Uma liderança com modelo político inovador e capital eleitoral consolidado. Uma trajetória que combina formação acadêmica, trabalho coletivo e proximidade com territórios
A ex-deputada federal Áurea Carolina (PSOL-MG) se articula para disputar o Senado por Minas Gerais, levando para o centro do debate um modelo de atuação que combina capital eleitoral já testado nas urnas e uma experiência consolidada com mandatos ativistas. Liderança reconhecida nas áreas de participação popular e inovação democrática, apresenta para as próximas eleições um programa que prioriza trabalho com dignidade, saúde pública, direitos das mulheres, cultura e justiça climática. Sua candidatura a posiciona como um dos nomes mais competitivos ao Congresso Nacional e um dos movimentos mais relevantes da reorganização do tabuleiro político para 2026.
“O Senado precisa ser ocupado por mulheres progressistas. Ainda é uma instituição distante do cotidiano brasileiro. Está na hora de termos um Congresso conectado com a vida real, com as necessidades mais urgentes do povo. É por isso que eu me coloco para essa grande tarefa. Quero construir uma campanha de sonho e ousadia para enfrentar a velha política e ser uma aliada da população”, explica sua motivação.
“O importante não é você ser a primeira, o importante é você abrir caminhos.” É neste lema de Conceição Evaristo, escritora e membro da Academia Mineira de Letras, que Áurea Carolina se inspira na vida política. De família mineira, nascida no interior do Pará e radicada em Belo Horizonte, ela já era ativista quando ainda nem sabia nomear as causas, aprendendo com a mãe a ajudar pessoas em situação de rua. Aos 20 anos, seu ativismo foi tomado de consciência ao se juntar a coletivos de juventude periférica.
Formação e trajetória
De lá para cá, Áurea se tornou cientista política pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e especialista em gênero e igualdade pela Universitat Autònoma de Barcelona, com uma ampla trajetória pública, passando pela Subsecretaria de Políticas para as Mulheres de MG, pela Câmara Municipal de BH e pela Câmara dos Deputados em Brasília, destacando-se nas áreas de cultura, meio ambiente, direitos humanos e inovação democrática. Aos 42 anos, com maturidade política consolidada, ela se lança como pré-candidata ao Senado por Minas Gerais nas eleições de 2026.
Áurea é uma combinação rara de vivência territorial, formação acadêmica e capacidade de articulação. Com sorriso largo e fala assertiva, ela conquistou os belorizontinos em sua primeira eleição, em 2016, quando foi a vereadora mais votada da cidade. A campanha coletiva das “Muitas” tinha algo de especial: era uma coalizão de 12 ativistas que queriam representar a população com uma proposta política diversa e participativa.
“Tinha um contexto de muita efervescência internacional, com a Primavera Árabe, os Indignados na Espanha, o Occupy Wall Street em Nova York… era um momento de questionamento do sistema político e de surgimento de novas lideranças. A gente tinha muita identificação com tudo isso e conseguiu traduzir esse espírito numa campanha muito viva, muito contagiante. Tinha essa esperança de uma renovação progressista popular”, comenta. Assim, quando duas das “Muitas” foram eleitas, surgiu uma experiência inédita no Brasil – a Gabinetona, um mandato compartilhado, formado por Áurea Carolina e Cida Falabella (PSOL-MG), em covereança com Bella Gonçalves (PSOL-MG), a terceira mais votada da chapa.
Inovação política
A Gabinetona reduziu a distância entre representantes e representados, criando uma série de ferramentas de participação popular: a consulta pública para destinação de emendas (Emenda com a Gente), os Laboratórios Populares de Leis (LabPops), os Grupos Fortalecedores (GFortes), espaços de diálogo permanente com a sociedade, e o Mapa de Lutaspara identificar pautas prioritárias da cidade e facilitar o acesso dos grupos envolvidos aos instrumentos da política institucional.
“A gente tinha uma casa compartilhada. Ali a gente fazia reuniões periódicas e, mesmo com a autonomia de cada mandato, as decisões eram tomadas de forma muito conjunta”, relembra Áurea. Despersonalizar o fazer político por meio de uma aposta nas construções coletivas foi, segundo ela, uma prática que mostrou a potência da sociedade civil brasileira e que a política pode ser reinventada.
