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Especialista alerta que a maioria das empresas brasileiras já adotou tecnologias de Indústria 4.0, mas ainda trava em falhas na gestão de processos, pessoas e dados
Robôs colaborativos na linha de montagem, sensores de IoT monitorando equipamentos em tempo real, dashboards repletos de dados operacionais. O cenário da indústria brasileira nunca foi tão tecnológico. No entanto, diante do Dia da Indústria, celebrado em 25 de maio, uma pergunta persiste entre gestores, consultores e especialistas: por que tantas empresas investem em Indústria 4.0 e ainda colhem resultados aquém do esperado?
A resposta, cada vez mais consensual no setor, aponta para um gargalo que a tecnologia não resolve sozinha: a gestão. Segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgado em 2022, 69% das indústrias brasileiras já utilizam ao menos uma tecnologia associada à Indústria 4.0. Ainda assim, a produtividade industrial brasileira permanece abaixo da média de países como Alemanha, Coreia do Sul e Estados Unidos.
O problema não é novo, mas ganhou urgência. Uma pesquisa da McKinsey Global Institute apontou que 70% dos projetos de transformação digital na indústria falham antes de atingir escala, e que, na maioria dos casos, o obstáculo não é a tecnologia em si, mas a incapacidade das organizações de adaptar seus processos, sua cultura e sua liderança às novas demandas operacionais.
“A Indústria 4.0 oferece ferramentas extraordinárias, mas ferramentas não tomam decisões. Gestores tomam. O que vemos em campo é uma sofisticação tecnológica crescente convivendo com práticas gerenciais que não evoluíram na mesma velocidade. O elo mais fraco da cadeia continua sendo organizacional, não tecnológico”, afirma Alvaro Chaves, CEO da Areco, empresa de tecnologia e consultoria com ecossistema próprio de soluções de gestão empresarial.
Dados do Fórum Econômico Mundial, em seu relatório Future of Jobs 2023, estimam que 44% das competências centrais exigidas pelos trabalhadores industriais precisarão ser atualizadas até 2027.
A Areco tem atuado diretamente nessa frente, apoiando indústrias de diferentes portes e segmentos na construção de modelos de gestão compatíveis com a velocidade da transformação tecnológica. A abordagem parte de um diagnóstico preciso das lacunas operacionais e culturais, seguido da implementação de metodologias que integram pessoas, processos e plataformas digitais de forma coerente.
“Não existe transformação digital sustentável sem transformação cultural. Empresas que investem apenas em automação e plataformas, sem revisar sua estrutura de tomada de decisão e seus indicadores de desempenho, criam uma camada tecnológica sobre uma base gerencial frágil. O resultado é inevitável: subutilização, resistência interna e retorno abaixo do projetado”, explica Alvaro.
Para o CEO, o Dia da Indústria de 2026 é uma oportunidade de reflexão coletiva, onde a celebração deve ser um convite à autocrítica sobre os processos internos que ainda limitam o pleno aproveitamento desse avanço.
“Enquanto o setor debate robótica, inteligência artificial e fábricas autônomas, é a gestão das pessoas e dos processos que determina se essas tecnologias vão, de fato, transformar resultados, ou apenas modernizar a aparência de práticas antigas”, conclui o especialista.
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