De acordo com a Guidant Financial, os segmentos de mercearia, alimentos, produtos e bebidas lideram com 52% de participação global. Nesse cenário, o conglomerado baiano Grupo Pinguim cresceu junto com o mercado mundial em uma escalada de 20%.
Até o ano de 2030, a Guidant Financial projeta uma injeção de US$ 36 trilhões na indústria varejista mundial, segundo o último relatório ‘Retail Industry Size & Share Analysis – Growth Trends & Forecasts (2025 – 2030)’.

Prosperando em meio à inflação e consequentemente à alta dos insumos, o setor se manteve “otimista”, expandindo a taxa de crescimento anual composta (CAGR) em 6,25%. A pesquisa ainda revelou que os setores de mercearia, alimentos, produtos e bebidas lideram a participação global dessa indústria, avaliada em 52%.

Movimentando US$ 27 trilhões em 2025, a experimentação de comércios rápidos deve sustentar as estratégias de crescimento para o segundo semestre. Redesenhando redes de atendimento e estoques, a velocidade nas entregas do setor varejista passou a transformar o mercado tradicional, em proximidade à constante personalização exigida pelos novos consumidores.
A expansão da categoria também se deve às projeções microeconômicas de algumas dessas organizações. Crescendo à um ritmo razoável, o Brasil têm observado o salto econômico de empresas do ramo que começaram com pouco recurso e passaram à projetar receitas milionárias. Esse é o caso do Grupo Pinguim, organização do setor terciário da economia, à frente do segmento comercial de “bebidas”.
Protagonizando como uma das categorias que mais cresce mundo afora, o ramo de ‘bebidas’ têm sido a “porta de entrada” para o sucesso de muitos brasileiros, a exemplo do Sócio Fundador do Grupo Pinguim, Anderson Soares. Não é atoa que seu empreendimento, em conformidade com a escalada do setor varejista, projetou um crescimento de receita avaliada em R$ 15 milhões para 2025.
“O varejo vem apresentando um ciclo consistente de crescimento, impulsionado pelas mudanças no perfil do consumidor, rapidez e avanços logísticos. Dentro dessa macroeconomia, o setor de bebidas obteve seu devido destaque, especialmente pela diversificação estratégica de vendas e o fortalecimento dos canais diretos com o público e empresas. Esse movimento nos favoreceu. Hoje crescemos junto com o mercado global, mas em uma escalada de 20%. Isso é algo que não imaginávamos em 2017, quando éramos uma pequena empresa começando no Brasil”, destaca Anderson.
O case explicado pelo empresário e os resultados positivos do ‘setor de bebidas’ se apoiam na baixa oscilação da “oferta e demanda” pela categoria, além da estratégia de ampla penetração nos domicílios brasileiros. Segundo o relatório da Guidant Financial, essas duas abordagens explicam o sucesso atual da rede varejista, adquirindo uma blindagem extra contra à inflação ao longo de ciclos econômicos.
O “varejo rápido” como estratégia de crescimento
Ainda segundo o relatório ‘Retail Industry Size & Share Analysis’, uma das estratégias de crescimento comum entre os varejistas é o denominado “varejo rápido”. Acendendo à cena empreendedora em 2017, o Grupo Pinguim entendeu essa proposta enquanto a operação iniciava em um espaço compacto de 40m² na Avenida Paulo VI. O que era um investimento arriscado, com recursos limitados para um depósito de bebidas com delivery 24 horas, se dividiu posteriormente em três frentes: o Pinguim Iglu, voltado à empório de bebidas, boutique de carnes, adega de vinhos e tabacaria; Pinguim Flash, especializado em delivery; e o Pinguim Ice, responsável pelas operações e ativações em eventos.
Essa subdivisão empresarial fez com que a organização atendesse múltiplas frentes e mercados de maneira mais rápida, receptando consumidores B2C (de empresas para o consumidor) e B2B (de empresas para empresas). Os padrões de pronta entrega, ressignificados pela Amazon, foram o suficiente para que a empresa brasileira entendesse a necessidade de “não deixar a peteca cair” – já que a big tech processou 9 bilhões de pedidos de pronta entrega em 2024, cerca de 29% a mais que o ano anterior.
