O desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo, Euripedes Gomes Faim Filho, de 63 anos, se submeteu a uma cirurgia estética e foi parar na UTI. O magistrado do TJSP desde 2024, contratou o procedimento na Sinop Clínica, em Mato Grosso.
A cirurgia foi realizada no dia 16 de abril pelo médico Paulo César de Jesus Dias, com o auxílio do otorrinolaringologista e cirurgião plástico, Milton Malheiros. Paulo possui pós-doutorado em cirurgia facial há 20 anos, sendo considerado uma referência na área, além de acumular três títulos de médico especialista reconhecidos pelo Conselho Federal de Medicina: Imunologista/Alergista, Otorrinolaringologista e Cirurgião Craniomaxilofacial. Apesar do preparo técnico dos dois profissionais, o desembargador apresentou complicações sérias após a cirurgia.
Segundo Dr. Paulo, o juiz foi submetido a uma frontoplastia, conjuntamente com um lifting facial e uma cervicoplastia, empregando a técnica deep pane – que atua nos músculos e camadas mais profundas abaixo da mandíbula. O procedimento resulta na impressão de rejuvenescimento do rosto e do pescoço, removendo rugas e excessos de pele. “A cirurgia teve duração de 8 horas na primeira fase e mais 4 horas na segunda fase”, conta Dr. Paulo.
Ao final da cirurgia no pescoço, os médicos observaram sangramento, com a formação de hematomas. Segundo o médico, essa é uma complicação prevista no tipo de procedimento. A técnica correta é observar o quadro, tendo em vista que de acordo com a dimensão da hemorragia, pode haver compressão das vias, dificultando a respiração. Com o quadro de sangramento difuso (que vem de vários pontos, não de uma veia ou artéria), os médicos usaram plasma sanguíneo, do hemocentro, para estancar a hemorragia.
Ficou duas horas em observação
Durante as duas horas de observação da recuperação pós-anestésica, os profissionais identificaram que o desembargador apresentava sinais de dificuldade na respiração. O procedimento foi fazer uma traqueotomia – abrindo uma passagem de ar diretamente na garganta. Depois disso, o desembargador foi levado para a UTI do Hospital Dois Pinheiros, onde foi internado. “Ele foi para a UTI acordado, lúcido e com ventilação espontânea. A internação foi uma precaução com o paciente”, explicou o profissional.
Segundo Malheiros, não houve imperícia, imprudência ou negligência no caso. Foi um “infortúnio”, com uma intercorrência prevista escalando para um quadro mais grave. A estrutura local e a experiência dos médicos foram determinantes para reverter o quadro.
Cirurgias estéticas podem ter intercorrências graves
As complicações na cirurgia não aconteceram ao acaso. Procedimentos estéticos feitos anteriormente, o uso de bioestimuladores e fios de PDO, aparentemente inócuos, mudaram as estruturas, rigidez e densidade da pele e dos músculos. Na cirurgia feita pelo magistrado, ao invés da pele descolar facilmente – como aconteceria com alguém que nunca foi operado e não usa bioestimuladores – o tecido estava mais aderido a musculatura. O desembargador não teria comunicado esses procedimentos anteriores.
Em um vídeo de avaliação, gravado 3 semanas após a cirurgia, Euripedes apresentava boa recuperação, sem sinais operatórios, movimentando livremente face e pescoço. “O paciente ficou satisfeito com o resultado”, pontuou Paulo. “Ele [o desembargador], entendeu o ocorrido. Conversamos várias vezes depois, viramos amigos e em breve vou viajar com ele e a esposa”, acrescentou Malheiros.
Sair de São Paulo para fazer um procedimento médico em Sinop não é tão incomum quanto parece. Segundo Paulo, 80% dos seus pacientes não são de Sinop. Malheiros também é conhecido pela rinoplastia que faz, recebendo frequentemente pacientes de outras regiões do país. No caso do desembargador, o primeiro contato foi por Instagram, depois de ver os procedimentos que o Dr. Paulo fez e avaliar a sua formação e experiência médica.

