A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria, nesta segunda-feira (24), pela manutenção da prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A publicação do voto do ministro Cristiano Zanin, acompanhando o relator, formou maioria para a decisão, posteriormente, Carmen Lúcia confirmou a maioria.
O primeiro a publicar o voto foi do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, que destacou a confissão do réu sobre tentativa de inutilizar a tornozeleira eletrônica. Flávio Dino também acompanhou o parecer para manter prisão.
Votam sobre a manutenção ou não da prisão preventiva os ministros da Primeira Turma, composta por Flávio Dino, presidente do colegiado, Alexandre de Moraes, relator do caso, Cristiano Zanin, e a ministra Cármen Lúcia. Luiz Fux, que pediu para deixar a Primeira Turma, não participa da apreciação.
A decisão foi unânime para que o ex-presidente siga preso indefinitivamente na Superintendência da PF em Brasília. A decisão foi alcançada com os votos de Moraes, Dino e Zanin. Com o voto de Cármen Lúcia, o placar ficou em 4×0 pela manutenção da prisão.
Em sua análise da decisão proferida no último sábado (22), Alexandre de Moraes considerou novos fatos a partir da audiência de custódia de Bolsonaro, realizada neste domingo (23). Segundo ele, a Polícia Judiciária identificou que a vigília convocada para o sábado nas proximidades de onde o ex-presidente cumpria prisão domiciliar poderiam inviabilizar o cumprimento de eventuais medidas em caso de fuga.
O relator também destacou que, durante a audiência de custódia, Bolsonaro novamente confessou que “inutilizou a tornozeleira eletrônica com cometimento de falta grave, ostensivo descumprimento da medida cautelar e patente desrespeito à Justiça”.
No domingo, durante a audiência de custódia na Superintendência da PF, Bolsonaro afirmou que teve um “surto” e uma “paranoia” causada pelos remédios que está tomando. Ele teria acreditado que a tornozeleira estaria com uma escuta. Laudo médico apresentado pela defesa do ex-presidente indica que seu quadro de saúde exige que ele fique em prisão domiciliar.
Destaque sobre a vigília
O texto com o parecer do voto do ministro apontou a incitação à multidão nas redes sociais do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em local próximo à residência de Bolsonaro “com a finalidade de obstruir a fiscalização das medidas cautelares e da prisão domiciliar pela Polícia Federal e pela Polícia Polícia Penal do Distrito Federal”.
O ministro Alexandre de Moraes afirma que a convocação de apoiadores para a suposta “vigília” pela saúde de Jair Bolsonaro, na verdade, repete o modo de atuação que ele atribui à organização criminosa liderada pelo ex-presidente: o uso de manifestações para fins pessoais e para pressionar o cumprimento de decisões judiciais.

