A médica investigada pela morte do garotinho Benicio, de 6 anos, após a aplicação de medicação em um hospital de Manaus, responderá as investigações em liberdade. A decisão da Justiça foi tomada por meio da concessão de um habeas corpus preventivo. Segundo o delegado Marcelo Martins, o caso é investigado como homicídio doloso qualificado.
A médica Juliana Brasil Santos reconheceu que errou ao prescrever adrenalina na veia de Benicio Xavier, de 6 anos, que morreu após receber a medicação.
O que aconteceu?
A criança morreu após receber uma dosagem incorreta de adrenalina aplicada por via intravenosa, segundo denúncia feita pelos pais na última terça-feira, 25 de novembro. O atendimento médico ocorreu entre sábado, 23, e a madrugada de domingo, 24.
A médica e uma técnica de enfermagem, que atenderam Benício Xavier de Freitas, prestaram depoimento nesta sexta-feira, 28, no 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP).
Segundo o delegado Marcelo Martins do 24° DIP, o caso é apurado como homicídio doloso qualificado pela crueldade.
Testemunhas relataram que a médica teria demorado a prestar socorro à criança, o que, segundo a investigação, caracterizaria indiferença diante da gravidade da situação
A defesa da médica nega as acusações e afirma que ela teria agido imediatamente, solicitando inclusive um antídoto para tentar reverter o quadro. Médicos ouvidos no inquérito, porém, afirmaram que não existe medicação capaz de neutralizar uma overdose de adrenalina, restando apenas medidas de suporte clínico.
”A médica foi acionada pela técnica de enfermagem logo que a criança começou a passar mal, mas não demonstrou urgência em prestar socorro. Esse comportamento evidencia desprezo pela vida da vítima”, disse Martins.
Benicio sofreu três paradas cardíacas
Documentos do hospital e depoimentos já coletados confirmam que a criança sofreu pelo menos seis paradas cardíacas antes de morrer. A médica e a técnica de enfermagem envolvidas foram afastadas das atividades.

O Conselho Regional de Medicina do Amazonas (Cremam) abriu, na quarta-feira (26), um procedimento para apurar a morte da criança.
Segundo o pai, Bruno Freitas, o menino foi levado ao hospital com tosse seca e suspeita de laringite. Ele contou que a médica prescreveu lavagem nasal, soro, xarope e três doses de adrenalina intravenosa, 3 ml a cada 30 minutos.
A família disse ao g1 que chegou a questionar a técnica de enfermagem ao ver a prescrição. De acordo com Bruno, logo após a primeira aplicação, Benício apresentou piora súbita.
“Meu filho nunca tinha tomado adrenalina pela veia, só por nebulização. Nós perguntamos, e a técnica disse que também nunca tinha aplicado por via intravenosa. Falou que estava na prescrição e que ela ia fazer”, relatou o pai.
Após a reação, a equipe levou a criança para a sala vermelha, onde o quadro se agravou. A oxigenação caiu para cerca de 75%, e uma segunda médica foi acionada para iniciar o monitoramento cardíaco. Pouco depois, foi solicitado um leito de UTI, e Benício foi transferido no início da noite de sábado.
Na UTI, segundo o pai, o quadro piorou. A equipe informou que seria necessária a intubação, realizada por volta das 23h. Durante o procedimento, o menino sofreu as primeiras paradas cardíacas.
O pai relatou que o sangramento ocorreu porque a criança vomitou durante a intubação. Após as primeiras paradas, o estado de Benício continuou instável, com oscilações rápidas na oxigenação. Minutos depois, Benício apresentou nova piora e não respondeu às manobras de reanimação. Ele morreu às 2h55 do domingo.