A experiência local ganhou projeção nacional. Em 2018, a campanha das “Muitas” estava de volta para disputar a Câmara dos Deputados e a Assembleia de Minas. Áurea Carolina foi eleita deputada federal por Minas Gerais, novamente com votação majoritária, enquanto Andréia de Jesus (PSOL-MG à época) foi eleita deputada estadual, passando a integrar a Gabinetona. Áurea levou a Brasília a mesma aposta em participação popular, transparência e construção coletiva que marcou sua atuação como vereadora. No Congresso Nacional, a Gabinetona articulou essas práticas em uma escala mais ampla, conectando pautas locais a debates estruturais do país.
Atuação no Congresso
O Emenda com a Gente teve continuidade com um novo nome, Emenda Geral. De 2019 a 2022, o mandato de Áurea Carolina contemplou 179 propostas, destinando um total de quase R$ 70 milhões para projetos de áreas como agroecologia e segurança alimentar, cultura, direitos humanos, saúde, enfrentamento à mineração, povos e comunidades tradicionais, promoção da igualdade de gênero e promoção da igualdade racial e étnica.
Em 2020, Áurea foi reconhecida pelo Prêmio Congresso em Foco como uma das melhores parlamentares na categoria Clima e Sustentabilidade por sua atuação no enfrentamento à mineração e na defesa das comunidades atingidas. Mesmo depois de seu mandato, finalizado em 2022, que com muita luta política teve nove PLs aprovados, Áurea mantém presença na Câmara dos Deputados, com 46 dos 74 PLs propostos em tramitação.
Mantém presença também nas ruas, no olhar do povo. Em depoimentos frequentes, ela relata: “Sempre me emociono quando escuto ‘Áurea, você me representa!’ Sou abraçada nas mais inusitadas situações por pessoas que me acompanham ou votaram em mim. Um dia desses, já depois de concluir o mandato federal, um casal com um bebê me abordou distraída no meio de um shopping. Eles me olharam com lágrimas nos olhos e disseram que sou inspiração para a criação da sua filhinha recém-nascida.”
Retorno e projeção 2026
Com apoio popular, Áurea volta à disputa política em 2026 para representar o povo mineiro, e, no que depender dela, todos os brasileiros. A pré-candidatura ao Senado ocorre em um momento de reorganização do campo progressista e de disputa por novos modelos de representação política.
Áurea organiza seu possível mandato em eixos que dialogam diretamente com os principais desafios do país. O trabalho com dignidade aparece como prioridade, com defesa de direitos, fortalecimento da renda das famílias e enfrentamento à precarização que atinge especialmente os trabalhadores informais. Na saúde, reafirma o compromisso com a defesa do SUS, entendido como garantia de acesso gratuito e de qualidade à saúde.
A agenda também passa pelo fortalecimento de políticas para mulheres, com foco no enfrentamento à violência e na erradicação de feminicídios, na autonomia econômica e na ampliação de direitos, além da valorização da cultura como motor de desenvolvimento, identidade e geração de renda. Soma-se a justiça climática, tratada de forma transversal, conectando preservação ambiental, proteção de territórios e condições de vida das populações mais vulnerabilizadas.
Em sua dissertação de mestrado em Ciência Política, intitulada “Ampliando os limites do Estado”, lá em 2015, ela já denunciava que, no caso de grupos subalternizados, “O que já foi conquistado não está definitivamente garantido e os riscos de estagnação e retrocesso são reais. (…) Sem a presença dos grupos subalternizados nos espaços de poder, a política de ideias defendida nos espaços de participação e deliberação tem pouco efeito sobre o resultado das decisões governamentais.” A história vem provando sua tese e Áurea se ergue como mulher negra, de origem periférica, para reconquistar esse espaço de fala e levar as vozes das ruas ao Congresso.
Veja, a seguir, alguns dos Projetos de Lei (PL) propostos pelos mandatos de Áurea Carolina, em sua maioria construídos com as parceiras da Gabinetona e outros parlamentares aliados.
