Segundo o INCA, são estimados 78.610 novos casos de câncer de mama por ano no Brasil entre 2026 e 2028. A doença representa cerca de 30% dos novos casos de câncer em mulheres, excluídos os tumores de pele não melanoma. Além do impacto clínico, o diagnóstico e o tratamento podem trazer repercussões físicas, emocionais e sociais. O diagnóstico precoce e os avanços no tratamento ampliaram as possibilidades de cura e de preservação da qualidade de vida. Mas os números não contam toda a história. Solange, Viviane e Carolina enfrentaram diagnósticos e tratamentos diferentes. Suas trajetórias mostram que sobreviver ao câncer de mama também significa lidar, cada uma à sua maneira, com as marcas que a doença deixa.
A trajetória de Solange Vasconcelos reflete a complexidade que o tratamento pode assumir. Diagnosticada inicialmente com um tumor na mama direita, ela teve uma recidiva precoce nos linfonodos do lado esquerdo seis meses depois, durante um exame de revisão. O processo exigiu múltiplas sessões de quimioterapia, radioterapia e cirurgia de remoção dos tumores com reconstrução bilateral. Solange pontua o impacto de encarar um diagnóstico de evolução rápida: “Eu sempre me cuidei, fazia meus exames anualmente e, quando apareceu, por ser um triplo negativo, avançou muito rápido. A prevenção é importantíssima para um diagnóstico precoce e tratamento menos invasivo, com maiores chances de cura. Ao descobrir a doença, veio o impacto, a tristeza, sobretudo por saber da retirada da mama. Mas, aliviou saber que seria realizada a reconstrução no mesmo momento”.
A perda ou alteração da mama afeta diretamente a autoimagem do paciente. Segundo a médica mastologista Larissa Bitencourt, o procedimento de reconstrução vai além da questão estética. “A reconstrução mamária não deve ser vista como um detalhe estético do tratamento. Ela faz parte de uma recuperação mais ampla, que envolve corpo, emoção e vida social. Em muitos casos, ajuda a mulher a se vestir com mais segurança, retomar sua intimidade e se sentir mais confortável no convívio social”, explica a especialista. Hoje em remissão, Solange foca no cotidiano e na família: “Sigo firme, vivendo todo dia como se fosse o último, me cuidando e atenta a qualquer coisa que saia do habitual no meu corpo. Acompanhar o crescimento do meu neto e poder rodeá-lo de amor tem sido um dos meus maiores sonhos”.
Em outros cenários, a agilidade na realização de exames de rotina é o fator determinante para a intervenção precoce. Foi o caso de Viviane Galina, diagnosticada com câncer de mama após antecipar seus exames preventivos. O esquema terapêutico incluiu mastectomia (retirada cirúrgica de toda ou parte da mama) total unilateral com implante imediato, mamoplastia (cirurgia que remove o excesso de pele, corrige a flacidez e removendo o volume necessário para a simetrização da mama oposta) e quatro ciclos de quimioterapia. A agilidade no processo e a presença de acompanhantes foram fundamentais para enfrentar as etapas do tratamento.
“Foi tudo muito rápido, fiz a ressonância antes da biópsia, que já foi na sequência e em menos de 10 dias eu já tinha o diagnóstico fechado. Foi desafiador, tive medo, tive muitas dores, fiquei careca, engordei, entre tantas outras coisas. O câncer é grave, mas quando temos uma rede de apoio, junto a equipe médica e um diagnóstico inicial rápido faz com que passemos pelo processo com mais dignidade, qualidade de vida e menos dores do que já temos na alma. Para quem está passando pelo processo é importante cuidar de si, do seu corpo, fazer atividades físicas, terapia mesmo em meio aos dias difíceis”, relata Viviane.
Estudos indicam que a sobrevida relativa em cinco anos chega a quase 100% quando o tumor é detectado em fases iniciais, caindo para cerca de 31% em estágios muito avançados. A doutora Larissa destaca que a detecção precoce permite abordagens menos agressivas. Além disso, a médica alerta para o aumento de diagnósticos em mulheres jovens, fora da faixa etária média de rastreamento. “É um mito achar que, antes dos 40 anos, um nódulo não merece investigação. Embora menos frequente, pode acontecer, e a idade não deve ser motivo para minimizar um sinal suspeito. O autoexame também não substitui os exames de imagem ou a avaliação médica”, esclarece.
Carolina Magalhães, descobriu o câncer de mama logo no início, em um autoexame, onde foi identificado um nódulo. Durante o período de quimioterapia, oficializou a união com sua companheira, Geórgia. Anos mais tarde, com a orientação da equipe médica, pausou a hormonioterapia para realizar o planejamento familiar. “Quando completei 4 anos de hormonioterapia, decidimos pausar o tratamento para que eu tentasse engravidar. Fizemos uma fertilização in vitro com os óvulos de Geórgia e na primeira tentativa, engravidei de Guilherme. Tive uma gestação tranquila e ele nasceu em 09 de outubro”, conta Carolina.
No meio das descobertas sobre o diagnóstico, Carolina ressalta a importância de ter com quem contar. “Meu irmão foi uma peça fundamental para que eu pudesse levantar minha cabeça em um dia que eu só chorava e não queria sair da cama. Ele passou em minha casa, me levou para praia e foi suficiente para renovar minhas energias naquele momento”.
Os relatos de Solange, Viviane e Carolina mostram que o enfrentamento do câncer de mama envolve suporte médico adequado, rede de apoio e acesso à informação. Para quem recebe o diagnóstico ou passa pelo tratamento atualmente, a trajetória dessas três mulheres serve como um lembrete prático: buscar orientação médica, respeitar o tempo de recuperação do corpo e manter os cuidados com a saúde mental são passos essenciais para atravessar o processo com dignidade e esperança.
Foto: Divulgação


