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Morre em Salvador homeopata Dra Maria Amélia Soares da Cunha

Faleceu hoje, em Salvador, a médica homeopata baiana Dra. Maria Amélia Soares da Cunha, filha do Dr. Alfredo Soares da Cunha, precursor da Homeopatia na Bahia. Seguindo as orientações deixadas pelo seu pai, Maria Amélia fez um trabalho importante no estado, tendo expandido sua farmácia para os bairros do Canela, Barra,  além da sede, localizada no Centro de Salvador. Em 2o10, Dra Maria Améli foi homenageada no X Congresso Brasileiro de Homeopatia em Odontologia, realizado em Recife.

Ela seguiu em sua carreira a ideia de que a Homeopatia trata da verdadeira forma de curar e, por isso, há um sentido missionário facilmente encontrado nos relatos de homeopatas de diversos períodos da divulgação e disseminação dessa arte de cura, como pode ser visto no trecho do Hino da Homeopatia destacado:  “Já compadecido O céu nos ouvia, E dignou-se em fim Remédio mandar. Inspirou a Hahnemann A homeopatia, Para todos os males De todo acabar”. Com um discurso quase religioso, a homeopatia ganhou a feição de uma verdade que precisa ser expandida para todos os lugares e pessoas, convertendo antigos adeptos da alopatia a práticos e praticantes de suas formulações sobre doença e cura. Era membro da Sociedade Baiana de Homeopatia e da Associação Médica Homeopática Brasileira, que lhe prestou homenagem nas redes sociais (ver foto).

 

O pai Alfredo Soares da Cunha

Alfredo Soares da Cunha, um homeopata que enfrentou diversas problemáticas para que pudesse atuar como praticante da arte de curar hahnemanniana. A singularidade desta trajetória permitiu analisar diversas facetas do contexto na qual ela se inseriu. Assim, foi possível estabelecer os caminhos que a homeopatia tomou na Bahia até o aparecimento do personagem central desta pesquisa; levantar as discussões acerca da prática homeopática; investigar a conjuntura político-sanitarista do estado e as ações públicas frente à medicina popular e às práticas de cura não autorizadas; averiguar as incoerências do conjunto normativo, em que coadunavam legislações que pareciam se contradizer entre si e que podiam ser interpretadas de formas conflitantes. Através, portanto, das polêmicas travadas em torno deste indivíduo, que figuram em diversas fontes, é possível estabelecer mudanças na escala de análise que permitem compreender as transformações e processos históricos ocorridos dentro desse recorte de prática homeopática de Alfredo Soares da Cunha. Lançou o livro intitulado Charlatães de Beca ou A Ilusão do Ensino Médico.

Farmácia Soares da Cunha é história da Homeopatia na Bahia

Estantes e prateleiras de madeira, piso de ladrilho hidráulico e frasquinhos espalhados pelo ambiente dão uma atmosfera retrô à farmárcia que fica na Rua Ruy Barbosa. Vizinha de sebos, antiquários e da Rua Chile, a Soares da Cunha é mesmo antiga e carregada de memórias. Sua história começa em 1918, mas foi em 1931 que a farmácia ganhou o endereço onde a gente conhece hoje.

Fundada pelo médico Alfredo Soares da Cunha, o lugar virou até locação para o filme Dona Flor e Seus Dois Maridos (no trailer dá pra ver uma cena na farmárcia!), de Bruno Barreto. Na ficção, o marido careta de Dona Flor, Teobaldo, trabalhava na antiga farmácia. Mas história de filme mesmo é a do próprio fundador. Ainda jovem, Alfredo ficou viúvo e com oito filhos. Era um comerciante bem sucedido e curioso quando o assunto era homeopatia. Esse interesse foi despertado por velhos livros do pai sobre a homeopatia. No meio dos estudos, decidiu cursar medicina e foi para o Rio de Janeiro.

Com isso, vendeu todas as as lojas e abriu um consultório. Já com diploma de médico e de volta a Salvador, começou a viver uma história de sucesso, curando os mais desenganados dos pacientes com a homeopatia. Mas, como nem tudo são flores, Dr. Alfredo passou a sofrer ameaças e denúncias da Faculdade de Medicina, que alegava que ele era um charlatão. O médico chegou a ser preso por conta de uma ordem que alegava práticas ilegais da medicina. Recorreu a muitos advogados da época, mas nenhum quis defender seu caso. Sem alternativa, redigiu ele mesmo sua defesa.

Mas foi por conta de um juiz, amigo do governador da época,  J.J. Seabra, que o caso tomou novo fôlego. Doente e desenganado por todos os médicos, a última opção do juiz foi recorrer ao prisioneiro. A Faculdade de Medicina concordou, acreditando que com o enfermo sem chance de recuperação, Alfredo Soares da Cunha abandonaria de vez essa história de homeopatia e medicina.

Esperto, o médico pediu que todos assinassem um documento alegando que o juiz estava desenganado e não teria cura, pelo menos, não com alopatia. O resto da história já dá para imaginar, certo? Sim, o juíz não só ficou curado rapidamente, como o governador passou a defender com unhas e dentes o médico homeopata. Aos poucos, Alfredo Soares da Cunha enfrentou preconceitos e foi ganhando notoriedade em Salvador. Entre irmãos e filhos, o grupo que segue a medicina homeopática fielmente virou um dos mais tradicionais da cidade.

Hoje a Soares da Cunha é uma rede e funciona ainda na Barra, Pituba, Canela e Imbuí, como farmácia e loja de produtos homeopáticos. Quem comanda o grupo já há alguns anos é a neta de Alfredo Soares da Cunha, a médica Maria Amélia, que atende seus pacientes no segundo andar da antiga casa. Sem placa ou qualquer sinalização, é na casa número um da Rua Ruy Barbosa que funciona desde sempre a farmácia pioneira em homeopatia.

O médico Alfredo Soares da Cunha foi um fiel discípulo do fundador da doutrina homeopática no mundo, Samuel Hahnemann. Hoje, produtos variados também são vendidos na rede como o Vapor Nasal de Souci, que é um descongestionante nasal, a Loção de Thuya, um hidratante que ajuda a eliminar manchas da pele, e a Loção de Calêndula, que alivia queimaduras de sol e assaduras de criança.

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POR: Rita Moraes
Publicado em 15/05/2020