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Notícias

Rivalidade, competição e maioria brancas. As rainhas de bateria das escolas de samba que roubam a cena no Carnaval do Brasil

Rita Moraes
Rita Moraes
Publicado 20 de abril de 2022
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O Brasil é o país das grandes escolas de samba, tradição que se perpetua desde 1929, quando ocorreu  o primeiro concurso de sambas, entre a  Deixa Falar, o Conjunto Carnavalesco de Oswaldo Cruz e o bloco Estação Primeira, que mais tarde dariam origem à Portela e à Mangueira, respectivamente. Idealizado pelo mangueirense Zé Espinguela, o certame foi precursor da competição que surgiria entre as escolas e teve como vencedor o pessoal de Oswaldo Cruz. Nesse tempo, os blocos/escolas desfilavam durante o carnaval pelas ruas próximas a suas sedes e na região da Praça Onze.

Mas, foi em 1932, que o jornal Mundo Sportivo, dirigido por Mário Filho, decidiu organizar o primeiro desfile competitivo das escolas de samba. A divulgação do evento pela imprensa ajudou a atrair um grande número de curiosos, que assistiu a 19 escolas passarem pela Praça Onze no dia 7 de fevereiro, domingo de carnaval. Os jurados elegeram a Mangueira como campeã.

De lá para cá, os desfiles são apoteóticos, ricos e compostos por Alas e em sua maioria patrocinados pelo jogo do bicho e cada vez mais populares e transmitidos ao mundo por milhares de canais de tv e pela internet. 

Como surgiu o personagem “Rainha da Bateria”

Segundo alguns historiadores do Carnaval, a rainha de bateria surgiu na década de 70, quando a mulata “Adele Fátima”, desfilou a frente da bateria da Escola de Samba Mocidade Independente de Padre Miguel, mas até aí não a sambista não levava o nome de “Rainha”. Monique Evans, modelo famosa dos anos 80 recebeu o título de “Rainha da bateria”, ao desfilar em 1985, a frente da bateria da mesma escola. Ela ganhou fama internacional, estampou revistas e foi destaque no Carnaval desse ano. 

Depois disso, todas as escolas seguiram o modelo e as Rainhas de Bateria, foram surgindo, uma a uma, seja oriundas das comunidades de origem das escolas, sejam vindas da tv, da moda, ou simplesmente por pagarem somas importantes para terem esse destacado lugar no desfile.

Carnavalescos afirmam que a ideia de colocar essas mulheres à frente das escolas de samba surgiu para que elas auxiliassem o mestre de bateria no comando da ala de percussão, atraindo a atenção do público levando mais animação para os instrumentistas, puxando o samba, para não deixar o ritmo cair.

Vale ressaltar que a ” rainha de bateria” não é um quesito avaliado individualmente, ela  se encaixa na categoria de alegorias e adereços. Para a avaliação é levada em conta a fantasia, o seu desempenho durante todo o desfile ou se realmente ela comandou a percussão e se despertou animação nos integrantes.

Pandemia e Carnaval 2022

Devido a pandemia da Covid-19, os anos de 2020 e 2021 ficaram sem o brilho do Carnaval no país. Passado o pico da pandemia, com a maioria da população vacinada, a nova data é de 20 a 24 de abril, nas principais capitais do país, incluindo Rio de Janeiro e São Paulo, onde ocorrem os desfiles das escolas de samba, com premiações e forte apelo popular. 

Cada vez mais brancas a frente das baterias das Escolas de Samba

As mulheres brancas são maioria entre as rainhas de bateria das escolas de samba do Grupo Especial de 2022, de São Paulo e do Rio de Janeiro, conforme apurado pela Alma Preta Jornalismo. O estudo foi feito entres 14 escolas, incluindo 13 rainhas de bateria e três musas da Águia de Ouro, Dessas, 8 são mulheres brancas, 7 são negras e 1 é amarela.

Se as musas, que substituíram o título de rainha de bateria na Águia de Ouro, não fossem consideradas no levantamento, as mulheres brancas ainda teriam maior protagonismo entre as rainhas do carnaval. Seriam 7 rainhas brancas, 5 negras e 1 amarela.

