Nesta quinta-feira, 11 de dezembro, por volta das 9h30, funcionários da Enel solicitaram propina para realizar um reparo por falta de energia elétrica em um condomínio em Diadema (SP), atendendo a um chamado previamente aberto.

Segundo relatos, os funcionários exigiram o pagamento de R$ 1.000 para fazer o reparo, deixando claro que o serviço só seria executado caso o valor fosse transferido de maneira informal.
A cobrança foi interpretada como ‘pedido de vantagem indevida’.
Relatos da equipe e dos moradores
Silvio Paladino, síndico do condomínio, foi o responsável pelo chamado. Ao tratar do problema com a equipe, foi surpreendido após pedirem, a princípio, a quantia de R$ 300, que depois subiu para R$ 1.000.
Em relato, explicou: “Um deles falou: ‘A gente pode até ligar, mas é mil reais’. Falaram que resolveriam o problema em cinco minutos”, explicou Silvio, que respondeu: “A gente não tem como pagar, porque isso é um serviço da Enel”.
O síndico chegou a explicar que o condomínio estava sem luz há mais de um dia devido às consequências dos ventos fortes que correram pelo estado na última quarta-feira, 10.
Segundo o relato do zelador do condomínio, também foi dito que, se a propina não fosse paga, o problema só seria resolvido de duas a seis horas após a chegada da equipe no local.
Silvio e os zeladores afirmaram que não pagariam pelo serviço de reparo, que é gratuito, uma vez que a população já paga pelas contas de luz. Assim, a equipe foi embora sem realizar o reparo.
“Falou: ‘Olha, se não pagar, a gente vai embora e não vai ligar [a energia]. Vamos encerrar o seu chamado e você abre outro para outra equipe vir’. E assim eles fizeram”, relatou o síndico.
Síndico foi ameaçado
Silvio comunicou aos funcionários da empresa de energia elétrica que registraria um boletim de ocorrência sobre o ocorrido junto aos zeladores usando os dados da placa do veículo da Enel.
Quando receberam a informação, ameaçaram o síndico. “Disseram que sabiam onde ele trabalhava e sabiam onde encontrar a gente [zeladores]”, relatou outro zelador presente no local.
Caso já ocorreu anteriormente
Essa não é a primeira vez que funcionários da Enel pedem “caixinha” para a realização de serviços. Em 2024, conforme mostra uma reportagem do Brasil Urgente, a mesma situação aconteceu em um condomínio em São Bernardo do Campo, também na Grande São Paulo.
A propina havia sido solicitada para ajustar a luz mais rapidamente — ou seja, o mesmo caso retratado. O valor cobrado foi de R$ 600.
Desesperados pela falta de energia, os moradores acabaram pagando e o serviço foi feito. “Pagar e depois denunciar”, disse um.

