Organização entrega mais de 300 mil assinaturas à Secretaria-Geral da Presidência da República e intensifica mobilização em Brasília antes do prazo final para sanção do PL 90/2020
Brasília, DF — Em visita a Brasília nesta terça-feira (21), a organização de proteção animal Animal Equality se encontrou com o vice-presidente Geraldo Alckmin e pediu a sanção do Projeto de Lei 90/2020, que visa proibir o foie gras no país. Na sequência, em reunião com a Secretaria-Geral da Presidência da República, a equipe reforçou o apelo entregando formalmente mais de 300 mil assinaturas de brasileiros direcionadas ao presidente Lula.
No encontro com a Secretaria-Geral da Presidência, a organização apresentou a campanha que a entidade lidera há seis anos, que conta com investigações em granjas e matadouros e grande mobilização pública.
O foie gras é produzido a partir do fígado de patos e gansos submetidos à alimentação forçada. Durante esse processo, tubos metálicos de 30 centímetros são introduzidos repetidamente pela garganta dos animais para bombear grandes quantidades de alimento diretamente ao estômago. O objetivo é provocar deliberadamente uma doença conhecida como esteatose hepática, fazendo com que o fígado aumente até dez vezes seu tamanho normal.
Embora o projeto tenha amplo apoio da sociedade brasileira, setores ligados à indústria francesa do foie gras vêm pressionando o governo brasileiro para que a proposta seja vetada. “O Brasil já deixou claro que não aceita práticas que submetem animais a sofrimento extremo. As mais de 300 mil assinaturas entregues representam uma mensagem inequívoca da sociedade: esperamos que a decisão do presidente Lula reflita a vontade dos brasileiros, e não pressões de interesses estrangeiros”, afirma Marina Lemes, gerente de projetos da Animal Equality Brasil e especialista em bem-estar animal.
O foie gras possui impacto econômico irrelevante no país. Atualmente, as duas fazendas que produziam foie gras no Brasil foram interditadas pelo Ibama, e o consumo do produto é restrito a uma pequena parcela da população devido ao seu alto custo, que pode chegar a R$ 5 mil por quilo.
Caso o projeto seja sancionado, o Brasil se tornará o primeiro país da América Latina e segundo do mundo a proibir, em nível federal, tanto a produção quanto a comercialização de foie gras, consolidando um importante avanço na proteção dos animais explorados para consumo humano. |