Câmara Municipal de Belo Horizonte
PL da Indumentária (465/2017): garante a proteção ao uso de indumentária, objetos e pinturas corporais, e aos modos de se portar típicos e tradicionais de um povo ou uma comunidade, nos espaços públicos e nos veículos do serviço público de transporte.
PL Morada Segura (533/2018): estabelece que mulheres em situação de violência que foram atendidas e encaminhadas por equipamentos públicos da cidade tenham seu direito à moradia assegurado, garantindo a elas prioridade em programas habitacionais do município; virou lei.
PL Dia Municipal de Combate ao Feminicídio (904/2019): estabelece o dia 25 de novembro como uma data que visa dar visibilidade para o problema, promover debate, reflexões e a sensibilização da população para agir em defesa da vida das mulheres.
PL Participa Ambulante (760/2019): instala comissões permanentes para incidir sobre a política pública voltada para vendedoras e vendedores ambulantes e camelôs.
PL Rua Viva (783/2019): regulamenta o trabalho de caixeiras e caixeiros em BH e reconhece a importância da atividade para a geração de renda e fomento da economia popular.
Câmara dos Deputados
PL Reajuste do Salário Mínimo (2378/2019): visa promover maior justiça social propondo o reajuste do salário mínimo sempre acima do índice da inflação.
PL Combate à Violência Contra a Mulher Durante o Parto (878/2019): Dispõe sobre a humanização da assistência à mulher e ao neonato durante o ciclo gravídico-puerperal; destaca a importância da elaboração de planos de parto condizentes com a vontade de cada gestante, só podendo serem alterados se, comprovadamente durante o parto, forem necessárias intervenções para garantir a saúde da mãe e/ou da criança.
PL Aldir Blanc (1075/2020): estabelece medidas de apoio ao setor das Artes e da Cultura durante a pandemia, por meio da destinação de R$ 3 bilhões a estados, Distrito Federal e Municípios para a implementação de ações emergenciais de fomento direto e indireto; virou lei.
PL Escola sem Mordaça (502/2019): garante, nas escolas de todo o país, a liberdade de pensamento e opinião, o respeito à pluralidade étnica, religiosa, ideológica e política.
PL Marco Regulatório do Fomento à Cultura (3905/21): estabelece um novo regime jurídico para as políticas públicas de fomento à cultura, com foco na simplificação de processos, ampliação do acesso a recursos e reconhecimento das especificidades do setor cultural.
Novo Marco Regulatório da Mineração: PL 2.791/2019: mais segurança nas atividades mineradoras; PL 2.787/2019: mais rigor para a lei de Crimes Ambientais; PL 2.790/2019: prevenção a desastres induzidos por ação humana; PL 2.788/2019: garantia de direitos das populações atingidas por barragens; PL 2.785/2019: novas regras para o licenciamento ambiental; PLP 127/2019: licenciamento ambiental mais rigoroso para a mineração; PLP 2789/2019: criação de fundo para ações emergenciais em desastres causados pela mineração; PLP 126/2019: fim da isenção de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para produtos da mineração.
PL Enfrentamento ao Terror de Barragens (2.945/2021): estabelece medidas de proteção às pessoas que vivem no entorno de empreendimentos minerários, proibindo a exploração mineral em áreas onde tenha havido deslocamento forçado em razão de risco ou ocorrência de rompimento de barragens.
Ainda dentro da Câmara dos Deputados, Áurea foi membro de diversas comissões de debate e legislação de assuntos prioritários em sua pauta.
Membro da Comissão Externa do Desastre de Brumadinho: acompanhamento e fiscalização das barragens existentes no Brasil e das investigações relacionadas ao rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão. Deu origem a nove proposições legislativas que integram o novo marco regulatório para a mineração no país.
Vice-presidenta da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Rompimento da Barragem de Brumadinho:apuração de responsabilidades e avaliação de formas de reduzir riscos de novos acidentes. No relatório final, 14 pessoas foram indiciadas por crime de homicídio com dolo eventual (quando o agente assume o risco de cometê-lo), incluindo o ex-presidente da Vale, Fabio Schvartsman; Vale e Tüv Süd, empresa alemã responsável pelo laudo de segurança da barragem, foram indiciadas por crime de homicídio culposo.
