana Padilha e Camila Borgerth, a empresa é resultado da soma de duas trajetórias de expatriação que, juntas, atravessaram quatro continentes. No Dia Mundial do Empreendedorismo Feminino, comemorado em 19 de novembro, a história das sócias ilustra um movimento crescente: o de mulheres brasileiras que transformam a própria experiência de vida em negócio.
Mariana Padilha construiu carreira em Comunicação Corporativa e, há mais de 20 anos, vive em trânsito entre países. Já morou na América do Sul, na América do Norte e na Ásia — foram 12 anos nos Emirados Árabes Unidos — antes de se estabelecer na Europa, em Portugal. Camila Borgerth, formada em Administração de Empresas e com quase duas décadas de mercado financeiro, também acumulou endereços em diferentes partes do mundo: viveu três anos em Nassau, nas Bahamas, além de Rio de Janeiro e São Paulo, antes de se mudar para Portugal.
As duas se conheceram há sete anos, em Lisboa, quando os filhos passaram a estudar na mesma escola. Da amizade surgiu uma parceria informal: Mariana e Camila começaram a ajudar amigos e conhecidos que pensavam em se mudar para Portugal, compartilhando o que haviam aprendido, muitas vezes da forma mais difícil, sobre vistos, moradia, escolas e adaptação.
Foi dessa experiência prática que nasceu a decisão de empreender. “Ao conversar com outras famílias e compartilhar nossas experiências, percebemos que cada mudança que fizemos ao longo da vida nos ensinou alguma coisa. Em algum momento entendemos que aquele conhecimento tinha valor e podia virar um serviço feito com o cuidado que gostaríamos de ter recebido”, conta Mariana Padilha.
A trajetória das fundadoras da SIMPLY351 se insere em um cenário de expansão do empreendedorismo feminino não só dentro do país, mas também em Portugal. Segundo dados do Observatório das Migrações, oito em cada 10 empreendedores brasileiros em Portugal são mulheres. Elas estão espalhadas pelos vários ramos da economia portuguesa, em negócios que, além de gerar empregos e renda, contribuem para a integração no país.
Os desafios de empreender como mulher e como imigrante
Para Mariana e Camila, empreender em outro país acrescenta desafios à jornada: além de estruturar a operação, conquistar clientes e desenvolver uma marca, é necessário compreender as particularidades do mercado local e construir uma rede de relacionamentos em um ambiente diferente daquele em que iniciaram suas carreiras.
“Acreditamos que empreender exige coragem para reconhecer uma oportunidade, mas também disciplina para transformar uma boa ideia em uma operação sustentável. Começar um negócio em Portugal, trazendo toda a nossa bagagem profissional e pessoal, significou aprender a atuar em um novo mercado sem perder aquilo que nos diferencia: a capacidade de compreender as pessoas e antecipar as dificuldades de quem está começando uma nova vida”, destacam as sócias.
A conciliação entre negócio e família também está no centro da história. “Somos mães, e a escola dos nossos filhos foi literalmente onde tudo começou. A maternidade não é um obstáculo ao nosso negócio, ela é parte dele: é por entender o que significa mudar de país com crianças que conseguimos olhar para cada família de forma tão próxima”, diz Mariana.
Camila acrescenta que a coragem de começar veio da experiência acumulada: “Depois de quase 20 anos no mercado financeiro, eu sabia avaliar riscos. O que eu não sabia era o quanto a nossa vivência como expatriadas era, por si só, um ativo. Muitas mulheres subestimam o que já construíram. Nós decidimos apostar nisso.”
Escuta antes da burocracia
Com sede na capital portuguesa, a SIMPLY351 foi fundada em 2025 com um objetivo claro: tornar a experiência de mudar de país mais humana, prática e organizada, indo muito além da parte burocrática e centralizando todas as etapas em um único ponto de apoio.
Em vez de começar pelos trâmites legais, a empresa parte da escuta ativa e do entendimento profundo do momento de vida de cada cliente para, só então, desenhar todas as etapas do processo, do planejamento inicial à integração à nova vida no país. Por isso, a preferência é atender poucas famílias por vez, em um modelo de boutique que permite acompanhar cada uma de perto.
“Nossa missão na SIMPLY351 é acompanhar uma mudança de vida. Toda família que nos procura está deixando alguma coisa para trás, e isso exige tempo, atenção e presença. Escolhemos crescer devagar justamente para não perder isso”, resume Mariana.