Quem são as mais famosas Rainhas do Carnaval? 

Eloína – Travesti e atriz

Eloína ainda não era “Dos Leopardos” quando inaugurou uma posição que seria para sempre de glória no carnaval brasileiro. O ano era 1976. Ela havia acabado de voltar de viagem com os seios que colocara em Hong Kong – “Ainda hoje a parte mais bonita do meu corpo”–, e as pernas que, na época, abalavam Paris.  Joãozinho Trinta, que estreava como carnavalesco da Beija-Flor, a convidou para ser a primeira rainha da bateria de que se tem notícia. Eloína se provou pé quente: a escola foi a campeã daquele ano – e dos dois subsequentes. “O prefeito do Rio, Marcos Tamoio, me disse que eu era a mulher mais bonita da avenida.Quase caiu quando soube que eu era um travesti.” Eloína nasceu Edson, foi criada pela madrinha no Catumbi, região central do Rio de Janeiro. “Aos 7 anos, eu já era da pá virada, gostava de brinco, de batom. As pessoas alertavam minha madrinha: ‘Jacira, esse menino não vai dar boa coisa.’ Ela me apoiava.”

Adele Fátima – modelo e atriz negra 
 
Adele ficou nacionalmente conhecida em 1978 após estrelar um comercial das Sardinhas 88, relembra momentos marcantes da carreira, como quando fez parte do filme “007 Contra o Foguete da Morte”, rodado no Brasil, ao lado do ator Roger Moore.Na televisão, fez parte da linha de shows da TV Globo por 10 anos, participou do “Sítio do Picapau Amarelo”, das novelas “Gabriela” (1975) e “Ti Ti Ti” (1986), e das minisséries “Agosto (1993) e Memorial de Maria Moura (1994).
 
Monique Evans – modelo e apresentadora de tv
 
Começou modelando aos 14 anos, a partir dos 18 já era famosa e com o tempo se tornou uma das principais modelos do Brasil. Foi capa de mais de 50 revistas especializadas em diferentes assuntos, entre elas as jovens Carícia (Revista), Geração Pop e Capricho. Ganhou fama pelas participações em programas como o “Cassino do Chacrinha” e “Chico Anysio Show”. Na segunda metade da década de 70 era uma das maiores modelos brasileiras. Estampou capas e fez ensaios para várias revistas. Posou para a edição brasileira da “Playboy”em 1985, 1986 e 1993, além de ter estrelado ensaios para a “Ele Ela” e “Sexy”. Em 1985, foi a primeira “celebridade” a desfilar como rainha de bateria em uma escola de samba. A eleita era Mocidade Independente de Padre Miguel. Desfilou também na São Clemente, na Estácio de Sá, na União da Ilha e na Grande Rio. 
 
Luiza Brunet – modelo 
Quando tinha 16 anos, sua beleza já chamava atenção e ganhou fama na década de 80, quando se tornou modelo exclusiva da marca Dijon, uma das grifes de maior sucesso. Na mesma época, posou nua e se tornou um dos grandes ícones da beleza brasileira. Disposta a quebrar barreiras, investiu na carreira de modelo na Europa, onde fez ensaios importantes e recebeu convites pra desfilar com os maiores estilistas do mundo. Desfilou pela primeira vez na Beija-Flor de Nilópolis em 1983. De lá para cá são 15 desfiles em carnavais, incluindo grávida. 
 
Juliana Paes – modelo e atriz 
 
Juliana Paes ficou conhecida nacionalmente por sua participação em telenovelas da Rede Globo. Em 2012, foi a protagonista da novela “Gabriela”, um remake exibido em 2012. São 20 anos na TV com a chance de rever dois papéis marcantes de sua carreira: Ritinha, de Laços de Família (Globo, 2000), e Bibi, de A Força do Querer (Globo, 2017). 
 
