Uma forte tensão entre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União), e o líder do governo na Casa, Jaques Wagner (PT), atinge um ponto máximo e foi formalizada por Alcolumbre como uma ruptura definitiva nesta sexta-feira, 21 de novembro. O rompimento, descrito como definitivo por Alcolumbre coloca em xeque a dinâmica de poder no Senado com a base governista.

A informação foi publicada pela colunista Daniela Lima, do UOL. Procurado por senadores preocupados em compreender a extensão do distanciamento entre os dois líderes, Alcolumbre foi direto e taxativo sobre a situação. “Não existe mais relação institucional ou pessoal entre mim e ele. E é definitivo”, teria respondido o presidente do Senado.
Com essa declaração, a articulação política da casa muda, visto que a relação entre o presidente da Casa e o líder do governo é crucial para a pauta de votações e a tramitação de projetos de interesse do Executivo.
Aliados de Alcolumbre relataram que a irritação do senador do Amapá aumentou após o petista Jaques Wagner tentar minimizar publicamente o desconforto entre eles, que já haviam travado uma discussão acalorada no plenário no início desta semana.
Como começou o racha ?
A sessão no Senado realizada em junho desse ano, terminou com declarações duras dirigidas a Davi Alcolumbre por Jaques Wagner, líder do governo Lula. A maioria derrubou o aumento o IOF.
O petista afirmou que a votação da derrubada do aumento do IOF era “bastante traumática”, além de acusar o descumprimento de acordo com o governo e alertar que a medida “tangencia o perigo”. Por sua vez, o presidente do Senado declarou que essa “derrota para o governo” foi construída a várias mãos, tanto de deputados quanto de senadores. Ele também comentou que era hora de todos pararem para dialogar mais.
Em entrevista à imprensa na época, Jaques Wagner afirmou, que apesar das lideranças do governo federal e dos presidentes do Congresso Nacional terem firmado acordo, semanas antes, sobre a aprovação do IOF, não houve “estranheza”, com a não aprovação do decreto. Segundo o ex-governador, nessa reunião estavam presentes equipes no Ministérios da Fazenda, além de senadores e deputados da base.
“Então haviam lá sete mais ou menos senadores, nove deputados e saiu todo mundo exultante com o resultado da reunião. Na semana seguinte, depois de todo mundo dar uma entrevista, derrubaram. Não me pergunte por quê, porque eu não sei. Só quem pode saber quem derrubou”, disse
Ainda de acordo com a publicação, Alcolumbre decidiu levar Wagner à residência oficial para discutir a relação, já tarde da noite. Após isso, ele disse a interlocutores que a paz teria voltado a reinar entre eles.
A partir dessa declaração, a relação de Wagner com Alcolumbre azedou. O Senador Jaques Wagner passou a ser tratado como uma espécie de algoz de uma possível indicação do ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco ao STF. O petista teria procurado Alcolumbre e Pacheco para conversar, mas as tentativas de contato teriam sido rejeitadas. A distância teria sido mantida mesmo em encontros no plenário.

