Nascido em Carneiros, no sertão alagoano, e radicado na zona sul de São Paulo, o artista visual, fotógrafo aéreo e arte-educador Marcelino Melo (1994) participa como artista visual convidado na montagem de Porgy and Bess no Theatro Municipal de São Paulo, concebendo uma obra instalativa. Conhecido pela série “Quebradinha” e por trabalhos que investigam memória, território e ancestralidade, Melo transporta o universo de Catfish Row para a realidade brasileira, em diálogo direto com as quebradas paulistanas.



Além de sua atuação no Brasil, a obra de Quebradinha já circulou internacionalmente, como na BIENALSUR, em Buenos Aires, e em mostras coletivas no IMS Paulista, Sesc SP e MAR Rio. Em 2024, realizou sua primeira exposição individual, “Etnogênese – o que é, e o que pode ser”, no Museu de Arte Contemporânea de Niterói, com curadoria compartilhada de Emicida, Luiza Testa e Patrícia Borges – um marco de reconhecimento nacional e internacional para sua pesquisa.
A presença de Quebradinha no projeto cênico de Porgy and Bess carrega ainda um peso simbólico: 103 anos após a Semana de Arte Moderna, o Theatro Municipal recebe, em seu palco, uma obra que incorpora as vozes e experiências que o modernismo deixou de fora.
Sobre o significado pessoal e coletivo de ocupar o Theatro Municipal, Marcelino afirma: “Meu povo construiu aquele prédio. As pessoas que carregaram tijolos talvez nunca imaginaram que um dia eles seriam símbolo de uma grande obra lá dentro. Botaram a gente para morrer nas favelas e, além de combinarmos de não morrer, ainda tivemos a ousadia de voltar como artistas”.
A diretora Grace Passô completa: “As obras de Marcelino me soam como grandes poemas plásticos. Quando recebi o convite do Municipal, pensei imediatamente em sua obra, porque para mim ela tem dimensões operísticas. Conhecer seu trabalho na cenografia da peça só reafirmou o quanto ele é raro e emocionante”.
As apresentações de Porgy and Bess acontecem nos dias 19, 20, 21, 23, 24, 26 e 27 de setembro.

