FILMADO NO BRASIL, LOS DÍAS LIBRES, DE LUCILA MARIANI, TERÁ ESTREIA MUNDIAL NO CONCORSO CINEASTI DEL PRESENTE EM LOCARNO |
Esta ópera-prima produzida em quatro países e protagonizada por Laura Paredes e Antonia Robolini narra a história de Bego, uma menina de 12 anos que tenta encontrar uma saída através de seus sonhos diante de uma economia em colapso. |
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Los días libres, o primeiro longa-metragem da roteirista e diretora argentina Lucila Mariani, terá sua estreia mundial em 7 de agosto no Concorso Cineasti del Presente do 79º Festival de Cinema de Locarno. Em um futuro próximo, durante um verão de férias intermináveis e diante da iminente chegada de um eclipse solar, Bego, de 12 anos, luta para encontrar seu lugar na família e entre as garotas de sua idade. Enquanto a lua “eclipsa” animais e pessoas ao seu redor, Bego conhece REN__, uma amiga virtual, e através dela descobre o “shifting”, uma prática na qual adolescentes acreditam poder acessar outras realidades por meio de sonhos lúcidos. Realizado em coprodução com as empresas brasileiras Persona Non Grata e Vulcana Cinema, as filmagens ocorreram entre Buenos Aires e Porto Alegre, onde a equipe argentina esteve gravando por três semanas em janeiro deste ano. Los días libres é um coming of age com tons de realismo mágico e ficção científica, que explora a infância, a imaginação e a atração do mundo digital, deixando que o estranho se infiltre pelas margens. O mundo adulto — uma mãe que perde o emprego, um pai que trabalha à noite para um aplicativo de transporte — chega a Bego apenas em fragmentos, através de conversas ouvidas por acaso. À medida que o eclipse se aproxima, as pessoas ao seu redor começam a entrar em um transe que o filme denomina “estar eclipsados”, e torna-se impossível discernir se é o céu que provoca isso ou se é ela mesma. Filmado com um registro inquietante e contido, influenciado por Pulse, de Kiyoshi Kurosawa, e pela recente onda do terror independente americano, sem jamais abandonar o registro de um verão comum na vida de uma criança. “Esta é minha carta de amor à internet, àquela internet que não existe mais, onde fiz amigos em salas de bate-papo, pirateei músicas e filmes, e descobri quem eu era na minha adolescência. Especialmente no Sul Global, é um portal para coisas que, de outra forma, seriam inacessíveis. Sinto-me afortunada por ter realizado um filme tão experimental e livre na Argentina atual, onde é quase impossível fazer cinema hoje em dia, e isso não teria sido possível sem nossos coprodutores no México e no Brasil. É um filme que explora a intimidade e, com sorte, convida as pessoas a buscarem uma nova espiritualidade, a buscarem esperança e mudança em um mundo que frequentemente nos diz o contrário. Espero que este filme se torne um refúgio para os desajustados que, como eu, ainda acreditam nos sonhos.” O elenco é encabeçado por Antonia Robolini como Bego, com Laura Paredes (Trenque Lauquen, Argentina, 1985, Los Delincuentes), e a participação dos atores brasileiros Luiza Quinteiro e Guillermo Berthold. Victoria Pereda (El Auge del Humano 3, Hijo Mayor) assina a direção de fotografia, combinando imagens de celular, webcam e câmeras de segurança com longos planos de observação. A montagem é de Maximiliano Passarelli, o som de Gaspar Schauer e a trilha sonora de Punto y Pacífico (incluindo também duas canções de ODD MAMI e Lisa Scha). Os curtas-metragens de Mariani foram exibidos no IFFR, no New Directors/New Films do MoMA e no Film at Lincoln Center, bem como no Pardi di Domani em Locarno. Los días libres foi desenvolvido através do La Fabrique Cinéma em Cannes, EAVE Puentes, da Academia de Cineastas de Locarno e do Foro de Coproducción de San Sebastián, onde recebeu o Prêmio ArteKino. “Contribuir com a produção de “Los días libres” ao viabilizar em nossa cidade (Porto Alegre) as gravações da obra foi muito importante para fortalecer os laços com nossos vizinhos latino americanos, numa história que poderia tranquilamente se passar com uma jovem brasileira. A troca entre os técnicos brasileiros e argentinos foi muito orgânica, pois também já vivenciamos muitas crises econômicas e nos entendemos muito bem. Lucila foi extremamente generosa com todos, abraçando as diferenças culturais e seus desafios. Estamos felizes com essa parceria.“. |
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