Evento recebeu mais de 40 investidores estrangeiros, conectou 45 fundos ao capital internacional e promoveu mais de 250 reuniões de negócios em São Paulo
Capital, inovação e oportunidades de negócios estiveram no centro do Corporate Venture in Brasil 2026, que reuniu mais de 700 participantes em São Paulo e reforçou a conexão entre o ecossistema brasileiro de inovação e alguns dos principais investidores corporativos do mundo. Realizado pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e pela Global Corporate Venturing (GCV), o encontro recebeu mais de 40 investidores estrangeiros de diferentes nacionalidades e promoveu mais de 250 reuniões de negócios com a participação de 45 fundos.

Realizado nos dias 15 e 16 de setembro, no WTC Events Center, o Corporate Venture in Brasil reuniu corporações, fundos de venture capital e Corporate Venture Capital (CVC), startups e especialistas para discutir tendências globais, apresentar oportunidades brasileiras e aproximar investidores internacionais de empresas e fundos do país. A programação contou com painéis, pitches, mesas-redondas, workshops, reuniões individuais e atividades de networking.

A iniciativa faz parte de uma atuação construída ao longo de mais de uma década pela ApexBrasil para fortalecer o ecossistema brasileiro de capital de risco e inovação. Nesse período, a Agência ampliou sua atuação da internacionalização da indústria de venture capital e private equity para áreas como startups, deep techs, biotecnologia, negócios de impacto e desenvolvimento tecnológico.

Os debates ocorreram em um momento de retomada do Corporate Venture Capital no país. Dados de uma nova pesquisa da Elo Group, que analisou o período entre julho de 2025 e junho de 2026, apontam crescimento de 23% no número de acordos envolvendo grupos de CVC e avanço de 73% no volume total investido pelas corporações.
O levantamento identificou 141 acordos envolvendo investimentos no Brasil, dos quais 41 tiveram participação de corporações internacionais. No período analisado, aproximadamente US$ 2 bilhões foram investidos no mercado brasileiro de venture capital, sendo cerca de US$ 640 milhões em operações com participação de investidores corporativos. Os números também evidenciam o peso crescente dessa modalidade dentro do ecossistema nacional: um em cada cinco investimentos de venture capital realizados no Brasil nos últimos 12 meses contou com a participação de uma corporate.

