Clara Pandolfo, pioneira da ciência na Amazônia, ganha livro em ano da COP30
Em ano marcado pela realização da COP30 em Belém, a história de uma cientista paraense ganha novos contornos e relevância. O livro “Clara Pandolfo, uma cientista da Amazônia”, lançado pelo jornalista e historiador Murilo Fiuza de Melo, resgata a trajetória de sua avó, considerada a primeira mulher a se formar em química na região Norte e uma das pioneiras do país. Visionária, Clara defendia desde os anos 1930 a importância da preservação ambiental aliada ao desenvolvimento econômico — ideias que hoje pautam discussões globais sobre o futuro da Amazônia.
“Clara enfrentou diversas barreiras impostas às mulheres e que perduram até hoje, mas conseguiu deixar um relevante legado de vida pública”, afirma o autor, que também é neto da pesquisadora.

A cientista esteve à frente de debates fundamentais sobre sustentabilidade em uma época em que o tema sequer fazia parte da agenda nacional. Foi uma das primeiras vozes a propor o manejo florestal sustentável e, já em 1972, sugeriu o uso de satélites para monitorar o desmatamento da Amazônia — prática que só seria consolidada décadas depois.
Inspiradora também no campo social, Clara Pandolfo integrou o movimento feminista na década de 1930, defendendo o voto da mulher e a ampliação da participação feminina na vida pública. Sua formação precoce, aos 17 anos, na então Escola de Chimica Industrial do Pará, marcou uma ruptura em espaços acadêmicos dominados por homens.
O livro faz parte de um projeto maior, que inclui minidocumentário, site e um ciclo de palestras em escolas e universidades do Pará. Com patrocínio da Vale e apoio do Instituto YUDQS, a iniciativa distribuiu exemplares impressos em bibliotecas e escolas públicas, além de disponibilizar gratuitamente a versão digital e em audiobook.
Para o autor, a publicação tem uma função que vai além da memória: “O projeto ‘Clara Pandolfo, uma cientista da Amazônia’ tem o papel de fomentar debates e registrar que a ciência pode e deve ser produzida na Amazônia e por mulheres. Clara Pandolfo é um ponto de prova que serve para motivar e inspirar novas gerações de estudantes na busca pelo conhecimento”, destaca Murilo.
A valorização da trajetória de Clara Pandolfo, em pleno ano da COP30, reforça a necessidade de olhar para o passado para entender os desafios do futuro. Suas ideias, que unem ciência, meio ambiente e igualdade de gênero, dialogam diretamente com os temas que estarão no centro da conferência mundial sobre o clima.