Para o varejo, isso mostrou que não apenas o consumidor está mais impaciente, mas também as empresas. Adaptando esse insight ao longo de sete anos, o grupo brasileiro observou um aumento considerável nas operações e na receita, passando à atender consumidores e uma gama de festivais, eventos e ativações regionais, como o Festival de Verão (Salvador), Bahia Beer (Alagoinhas), Som Festival (Trancoso) e AfroPunk (Salvador), Open Bar do Embaixador (Feira de Santana), além de shows como Henrique & Juliano e o Festival de Inverno de Morro do Chapéu.
“Em um determinado momento, percebi que precisávamos expandir a carteira de clientes sem perder a agilidade do setor varejista. Esse momento chegou e à partir daí, conquistamos contratos com o Grupo Heineken BR, algo que soava impossível para uma pequena empresa que havia começado. A demanda também não parou. Além de dar conta de festivais e consumidores, a procura por ativações de marca chegou até os calendários sazonais, e observamos uma outra possibilidade de expansão varejista. Hoje, estamos no centro de grandes eventos, que foi o caso do São João de Cruz das Almas”, comenta Anderson.
Marcas pedem “personalização e logística” no setor varejista
Apesar de se manter à frente dos setores de cuidados pessoais e domésticos, vestuário, calçados e acessórios; quando o assunto é a liderança varejista, o ramo de ‘bebidas’ ainda enfrenta os maiores desafios logísticos. Diante da necessidade de atender um público amplo, que reúne em um só lugar consumidores e empresas, essas organizações passam pelo obstáculo de personalizar entregas – o que é bem visto aos olhos do relatório feito pela Guidant Financial.
Embora seja uma das idéias de negócio mais buscadas do início da década, segundo o Sebrae, o segmento é considerado desafiador em termos operacionais. A atuação do Grupo Pinguim no São João de Cruz das Almas 2025, ilustra esse case. A operação durou 17 dias e envolveu mais de 90 pessoas diretamente, atuando em quatro frentes: distribuição exclusiva de bebidas para aproximadamente 200 ambulantes no circuito Luiz Gonzaga; operação do bar de chope na Rua da Estação; abastecimento móvel no “Arrastão Malaecoller” e mais de sessenta bicos de chope no open bar do camarote oficial.
“Fomos escolhidos pelo Grupo Heineken para assumir toda a logística de bebidas no circuito principal. Só no camarote, foram mais de 530 barris de chope. No total, a operação movimentou aproximadamente 600 barris, 25 mil pacotes de cerveja, 4 mil de refrigerante, além de bebidas mistas, energéticos e água. Foi nossa maior entrega em volume até hoje, sendo desafiador personalizar essas entregas e atuar na logística destes eventos ao mesmo tempo. Ainda assim, conseguimos”, comemora Anderson.
Ele ainda destaca o uso de ‘tecnologia’ como diferencial competitivo, apontado como remodelador do varejo para os próximos anos, segundo a Guidant Financial. “Implantamos o sistema da ZigPay, que permitiu aos ambulantes operar com crédito pré-aprovado de até R$ 10 mil. Ao todo, liberamos R$ 300 mil em crédito para apoiar pequenos vendedores. No camarote, utilizamos a mesma tecnologia de refrigeração de chope usada no Rock in Rio. Fizemos uma verdadeira imersão no festival, aprendemos e colocamos em prática aqui na Bahia. O resultado foi um serviço ágil, mesmo com os imprevistos, como a pane elétrica no primeiro dia”, brinca.
O case explicado por Anderson demonstra como o varejo tem avançado em ritmo acelerado, puxado pela agilidade nas entregas e integração logística. Além disso, a personalização da experiência de compra e o advento das novas tecnologias integram uma série de fatores que exigirá estruturas operacionais inteligentes e adaptáveis das novas e antigas empresas do ramo varejista.

