Falsas centrais, mensagens de WhatsApp, clonagem de voz e golpes que se passam por familiares exploram confiança e urgência; especialistas explicam como reconhecer os sinais da engenharia social
Uma ligação do suposto banco, uma mensagem de um familiar ou um áudio aparentemente enviado por alguém conhecido. Em muitos golpes financeiros, o criminoso não precisa invadir a conta da vítima ou explorar uma falha tecnológica. Basta convencê-la a fazer aquilo que ele quer. Essa estratégia é conhecida como engenharia social e explora comportamentos humanos como confiança, medo e sensação de urgência para induzir pessoas a fornecer dados, clicar em links ou realizar transferências.
“Na engenharia social, o criminoso se aproveita justamente da fragilidade da vítima, onde ele simula uma situação que parece legítima e conduz a pessoa para uma ação que, naquele momento, faz sentido para ela. O problema é que essa ação foi planejada pelo fraudador”, explica Rafaela Helbing, CEO da Data Rudder, empresa especialista em soluções de prevenção a crimes financeiros.
Entre os exemplos mais comuns estão os golpes envolvendo o Pix, impulsionados pela popularidade do sistema que, somente em 2025, registrou alta de 25,7% nas transações, com quase 80 bilhões de operações, segundo o Banco Central. O relatório divulgado recentemente pela Global Anti-Scam Alliance (GASA) aponta que 81% dos brasileiros foram alvo de pelo menos uma tentativa de golpe nos últimos 12 meses, enquanto 10% sofreram perdas financeiras ou tiveram dados comprometidos. O levantamento reforça a dimensão do problema e mostra como os criminosos vêm diversificando as estratégias para explorar o uso cada vez maior dos meios de pagamento digitais.
Além disso, entre outras principais ameaças estão o phishing, com mensagens e links fraudulentos, e as falsas centrais de atendimento e ligações com clonagem de voz por inteligência artificial (vishing).
Para Jardel Torres, sócio e diretor comercial (CCO) do Grupo OSTEC, empresa especializada em soluções completas de cibersegurança, a evolução das ferramentas utilizadas pelos criminosos aumenta a importância da atenção do usuário. “O problema ganhou uma nova dimensão com a inteligência artificial, que permite criar mensagens personalizadas, imitar formas de comunicação e até clonar vozes”, relata. Segundo o relatório M-Trends 2026 da Mandiant, baseado em mais de 500 mil horas de resposta a incidentes, o vishing chegou a superar o e-mail como principal vetor de engenharia social.
| Como não cair na armadilha e se proteger?
A engenharia social também cria um desafio para bancos e instituições financeiras, já que a própria vítima pode autorizar a transação fraudulenta. Um Pix feito depois de uma falsa ligação do banco pode parecer legítimo quando analisado isoladamente. Por isso, além de valor, horário e localização, os sistemas de prevenção podem considerar o histórico do cliente, a frequência das operações, o comportamento habitual e as relações entre contas.
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