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Morte do ator famoso português Pedro Lima choca sociedade portuguesa

Pedro Lima, angolano radicado em Portugal, ex-modelo, ex-atleta e ator dos mais famosos lusitanos tinha tudo para ser um homem feliz e realizado. Aos 49 anos, gozava de fama e credibilidade entre os espectadores das televisões lusitanas,  mas chocou a todos quando (segundo informações preliminares da polícia) teria dado cabo à própria vida.  O corpo de Pedro foi encontrado pela polícia na praia do Abano, Cascais, no último sábado, 20, 10h da manhã. Seu corpo tinha perfurações no pescoço. O veículo do ator foi encontrado com os seus pertences, numa falésia, junto à praia, e o corpo junto ao mar.

Antes mesmo de finalizar a autópsia, a polícia marítima afirmou que o próprio ator se feriu com a intenção de morrer. A notícia abalou familiares, amigos, conhecidos e fãs. O funeral para apenas dez pessoas, por conta do protocolo sanitário imposto pela pandemia de covid-19, acontece nesta terça-feira, 18h.

A TVI, canal onde Pedro trabalhava,  endereçou à família “sentidas condolências” e considerou Pedro Lima “um dos mais versáteis atores da sua geração” e “um operário desta indústria, no cinema, no teatro e na televisão”, que estava “sempre disponível, sempre afável, sempre pronto para trabalhar”. O ator estava trabalhando na novela “Amar Demais”, a ser transmitida em novembro. 

Vida perfeita

Pai de cinco filhos,  Pedro estava construindo a casa dos seus sonhos e planejava casar oficialmente com a ex-modelo e artista plástica  Anna Westerlund no ano que vem, assim que  completasse 50 anos de vida e 20 de namoro. João Francisco do seu casamento com Patrícia Piloto (de 1997 a 1999) e Ema, Mia, Max e Clara, do casamento com Anna. O filho mais velho, João Francisco Lima, 20 anos, postou em suas redes sociais: “E agora? Onde está minha dupla de vôldo ei? Quem vai entrar comigo na água? Quem também vai dar o “litro” por vitórias e feijões?  Perdi meu melhor amigo. Agora, o estúpido sou só eu…”. 

Exemplo de homem e esposo

A esposa do ator, Anna Westerlund, @annawesterlundceramica, que faz trabalhos belíssimos em argila e tem loja em Cascais, fez questão de enaltecer o caráter do marido, embaixo de uma foto do Pedro Lima dentro do mar surfando. ” É com grande dor que escrevo estas palavras. O Pedro sempre foi um homem de família e nunca foi de baixar a guarda perante as adversidades da vida. Tudo o que estava ao seu alcance sempre cumpriu com um rigor único. Não atravessávamos nenhuma dificuldade financeira, nem crise familiar. Estávamos unidos, como sempre, a vivermos este momento de grande instabilidade mundial que se repercutiu e repercute em todos nós de forma mais ou menos violenta. O Pedro é o amor da minha vida. Um homem responsável, terno, presente e dedicado. O Pedro foi certamente surpreendido pela própria dor que naquele momento lhe terá sido insuportável”.

As palavras de Anna, realçam a ideia de que o marido não teria suportado a dor que carregava no peito. Porém, essa dor nada teve a ver com falta de dinheiro, crise na família, ou tragédia. Segundo alguns terapeutas, o pensamento suicida brota de uma alma atormentada, com excessiva angústia,  que passa a controlar todos os instintos. Parte dos estudiosos da mente humana afirma ainda que pessoas que cometem suicídio sentem uma culpa muito profunda e encontram na morte uma forma de se punir. O suicídio é uma forma inconsciente de autopunição. Pessoas que cometem suicídio sentem uma culpa muito profunda, e encontram na morte uma forma de se punir, quando o que elas buscam verdadeiramente é perdão.

