Colecionador de histórias e peças adquiridas ao longo de anos e repletas de
valor afetivo, Ricardo Stambowsky constituiu um repertório próprio, que
revela agora numa faceta até então conhecida apenas pelos mais íntimos em
seu círculo de amizades. “Encontros Improváveis” apresentará ao público
colagens inéditas, sob curadoria da amiga de longa data Vanda Klabin.
Inaugura no dia 22 de julho, na Galeria Patricia Costa, em curta temporada.

Notório em sua trajetória como cerimonialista, Ricardo sempre cultivou uma
relação íntima com a imagem, inclusive em incursões pelas artes plásticas:
frequentou as aulas de Ivan Serpa no MAM e de modelo vivo com Waldir
Damásio. A veia artística, enfim, se manifestou. Inicialmente produzidas
para presentear amigos próximos, suas colagens nasceram de maneira
espontânea, sem pretensões expositivas. Com o passar do tempo, entretanto, o
exercício contínuo de recortar, deslocar e recombinar elementos revelou uma
linguagem autoral marcada pela liberdade associativa e pela construção de
narrativas visuais inesperadas.

Nas obras reunidas para a mostra, elementos aparentemente desconexos
encontram-se em composições surpreendentes. O resultado são imagens que
transitam entre memória, poesia e imaginário, propondo ao espectador
múltiplas possibilidades de leitura.

“Trabalho bastante com revistas francesas e inglesas antigas, de 30, 40
anos atrás. Costumava comprar publicações semanalmente, algumas sobre
aristocracia, outras de interiores. Incialmente vou retirando e faço vídeos
antes mesmo de montar um recorte. Escolho uma imagem principal que me atraia
mais e vou completando com outras que podem ter relação ou não, mas na
maioria das vezes dentro de coisas que eu gosto. Podem ser escolhidas pela
cor, pela forma, e vou criando o imaginário. Os nomes nascem depois que as
ideias se organizam: Luz do Tempo, La Dona, Majestade, O Cometa, La
Reina, O Rubi, Nijinski… Posso ficar elaborando uma composição até tarde
para concluir, mesmo de madrugada. É uma atividade inteiramente prazerosa
para mim”, diz Ricardo Stambowsky.
Os 25 trabalhos apresentados em caixa acrílica, de pequeno e médio formato,
partem do encontro entre universos distintos, como numa bricolagem. Figuras
humanas dividem espaço com referências arquitetônicas, símbolos da cultura
visual e imagens extraídas de diferentes contextos históricos, com algumas
referências à monarquia. Ao serem retirados de seus significados originais e
inseridos em novos contextos, esses fragmentos passam a habitar territórios
poéticos, onde o acaso e a imaginação desempenham papel fundamental.
Para Vanda Klabin, o conjunto evidencia uma produção que escapa a
classificações rígidas. “Ricardo Stambowsky parte de um novo vocabulário
estético que orienta e determina as suas escolhas pessoais e também irão
compor as suas infinitas colagens. Instaura uma dinâmica de formas e cores,
um verdadeiro mosaico de elementos que estão presentes no seu imaginário.
Recortar e colar passou a ser um procedimento integrado ao seu cotidiano, ao
transformar fragmentos heterogêneos, encontrados em antigas revistas, agora
recortados, sobrepostos ou justapostos em uma cartolina tripla, até serem
transformados em uma totalidade unitária, criando uma nova iconografia.
Existe um tempo de idílio com a imagem recortada, como um objeto de desejo
que remetem a lembranças familiares, que vão se alinhar novamente dentro de
uma ordem imprevisível ou em desordem com a sua trajetória lógica, pois
adquirem uma nova identidade”, afirma a curadora e historiadora.
Ricardo Stambowsky é carioca e tem 78 anos. Por parte de pai, neto de
russos que emigraram para Salvador durante a revolução bolchevique. A mãe
era pernambucana de família da aristocracia canavieira. Formado em Direito
pela Faculdade Brasileira de Ciências Jurídicas e em Jornalismo pela
Faculdade da Cidade, é casado há 53 anos com Sueli Pittigliani. Como
advogado trabalhou na companhia construtora da família e como jornalista em
diversas revistas, jornais e programas de televisão. Nos anos 80, teve em
Juiz de Fora uma danceteria de muito sucesso. Porém, as Artes Plásticas
sempre fizeram parte de sua trajetória. Frequentou as aulas do Ivan Serpa no
MAM e de modelo vivo com Waldir Damásio. Cerimonialista e organizador de
festas e eventos há 40 anos, a veia artística falou mais forte e agora se
dedica com paixão a montar colagens utilizando recortes de revistas antigas
que colecionou ao longo da vida.
Serviço
“Encontros Improváveis” – Ricardo Stambowsky apresenta série de colagens
autorais
Curadoria: Vanda Klabin
Abertura: dia 22 de julho, das 17h às 20h
Visitação: até 1º de agosto de 2026
Funcionamento: de segunda a sexta, das 11h às 19h; aos sábados, das 11h às
17h

