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O geólogo e pesquisador Dr. Marcell Leonard Besser, acompanhado do geólogo Msc. André Luis Spisila, ambos do Serviço Geológico do Brasil (SGB), encontraram durante trabalhos de campo rochas do tipo piroclásticas, o que possibilitou interpretar a existência de um vulcão formado por erupções explosivas. O local recebeu o nome de Vulcão Tapalam.
As rochas piroclásticas encontradas, chamadas de tufos, e resultantes de erupções explosivas, estavam em uma mina em Marilândia do Sul, no Paraná.
Compostas por cinza vulcânica de composição basáltica, se formaram a partir da pulverização da lava e posterior solidificação da mesma em partículas de vidro vulcânico, evidenciando a intensidade dos jatos de lava do vulcão Tapalam.
A área faz parte da maior província vulcânica do Brasil, e da América do Sul como um todo, chamada de Província Magmática Paraná-Etendeka, que tem 134 milhões de anos e se estende pelo Centro-Sul do Brasil (RS, PR, SC, SP, MG, MS, MT, MG e GO), nordeste da Argentina, leste do Paraguai e Uruguai, e tem uma porção na Namíbia, na África. Isso acontece porque o vulcanismo foi grande e vasto e se formou antes da separação entre América do Sul e África.
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Esta província vulcânica é formada por milhares de derrames de lava muito extensos e de formato tabular, o que configura à paisagem um relevo em degraus. Esses derrames foram gerados por erupções vulcânicas efusivas e mais calmas, como rios de lava incandescentes. O diferencial do vulcão Tapalam é que ele produziu erupções explosivas com depósitos de cinzas vulcânicas.
De acordo com Marcell, a descoberta – única até agora – contribui para uma compreensão mais aprofundada da geologia desta enorme província vulcânica e de seu passado remoto. Além disso, revela a existência de jatos de lava ainda mais expressivos que os vistos na Islândia na erupção do dia 18 de dezembro de 2023 e que chegaram a 200 m de altura.
Os jatos ou fontes de lava do vulcão Tapalam provavelmente ultrapassaram 1 km de altura. “As rochas geradas pelo vulcão permanecem como testemunhas desses eventos ancestrais. No entanto, as pesquisas continuam para entender mais sobre a natureza do vulcão, sua forma, taxas de efusão das lavas e a datação precisa de sua formação”, informou.
Rocha encontrada em mineradora em Marilândia do Sul, no Paraná – Foto: Marcell Leonard Besser
Apesar de um passado vulcânico vibrante, não há risco do vulcão entrar em atividade, segundo o pesquisador. O Brasil possui diversas regiões vulcânicas, desde épocas muito remotas até o vulcão mais recente do país, na Ilha da Trindade, com menos de 200 mil anos.
Besser também ressalta que, além de desvendar os mistérios geológicos do Brasil, o estudo contribui para a compreensão das grandes províncias magmáticas da história da Terra, as chamadas LIPs (da sigla em inglês Large Igneous Provinces – ou Grandes Províncias Ígneas). O estudo dessas LIPs é muito importante porque os eventos vulcânicos que ocorreram nessas áreas foram responsáveis por direcionar a evolução da vida no planeta, contribuindo inclusive para eventos de extinção em massa.
Pesquisadores estão agora envolvidos na busca por respostas, explorando como eventos vulcânicos passados alteraram o clima e como futuras erupções podem ter efeitos semelhantes.
Fonte valiosa de recursos
No contexto nacional, o conhecimento geológico não é apenas uma busca científica, mas também uma fonte valiosa de recursos. “A mina onde foram encontradas as rochas vulcânicas destina-se à exploração de brita, algo essencial na construção civil para erguer casas, prédios, escolas, entre outros. Esse é um exemplo prático da importância do mapeamento geológico e do entendimento da geologia, pois fornece informações cruciais sobre a localização de minérios, água potável subterrânea e outros recursos essenciais, muitos deles essenciais para a transição energética”, explica Marcell.
Com a descoberta, novas perguntas surgem e a pesquisa continua. Entre as elucidações a serem buscadas, conforme o geólogo, está o formato do vulcão e se existiam outros do tipo na região.
“Nós vamos dar continuidade a essa pesquisa para entender um pouco melhor o formato desse vulcão e provavelmente tentar encontrar outros, porque, se tinha esse, então existem muitos outros que ainda não foram encontrados”, destaca o pesquisador.
Pesquisa desenvolvida ao longo dos últimos quatro anos, seus resultados (disponíveis aqui) foram publicados na revista científica “Bulletin of Volcanology”, a mais antiga da área de vulcanologia, desde 1922, e uma das mais conceituadas na área.

