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Mídia impressa mantém vícios na internet. Artigo do jornalista Alex Ferraz

Quando estive por quatro meses em visita a grandes jornais norte-americanos, em 1986, os computadores já substituíam as máquinas de escrever nas redações.
 
No entanto, praticamente ainda não existiam as edições eletrônicas de jornais.
 
Portanto, o jornal impresso, como o então recém lançado  USA Today, ostentava números portentosos em suas tiragens.
 
O “Tenessean”,  em Nashville, por exemplo, imprimia 750 mil exemplares na edição matutina e também 750 mil na versão vespertina.
 
O “Los Angeles Times” era outro gigante, com cerca de 1, 6 milhão num única edição.  E por aí afora.
Aqui no Brasil os números dos grandes jornais também eram respeitáveis até o surgimento da edições eletrônicas. A Folha de S. Paulo chegou a passar do milhão de exemplares diários 
 
Mas veio a mídia eletrônica e, de forma inexorável,  os leitores foram migrando para os sites dos jornais. Hoje, quando não é mais necessário estar sentado na frente de um computador cheio de CPU, mouse, teclado e tela grande para acessar instantaneamente a rede, pois TODOS podem fazer isso com iphones, tablets etc., a edição impressa dos jornais praticamente foi esquecida, até porque para ser lida ao ar livre significa uma luta com o vento, mestre em transformar um exemplar de jornal num monte de folhas que insistem em bater no seu rosto ou decolar como pipas descontroladas.
 
Aqui, uma digressão: lembro que costumava fazer uma brincadeira com colegas da imprensa que consistia no desafio para ver quem conseguiria ler tranquilamente a edição de domingo do Estadão sentado em um dos bancos públicos do Farol da Barra.
 
Mas voltemos ao fio da meada.
 
Pois bem. Atualmente, todos os jornais têm suas edições eletrônicas. No entanto, na maioria dos casos tais edições continuam sendo quase uma cópia da edição impressa, principalmente no que diz respeito à atualização das manchetes.
 
Visito, inclusive por força da profissão, todos os sites dos maiores jornais do Brasil e noto que eles mantêm por horas a fio (nos fins de semana e feriados até por um dia inteiro) as mesmas notícias.
 
Ora, admite -se que artigos diversos tenham longa vida na internet. No entanto, a notícia não para. Nada deixa de acontecer como fato extraordinário em nenhum momento, seja domingo, feriado ou uma madrugada qualquer.
Mas os sites dos jornais insistem em congelar suas manchetes, totalmente na contramão da velocidade cada vez maior da informação, característica crucial da internet.
 
Assim, ficamos com a  impressão (sem trocadilho) de que a internet mostra praticamente aquela edição impressa e tem quase a mesma longa vida do impresso, ou seja, 24 horas.
 
Não sei se falta estrutura para agilizar a mídia eletrônica dos jornais. Confesso que, tecnicamente, desconheço em detalhes esse processo editorial eletrônico. Porém, tenho certeza do que vejo: uma longa  e anacrônica  demora para atualizar manchetes. Fatos não faltam.
POR: Rita Moraes
Publicado em 13/06/2018