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Cultura e entretenimento

Violência contra a mulher: O que podemos mudar na educação dos homens para redução de casos?

Rita Moraes
Rita Moraes
Publicado 10 de abril de 2026
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Agir na prevenção sobre o tema pode se tornar uma das medidas mais eficazes

 

O que podemos mudar na educação dos homens em relação ao aumento de casos de violência contra a mulher no Brasil? Para isso, discutir o que pode estar sendo feito e com medidas a médio e longo prazo envolvendo a justiça, a educação e políticas públicas se torna uma alternativa interessante. Por exemplo, aumentar a pena para casos de violência contra a mulher não necessariamente conseguirá reduzir os índices de ocorrência e pode causar o aumento da população carcerária no país, seguindo a teoria do Garantismo Penal, de Luigi Ferraioli. Nesse caso, agir na prevenção é um dos métodos mais eficazes para conseguir solucionar esse problema.

 

 

Sobre o tema, o advogado Renan Alcantara, mestre em Políticas Sociais e Cidadania e monitor da Clínica de Apoio Contra a Violência à Mulher (Clavim), analisa algumas ações que podem contribuir nesse processo de transformação social. “Com crianças e adolescentes, o trabalho na educação escolar deve ser relacionado ao tratamento do homem para com a mulher e também de combater o machismo contribuindo na formação de um cidadão melhor. Na fase adulta, buscar métodos mais efetivos de socialização” destaca o advogado e autor do livro “A Anatomia da Violência”, lançado em dezembro de 2025, que investiga as ações de masculinidade tóxica e quais os meios para o combate à violência contra a mulher.

 

No País, foram registrados 1.492 feminicídios e 3.870 tentativas de feminicídios em 2024, segundo o último Anuário Brasileiro de Segurança Pública (2025). Um aumento de 0,7% e de 19%, respectivamente, em comparação ao ano anterior. Ainda de acordo com o relatório, registrou-se 87.545 casos de estupros, que corresponde ao maior número da história. Outro dado preocupante é que 65% das ocorrências de violência contra a mulher acontecem em ambiente familiar.

O cenário da violência doméstica e familiar na Bahia é acompanhado de perto pela desembargadora Nágila Maria Sales Brito, presidente da Coordenadoria da Mulher do Tribunal de Justiça do Estado (TJBA). Em 2025 foram registrados 31.302 pedidos de medidas protetivas de urgência e 30.163 foram deferidos. Ainda de acordo com o TJBA, nos dois primeiros meses deste ano, 6.024 pedidos já haviam sido deferidos, o que representa uma procura crescente por proteção judicial. “O enfrentamento à violência contra a mulher não depende apenas da atuação da justiça, e investir na educação e na mudança de comportamento é fundamental, especialmente entre os homens, para que possamos construir uma sociedade mais justa e igualitária”, analisa a desembargadora.

*A Anatomia da Violência*

O livro “A Anatomia da Violência: O Ciclo Vicioso da Masculinidade Tóxica e o Caminho da Transformação” é o primeiro escrito por Renan Alcantara e mostra os desafios em relação à temática sobre a violência de gênero no Brasil. Fruto da pesquisa do mestrado em Políticas Sociais e Cidadania, da Universidade Católica de Salvador (UCSal), a ideia da obra vem a partir de uma inquietação do autor desde a época da faculdade, onde atendeu diversos casos de violência doméstica, e do trabalho como monitor da Clínica de Apoio Contra a Violência à Mulher (Clavim), atividade de extensão da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e que atende gratuitamente vítimas de tentativas de feminicídio. O material traz uma análise do cenário a partir dos dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública (2025) e do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA).

*Renan Alcantara*

O escritor e advogado Renan Alcantara é nascido em São Paulo, radicado na Bahia, e trabalha no setor jurídico há 10 anos. Formado em Direito pela Universidade Católica de Salvador (UCSal), é mestre em Políticas Sociais e Cidadania, especialista em Ciências Criminais e em Direito Constitucional Aplicado e pós-graduando em Medicina Legal e Perícias Criminais. Também é pesquisador do Grupo de Pesquisa em Polícia e Segurança Pública na Bahia. Na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) – Secção Bahia – atua na Defensoria do Tribunal de Ética e Disciplina como advogado dativo e membro da Comissão Especial de Ciências Criminais.

*Mais informações*:

Livro: “A Anatomia da Violência: O Ciclo Vicioso da Masculinidade Tóxica e o Caminho da Transformação”, de Renan Alcantara

Pontos de Venda: Site da Editora Dialética (Livro Físico) e principais plataformas digitais, como Amazon, Google Play, Mercado Livre e Apple Book (Livro Digital)

Instagram: @renanalcantara.adv

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