Com apenas uma postagem na rede social, a cantora Anitta perdeu mais de 200 mil seguidores em apenas 3 horas após a publicação. O conteúdo é uma série de fotos das gravações de seu novo clipe, que foi produzido em um terreiro de candomblé. Os comentários registrados na postagem demonstram o motivo da perda de fãs: a intolerância religiosa, um problema que afeta cada vez mais os brasileiros.
De acordo com levantamento do Disque 100, em 2023 houve um aumento de 64,5% de denúncias sobre este assunto em comparação ao ano anterior. Os números de violações por intolerância religiosa são ainda maiores, registrando um aumento de 80,7% no ano passado em relação a 2022.
O problema social que a cantora enfrentou com sua publicação está presente no dia a dia de muitos brasileiros e também é propagado dentro das organizações, o que, além de intimidar, exclui e intimida pessoas colaboradoras do convívio e pertencimento conforme explica Renata Torres, especialista em diversidade e inclusão e cofundadora da consultoria Div.A – Diversidade Agora!.
“A diversidade religiosa é uma riqueza cultural que deveria ser valorizada, mas muitas vezes é vista como motivo de divisão. Dentro das empresas, essa intolerância pode se manifestar de várias formas, desde comentários desrespeitosos até a discriminação na hora da contratação ou promoção. Isso cria um ambiente de trabalho hostil, onde os funcionários não se sentem respeitados e valorizados por suas crenças”, comenta.
Também especialista em diversidade e inclusão, Kaká Rodrigues, cofundadora da Div.A, argumenta sobre a importância da tolerância às religiões para a própria organização. “A intolerância religiosa no ambiente corporativo limita a diversidade de pensamento e experiência, que são fundamentais para a inovação e o crescimento. Portanto, é essencial que as organizações promovam a tolerância e o respeito à diversidade religiosa, criando um ambiente de trabalho inclusivo e acolhedor para todas as pessoas”, conclui.

