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Redes sociais sob ataque. Artigo do jornalista Alex Ferraz

Não resta dúvida que existe uma enxurrada de baboseiras circulando nas redes sociais. Mero reflexo da enxurrada de baboseiras que pululam nas mentes modestas da grande maioria da população mundial, sistematicamente alienadas pelos pequenos mas poderosos grupos que fogem do debate esclarecido como o diabo foge da cruz.
 
Porém, há um outro lado nessa história. Ironicamente, as mesmas redes sociais que veiculam tanta besteira têm servido, de forma inédita na história, para disseminar debates sérios sobre a realidade política e social, como é o caso do Brasil.
 
A troca de ideias, mesmo que no bojo estejam pensamentos reacionários (aliás, todos devem ter o direito de dizer o que pensam), multiplica-se em velocidade estonteante e a partir dos protestos nas ruas brasileiras em 2013 pegou de surpresa os retrógrados políticos nacionais.
Agora, refeitos do susto e conscientes do potencial das redes, os poderes começam uma reação que, no frigir dos ovos, visa a cercear a livre expressão do pensamento através de uma mídia aparentemente incontrolável.
 
Digo APARENTEMENTE porque é sabido que algumas ditaduras disfarçadas como China e Rússia conseguem censurar as redes, mantendo batalhões de espiões virtuais em ação.
 
No Brasil, que (ainda) vive uma democracia, o processo tem avançado de forma subliminar. Uma das técnicas é a tentativa de desmoralizar as próprias redes, com o discurso de que não merecem crédito. Este comportamento, aliás, aguçou-se com a constatação da enorme força das redes no processo da greve dos caminhoneiros, inclusive anulando lideranças sindicais.
 
Outro fator que tem feito políticos tremeram nas bases, literalmente, em relação às redes sociais, é a campanha eleitoral. Estão com pavor das chamadas “fake news”, notícias falsas que, no caso brasileiro, muitas vezes se confundem com a realidade nada “fake” do mar de lama nacional.
 
Por enquanto, parecem apenas bravatas as ameaças de autoridades como o ministro Luiz Fux, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que já declarou ter apoio da Polícia Federal e do judiciário para combater as “fake news”.
 
No entanto, está mesmo sendo montada uma força-tarefa para este combate. O grande perigo é que, sob o pretexto de combater “fake news”, possa estar sendo montado um grande esquema visando, na verdade, coagir usuários e mesmo administradores das próprias redes sociais a fim de constranger a veiculação, isto sim, de “true news”, ou seja, notícias verdadeiras que levem a todos a triste realidade nacional.
 
É preciso muito cuidado quando governos se arvoram a arbitrar o diálogo da sociedade. Muito cuidado…
 
Artigo do jornalista Alex Ferraz.
POR: Rita Moraes
Publicado em 06/06/2018