Ellen Roche – atriz
 
Começou a carreira na TV como assistente de palco em programas do SBT, como o Domingo Legal e o Fantasia, a partir dos anos 1990. Depois, foi dubladora do Qual é a Música?. Integrou ainda o elenco da Casa dos Artistas 2, entre 2002 e 2003, garantindo o segundo lugar no reality show.

Manteve a fama nos anos 2000 ao posar nua para revistas masculinas e com participação frequente em desfiles de escolas de samba no Rio de Janeiro e em São Paulo. Também investiu na carreira de atriz. Fez participação em Metamorphoses (2004), na Record, sua primeira novela. Em seguida, fez participação em diversas tramas na Globo.

O primeiro papel fixo foi como Valéria, a assistente do ilusionista Herculano Quintanilha (Rodrigo Lombardi) em O Astro (2011). Em seguida, fez a Mulher Mangaba, uma cantora de funk em Sangue Bom (2013). Atuou ainda em Divertics (2013), Geração Brasil (2014), Escolinha do Professor Raimundo (2015-2020), Haja Coração (2016), O Outro Lado do Paraíso (2017) e Éramos Seis (2019).

 
Sabrina Satto – modelo e apresentadora
 
Ficou conhecida pela participação em programas como “Big Brother” e “Pânico na TV”. Depois de contratada pela TV Record em 2013, apresentou diversos programas, entre eles: Programa da Sabrina (2014-19) e Domingo Show (2020). Sabrina Sato estreou no carnaval em 2004 como musa da escola de samba Gaviões da Fiel de São Paulo. Em 2010 foi escolhida para madrinha da bateria e em 2018 se tornou a rainha da bateria. Em 2019, após o nascimento de Zoe, Sabrina desfilou pela Gaviões.        
 
Viviane Araújo – atriz
 
Iniciou sua carreira como modelo e dançarina. Ficoi conhecida por participações em humorísticos como o “Zorra Total” e “Escolinha do Professor Raimundo”, e na novela “Império”, da TV Globo. Foi vencedora do reality show da Record “A Fazenda” em 2012 e do ‘Dança dos Famosos’ (2015). Há 10 anos desfila no Carnaval e em 2022, ao completar 15 anos como rainha de bateria do Salgueiro, a atriz vai desfilar grávida pela primeira vez. Ela espera o primeiro filho, Joaquim, com o marido, Guilherme Militão, de 33 anos. 
 
Andréia Capitulino – musa fitness

Andréa Capitulino tem 37 anos de idade, 11 como empreendedora e 9 como musa fitness. Dona de clinica de estética, ela já se dedicou muito para chegar onde chegou. E não foi à toa. Hoje, a carioca faz carreira também nos carnavais.

Morou entre as quadras do Salgueiro, Mangueira, Vila Isabel e Tijuca, desfilará em São Paulo, pela primeira vez. Andréa foi coroada no dia 6 de agosto de 2016, como Rainha de Bateria da agremiação para 2017. É bi-campeã (2018/2019) do carnaval, o que lhe rendeu o apelido de Rainha Pé Quente e para 2019 promete esbanjar ainda mais sensualidade e criatividade no sambódromo do Anhembi.

Karine Grum – modelo

É a nova rainha da bateria da escola Dragão da Real. Ela assume o espaço deixado por Simone Sampaio, que esteve a frente da bateria por nove carnavais consecutivos. Faz parte da agremiação há 18 anos, tem 29 anos. Desfila desde 2004, ainda quando era criança. 

Pâmella Gomes – bailarina do programa do Faustão 

Passando pela avenida desde os três anos de idade, a bailarina, natural de Osasco, não se limitou a São Paulo e nos últimos anos também ocupa o posto de Musa da Imperatriz Leopoldinense, no Rio de Janeiro. Aos 28 anos, muitos deles à frente da bateria, ela promete uma Pâmella diferente em 2020. Toda essa paixão pela festa popular tem explicação. A raiz vem de família. Os pais são o primeiro casal de Mestre-sala e Porta-bandeira da Tom Maior; o irmão, os tios, primos e a avó também desfilam ao lado da musa.

 

 

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