Na abertura do evento, a diretora de Negócios da ApexBrasil, Maria Paula Velloso, destacou o papel estratégico que o investimento corporativo passou a desempenhar diante das transformações tecnológicas globais.
“O Corporate Venture Capital deixou de ser apenas uma ferramenta complementar de inovação. Tornou-se um instrumento estratégico para que grandes empresas antecipem tendências, acelerem transformações tecnológicas e desenvolvam novos negócios. Além de um mercado robusto, temos talentos reconhecidos internacionalmente, uma geração de empreendedores inovadores e oportunidades em setores diversos como agronegócio, energia, mineração, saúde, mobilidade e tecnologia. O papel da ApexBrasil é conectar essas oportunidades ao capital, ao conhecimento e às parcerias internacionais capazes de acelerar o desenvolvimento”, afirmou.
Ao longo da trajetória do Corporate Venture in Brasil, mais de US$ 800 milhões em investimentos foram atraídos e mais de 1.300 reuniões de negócios foram viabilizadas entre investidores internacionais e o ecossistema brasileiro. Para James Mawson, CEO da Global Corporate Venturing, a edição de 2026 também demonstrou o crescimento da projeção internacional do ecossistema brasileiro. “Tivemos uma delegação recorde de investidores de Corporate Venture Capital e pudemos ver as interações entre investidores e as empresas brasileiras para fazer a mudança acontecer no Brasil. Vimos o país tomar seu lugar merecido no sistema econômico global e fazer com que a inovação encontre o capital. Tenho alta expectativa em relação ao evento do ano que vem porque ApexBrasil e Global Corporate Venture podem contribuir juntos para tornar o mundo um lugar melhor”, afirmou.
Da inteligência artificial ao agronegócio: agenda debate futuro do CVC
A programação principal percorreu temas que estão transformando as estratégias de investimento e inovação das grandes corporações. O primeiro dia começou com um painel sobre tendências e experiências internacionais em Corporate Venture Capital, reunindo representantes da Global Corporate Venturing, Saison Capital, Toronto Stock Exchange e TSX Venture Exchange, Kamay Ventures e China Merchants Bank International.
Ao longo do encontro, as discussões abordaram estratégias para programas de CVC, parcerias entre fundos de venture capital e investidores corporativos, mineração e inovação, inteligência artificial, pesquisa e desenvolvimento e indicadores para avaliar o desempenho das unidades de Corporate Venture Capital. O agronegócio também ganhou espaço em painel dedicado ao papel dos CVCs na transformação do setor, com representantes da ADM Ventures, Colorado Ventures, Minerva Foods e Embrapa.
Entre os destaques estiveram ainda as participações de Guilherme Horn, responsável pelo WhatsApp em mercados estratégicos como Brasil, Índia e Indonésia, e Brandon Wang, vice-presidente do Corporate Strategy Group da Synopsys, que discutiu perspectivas para a inteligência artificial física. A agenda reuniu ainda nomes de organizações como 3M Ventures, Eurofarma, Vibra Energia, Vale Ventures, Scania, Natura, Vivo Ventures, Banco do Brasil, Monashees, Headline e Vox Capital.
O evento trouxe discussões sobre diferentes tendências que estão transformando o mercado. Entre elas, a inteligência artificial e seu papel no crescimento e na expansão dos negócios. Guilherme Horn, do WhatsApp, descreveu como a empresa tem apoiado os empresários com novas tecnologias. “Lançamos um agente para empresas, tanto grandes quanto pequenas. Já temos mais um milhão de empresas usando e ajuda muito os pequenos empreendedores a manterem seu negócio rodando mesmo quando estão ausentes. Os negócios passam a ser 24/7 e isso representa uma grande evolução”, explicou.
As sessões de pitches deram espaço para empresas brasileiras apresentarem soluções diretamente a investidores, enquanto as mesas de discussão em formato participativo trataram de temas como acesso a oportunidades de investimento por meio de parques tecnológicos e universidades, biotecnologia, diferentes modelos de corporate venturing e a relação entre CVCs e empreendedores.
A programação contou também com atividades paralelas. Uma delas foi a China Roundtable, dedicada a aproximar os ecossistemas de inovação e investimentos dos dois países. A sessão reuniu representantes da ApexBrasil e de organizações como CMB International, Neolix, Zilia, Wanjie Data, Lianlian Pay/DFX Labs e Gan & Lee Pharmaceuticals para apresentar características dos ambientes de inovação brasileiro e chinês e estimular novas conexões.
Antes da programação principal, a quinta edição do Women in Venture, realizada em 14 de setembro, reuniu lideranças femininas de corporate venture, venture capital e inovação para discutir inteligência artificial e decisões de investimento, relações entre fundadoras, investidoras e corporações, startups lideradas por mulheres e participação feminina em conselhos empresariais.
Conexões para transformar oportunidades em investimentos
Além dos debates sobre tendências e estratégias, o Corporate Venture in Brasil teve como um dos principais focos transformar o interesse internacional pelo mercado brasileiro em conexões concretas. Entre os investidores internacionais esteve a Innventure, fundo de venture capital especializado em agri/food tech, que anunciou no evento sua estratégia de investimentos no país. Com um fundo de US$ 30 milhões voltado a 30 empresas, a organização prevê destinar 40% dos recursos ao Brasil.
“Somos um fundo de venture capital especializado em agri/food tech que surgiu na Argentina, mas que opera pela segunda vez no Brasil. Para nós, é muito importante estar aqui para procurar parcerias e fundos nos quais possamos investir. É um fundo de US$ 30 milhões para investir em 30 empresas, com 40% sendo alocados no Brasil. O principal diferencial é ter uma rede de 60 mil produtores e 14 mil hectares e representação em toda a cadeia agroalimentar. É muito útil para nós poder fazer conexões em um evento como o Corporate Venture in Brasil”, destacou Mayco Mansilla, cofundador da Innventure.
A presença internacional integra uma estratégia mais ampla do Corporate Venture in Brasil. Por meio da parceria entre ApexBrasil e GCV, investidores estrangeiros têm acesso a agendas de matchmaking com fundos, corporações e startups brasileiras, além de reuniões estruturadas de acordo com suas teses e interesses de investimento. A dimensão internacional também foi ressaltada na abertura da edição de 2026, que contou com representantes de corporações e investidores da América do Norte, Europa, Ásia e América Latina.
Corporate Venture in Brasil Awards reconhece destaques do ecossistema
O encerramento da programação também contou com o Corporate Venture in Brasil Awards 2026, que reconheceu operações e investidores que se destacaram no mercado. Na categoria Maior Investimento, a Minerva Foods foi reconhecida pela participação em uma rodada de investimento de US$ 55 milhões. A Prosus Ventures recebeu o reconhecimento de CVC internacional mais ativo, com sete acordos, enquanto a Vivo Ventures foi reconhecida como CVC nacional mais ativo, com nove acordos. Os resultados encerraram uma edição marcada pela ampliação das conexões entre investidores internacionais e o ecossistema brasileiro e pelo fortalecimento do Corporate Venture Capital como instrumento para aproximar inovação, estratégia empresarial e capital. Ao conectar empresas brasileiras a investidores.

