
O ex-diretor da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Robson Cândido foi preso na manhã deste sábado, 4, sob suspeita de ter usado a estrutura da polícia (viaturas, celulares e carros oficiais – para fins particulares e ilícitos. Ele deixou a corporação no mês passado, acusado de violência doméstica. A prisão foi cumprida pelo Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT), que também cumpre mandados de busca e apreensão.
Perseguia a ex-esposa
De acordo com os promotores, os alvos da operação interceptaram as ligações telefônicas da ex-esposa de Robson Cândido para vigiar e perseguir a vítima, monitorando a localização dela em tempo real, o que configura os crimes de stalking e violência psicológica, previsto na Lei Maria da Penha.
Além da esposa, o ex-diretor-geral também foi denunciado pela ex-amante, que relatou perseguições e ameaças.
Segundo informações obtidas pela TV Globo, que teve acesso a depoimentos das vítimas e de uma testemunha, a esposa do delegado relatou problemas no casamento desde 2014, devido à infidelidade de Robson. Ela relata que no dia 1º de outubro, após mais uma briga, o casal decidiu se separar definitivamente e o ex-delegado teria se exaltado e ameaçado a mulher ao dizer “vou te ferrar de verde e amarelo”.
Perseguia a ex-amante
Já a ex-amante relata que Robson foi o responsável por conseguir o atual emprego dela, e ameaçava prejudicá-la no trabalho usando da influência que tinha devido ao cargo que ocupava na polícia. A vítima relata que era amedrontada e perseguida por Robson, que a seguia a todos os locais que frequentava e sempre demonstrava saber onde ela estava e o que fazia. A jovem trabalha como assessora especial do Metrô do DF, uma função comissionada com salário bruto de R$13 mil.
Ela disse em depoimento que “recentemente, após pouco mais de um mês sem ceder às tentativas insistentes de contato de Robson, foi surpreendida com a notícia de que seria exonerada do cargo” e comentou com colegas sobre a suspeita de que ele estaria por trás daquela situação. Contudo, o cargo dela foi restituído antes que a exoneração fosse formalizada por meio de publicação no Diário Oficial.
A oferta de cargos à amante foi confirmada por uma testemunha. A pessoa em questão alega que antes da jovem ser empregada no metrô, Robson agiu no intuito de conseguir para ela um alto cargo na Companhia Imobiliária de Brasília – Terracap. Ele teria dito que havia vários inquéritos instaurados contra servidores da Terracap e que, “para segurar esses inquéritos”, exigiria um emprego para ela.
Atirou na cama
No depoimento, a testemunha também falou sobre o casamento de Robson, alegando ter sido procurado por uma amiga da esposa dele, que estava com medo e afirmou que a vítima corria risco de morte, pois ele teria chegado a fazer um disparo de arma de fogo contra a cama do casal com a intenção de intimidá-la.

