Ministério Público da Bahia apura suspeitas de corrupção, fraude em licitações e lavagem de dinheiro; prejuízo estimado aos cofres públicos chega a R$ 38 milhões e grupo atuava há cerca de 10 anos
A Justiça da Bahia determinou o afastamento do secretário municipal de Articulação Comunitária e Prefeituras-Bairrode Salvador, Luciano Sandes, e do vereador George Carlos Reis Pereira, conhecido como Gordinho da Favela (PP), de seus respectivos cargos.

O afastamento ocorreu em meio à investigação que apura a atuação de uma suposta organização criminosa envolvendo contratos da prefeitura da capital baiana. A decisão foi cumprida nesta segunda-feira, 13 de julho, durante uma operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público da Bahia (MP-BA).

Prejuizo aos cofres da cidade de R$ 38,3 milhões (foto da sede da prefeitura de Salvador)
Segundo a investigação, o grupo é suspeito de fraudar licitações, direcionar contratos públicos, superfaturar pagamentos, desviar recursos e ocultar a movimentação do dinheiro. O prejuízo estimado aos cofres municipais é de R$ 38,3 milhões.
Segundo o documento judicial, ao determinar o afastamento de Luciano Sandes, foi considerado que a permanência dele no cargo poderia comprometer o andamento das investigações, já que o secretário teria poder para autorizar despesas, ordenar pagamentos e influenciar procedimentos administrativos.

Vereador Gordinho da Favela (PP)
Vereador diz que vai colaborar com as investigações
No comunicado para a imprensa, o político afirma que ainda não teve acesso aos autos do inquérito, reforça que provará a legalidade de suas ações e reitera sua confiança na Justiça. “Coloco-me à inteira disposição do Ministério Público e das demais autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários, sempre que regularmente solicitado, colaborando com as investigações”.
Esquema com empresas laranjas
Foram identificados vários imóveis em condomínios de alto padrão, onde funcionam as empresas instaladas em um dos centros empresariais mais luxuosos de Salvador e a estrutura que, segundo o MP, teria sido usada para ocultar os verdadeiros responsáveis pelo grupo.
Um dos pontos que chama atenção é a concentração de empresas ligadas ao caso no Salvador Shopping, na Avenida Tancredo Neves. Salas comerciais no centro empresarial eram utilizadas por diferentes empresas citadas na investigação, entre elas G3 Polaris, MP2 Construções, LN Distribuidora e WLSP Logística.
Outro endereço que aparece nos autos é o Condomínio Hemisphere 360, em Pituaçu, um dos empreendimentos residenciais mais valorizados da orla de Salvador. Além disso, mandados de busca foram cumpridos em imóveis localizados em bairros considerados nobres, como Barra, Pituba e Stella Maris.
GRUPO USAVA “LARANJAS”
O Ministério Público da Bahia (MP-BA) também aponta que os supostos líderes do esquema utilizariam terceiros para figurar formalmente como responsáveis por empresas ligadas ao grupo. Outro aspecto destacado na decisão envolve servidores públicos.
Conforme os autos, um fiscal de contratos é suspeito de receber R$ 118,5 mil para atestar a execução de serviços que, segundo a investigação, não teriam sido realizados. A apuração também cita a presidente de uma comissão de licitação, que teria recebido depósitos bancários relacionados aos operadores do esquema.
Ao todo, a Justiça autorizou buscas em 20 endereços, incluindo residências, empresas e salas comerciais. Os mandados permitiram a apreensão de documentos físicos, computadores, celulares, dispositivos de armazenamento e valores em dinheiro acima de R$ 10 mil, além do acesso a mensagens e registros eletrônicos considerados relevantes para o andamento das investigações.
O Secretário Luciano sandes não se manifestou sobre o caso.