Membro da Comissão Externa sobre Violência Doméstica Contra a Mulher: acompanhamento dos casos de violência doméstica, obstétrica e o feminicídio no país, e avaliação das estruturas e políticas públicas que recebem mulheres em situação de risco ou vítimas do machismo.
Membro da Comissão Permanente Mista de Combate à Violência Contra a Mulher: investigação das lacunas existentes nas ações e serviços de segurança pública e assistência jurídica às mulheres em situação de violência.
Vice-presidenta da Comissão de Cultura: atua sobre patrimônio cultural, diversões e espetáculos públicos, produção intelectual e os direitos autorais. Nesse contexto foi criado o PL 1075/2020 sobre ações emergenciais para o setor cultural durante a pandemia, que deu origem à Lei de Emergência Cultural Aldir Blanc.
Linha do tempo
1983 – Áurea Carolina nasce em Tucuruí, Pará. Ainda na primeira infância, a família se transfere para Belo Horizonte, onde Áurea cresce e cursa o Ensino Fundamental em escolas públicas.
1999 – Ingressa no Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (CEFET-MG) para cursar o Ensino Médio. A vivência das questões periféricas e juvenis, de gênero e étnico-raciais marcaria de forma definitiva sua formação e atuação sociopolítica.
2004 – Ingressa na faculdade de Ciências Sociais na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Participa da criação do Fórum das Juventudes da Grande BH. Atua como mobilizadora social na Associação Imagem Comunitária (AIC). É premiada com uma bolsa do programa Gênero, Reprodução, Ação e Liderança (GRAL), da Fundação Carlos Chagas.
2006 – Torna-se conselheira municipal de juventude de BH pela regional Noroeste. Passa a integrar o Fórum Cone Sul de Mulheres Jovens Políticas e é eleita secretária executiva do Conselho Municipal de Juventude de Belo Horizonte.
2010 – Já graduada, é contemplada por uma bolsa de estudos da Fundación Carolina e segue para a Espanha, para uma especialização em gênero e igualdade na Universitat Autònoma de Barcelona.
2011 – De volta a BH, integra o Grupo de Trabalho (GT) de Mulheres Jovens da Secretaria Nacional de Juventude.
2015 – Atua como subsecretária da Subsecretaria de Política dos Direitos das Mulheres de Minas Gerais e conclui seu mestrado no Departamento de Ciência Política da UFMG. Participa da construção das “Muitas”, uma movimentação de coletivos, movimentos sociais e ativistas que surge com o objetivo de ocupar, com cidadania e ousadia, as eleições municipais.
2016 – É eleita vereadora de Belo Horizonte com 17.420 votos, sendo a mais votada da cidade.
2018 – É eleita deputada federal por Minas Gerais, novamente com votação majoritária entre as mulheres.
2020 – É reconhecida pelo Prêmio Congresso em Foco como uma das melhores parlamentares na categoria Clima e Sustentabilidade.
2023 – Finalizado o mandato como deputada federal em 2022, Áurea se afasta da vida pública e torna-se Diretora Executiva do NOSSAS, organização sem fins lucrativos comprometida com o fortalecimento da democracia, da justiça social e da igualdade por meio de mobilizações sociais.
2026 – Áurea se lança pré-candidata ao Senado Federal por Minas Gerais.
Sobre Áurea Carolina
Áurea Carolina é cientista política, educadora popular e ativista com trajetória nas lutas de mulheres, negritude, juventudes, comunidades tradicionais e populações periféricas. É formada em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), especialista em Gênero e Igualdade pela Universitat Autònoma de Barcelona, e mestre em Ciência Política também pela UFMG. Filiada ao Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), foi eleita em 2016 a vereadora mais votada de Belo Horizonte e, em 2018, deputada federal por Minas Gerais, a mulher mais votada do estado. Com atuação de destaque nas áreas de cultura, meio ambiente, direitos humanos e inovação democrática, Áurea é pré-candidata ao Senado Federal por Minas Gerais.

