Nova pesquisa Meio/Ideia confirma queda da oposição e recuperação do presidente,impulsionada pela rejeição ao adversário e não por nova onda governista
O desdobramento do caso “Dark Horse”, que envolve as revelações de conversas entre o senador Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, provocou uma mudança direta no cenário eleitoral, interrompendo a trajetória de queda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e desgastando o candidato do PL. A conclusão é dos cientistas políticos do Laboratório de Opinião Pública e Mídias Digitais da FESPSP (Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo), com base nos dados mais recentes da pesquisa Meio/Ideia, divulgada nesta quinta-feira (28) Os analistas apontam que a melhora do atual governo parece refletir mais os erros e o aumento de risco percebido na oposição do que um entusiasmo estrutural com a gestão federal.
De acordo com Beto Vasques, analista político e coordenador do Laboratório da FESPSP, os dados consolidam o impacto negativo para o parlamentar. “A pesquisa Ideia/Meio traz duas más notícias para Flávio Bolsonaro“, destaca Vasques. “Lula abre uma folga de aproximadamente 4% nas simulações de segundo turno” e a tendência é que esse cenário se agrave, já que “mais de um terço do eleitorado não sabe ou sabe muito pouco sobre o escândalo”, desconhecimento que pode ser melhor explorado na campanha dos próximos meses.
O cientista político e professor Hilton Fernandes reforça que os números validam dados de levantamentos recentes como o da Datafolha, nos quais o candidato do PL perde intenções de voto ao mesmo tempo em que o atual presidente interrompe a queda e esboça recuperação. Para Fernandes, esse fenômeno “pode indicar uma relação inversa entre a imagem positiva de Lula e a força de seu oponente”, além de destacar a “forte estabilidade no voto de Lula nos cenários de segundo turno, independentemente de quem seja o adversário“.
Para o cientista político Jairo Pimentel, embora o cenário seja favorável ao Planalto, o momento exige cautela analítica. A posição competitiva e ligeiramente favorável ao petista na pesquisa Meio/Ideia, assim como em outras amostragens recentes, parece mais associada às escorregadas da oposição. “O dado central é que Lula avança sem que apareça, na mesma proporção, uma onda claramente governista”, avalia Pimentel, sugerindo que “parte do eleitorado pode estar reagindo ao aumento de risco, percebido na alternativa oposicionista, abrindo espaço para Lula recuperar vantagem, sem romper seu teto político”.
*VEJA AGORA A ÍNTEGRA DOS ANALISTAS POLÍTICOS DA FESPSP*
BETO VASQUES
Analista político e coordenador do Laboratório de Opinião Pública e Mídias Digitais da FESPSP
Na esteira do Dark Horse, pesquisa Ideia/Meio confirma duas más notícias para o Flávio Bolsonaro, já identificadas pelo DataFolha: (1) Lula abre uma folga de aproximadamente 4% nas simulações de segundo turno; (2) mais de um terço do eleitorado não sabe ou sabe muito pouco sobre o escândalo, podendo piorar ainda mais a situação do senador nas próximas semanas.
HILTON FERNANDES
Cientista político e professor do Laboratório de Opinião Pública e Mídias Digitais da FESPSP
“Os resultados da pesquisa Meio/Ideia confirmam a tendência observada pelo Datafolha sobre o impacto das revelações das conversas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. O candidato do PL perde intenções de voto ao mesmo tempo em que Lula interrompe a queda e parece esboçar uma recuperação. O curioso desse movimento é que pode indicar uma relação inversa entre a imagem positiva de Lula e a força de seu oponente. Outro resultado que deve ser observado é a forte estabilidade no voto de Lula nos cenários de segundo turno, independentemente de quem seja o adversário — estabilidade esta que pode estar relacionada a um voto mais firme ou a limitações da metodologia utilizada na pesquisa.”
JAIRO PIMENTEL
Cientista político e professor do Laboratório de Opinião Pública e Mídias Digitais da FESPSP
“Lula aparece hoje em posição competitiva e ligeiramente favorito, mas não dominante. A pesquisa indica melhora simultânea em intenção de voto e avaliação de governo; mas *essa melhora ainda parece mais associada às escorregadas da oposição* — em especial ao desgaste de Flávio Bolsonaro após o caso Dark Horse — do que a uma mudança estrutural provocada por medidas do governo. O dado central é que Lula avança sem que apareça, na mesma proporção, uma onda claramente governista. O ambiente fica menos adverso para o presidente, mas não necessariamente por entusiasmo novo com sua gestão. *A leitura mais prudente é que parte do eleitorado pode estar reagindo ao aumento de risco, percebido na alternativa oposicionista, abrindo espaço para Lula recuperar vantagem, sem romper seu teto político”.