Psicologia e a explicações para o suicídio

A psicóloga Camilla Volpatto em sua página na internet diz que “observa-se maior incidência de comportamento suicida em pessoas diagnosticadas com depressão, abuso/dependência de substâncias e ainda com o diagnóstico de esquizofrenia ou transtorno de personalidade borderline. Mas é fato que essas ditas patologias psiquiátricas, diz a profissional, não são uma condição excludente de outras situações conhecidas de todos que poderiam facilmente levar ao desespero. Uma perda repentina de alguém querido, dificuldades financeiras tão familiares a nós que vivemos em um país com tantas desigualdades, uma escassez de objetivos e metas, ou até mesmo as preocupações com alguma doença incapacitante, são motivos bastante contundentes. Nosso julgamento de vida e de morte não é uma particularidade de alguma doença mental, embora seja observada maior incidência de suicídio em amostras clínicas. Por esse motivo não é possível dizer que o sofrimento insuportável é uma realidade somente de uma seleta clientela que freqüenta o consultório de um psicólogo ou psiquiatra. Infelizmente o suicídio é fato escondido na vida de muitos. 

A verdade é que a morte do ator português levanta em todos os mais variados sentimentos. Alguns simplesmente repudiam o ato, buscando julgar o ato do suicida, como egoísta ou covarde. Outros, sentem pena, encarando o suicida como um ser inferior, que foi incapaz de enfrentar os obstáculos da vida. São muitos variações de julgamento.

O depoimento da amiga e apresentadora do programa “Passadeira Vermelha”, na tv SIC, mostra também o lado cruel das pessoas, que tentam culpar o ator pelo ato dramático, postando mensagens negativas sobre o acontecido. “O Pedro tem muitos amigos ricos, pobres, que estavam dispostos a dar a vida por ele. E que emprestariam o dinheiro que ele precisasse, portanto, isto não foi uma questão de falta de amigos, foi uma questão do Pedro, da cabeça dele, da doença dele. Agora ele era o melhor pai do mundo, o homem mais apaixonado, o amigo mais querido, um excelente profissional. Era um homem à antiga, já não se fazem homens assim. É dessa forma que vos peço para se lembrarem do Pedro e que não especulem o que é que aconteceu ou deixou de acontecer porque nós, que estamos ali, ainda não sabemos. E não se esqueçam que estas crianças, são cinco filhos que o Pedro deixou, têm acesso às redes sociais, à Internet, assim como os seus filhos têm. Coloque-se um bocadinho no lugar daquela mãe que nesta altura não sabe o que é que há de fazer porque nenhuma de nós sabia”, reforçou. 

Carreira

Atuou em filmes como “A Uma Hora Incerta” (2015), de Carlos Saboga, ou “Quarta Divisão” (2013), de Joaquim Leitão, Pedro Manuel Barata de Macedo Lima, nascido em Luanda, interrompeu o curso de Engenharia Mecânica e a prática de desporto – foi atleta olímpico na modalidade de natação, por Angola, tendo representado o país em 1988 e 1992 – para seguir a carreira de modelo.

Como ator, entrou no meio artístico através de Ricardo Carriço na Central Models e iniciou-se na RTP2 a apresentar o programa “Magacine” sobre cinema. “Foi com o Pedro que eu e o [Nuno] Markl começámos nestas vidas de televisão . O programa chamava-se Magacine e era da RTP”, escreveu o jornalista e crítico de cinema Rui Tendinha na sua página do Facebook, lamentando a morte do amigo.

Com carreira igualmente no teatro, mas conhecido do grande público pela presença em telenovelas como “Olhos de Água”, “O Último Beijo, “Ninguém como Tu, “Fala-me de Amor, “Ilha dos Amores” e “A Outra”, Pedro Lima deixou ainda a sua marca em filmes como “Contrato“, de Nicolau Breyner; “Second Life“, de Alexandre Valente e Miguel Gaudêncio; e “The Botanist” (2006), de Francis Manceau.

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POR: Rita Moraes
Publicado em 23/06/2020