A ofensiva do governo Lula contra as bets passou a ocupar lugar de destaque nas redes sociais e ganhou contornos eleitorais, segundo levantamento inédito da Palver. O monitoramento analisou mensagens publicadas entre 16 e 23 de setembro e identificou ampla maioria favorável à proibição das apostas online entre os conteúdos com posição definida.
De acordo com o estudo, 77% das mensagens classificadas no período apoiavam o fim das bets. O pico da mobilização ocorreu em 20 de setembro, quando o índice de apoio chegou a 92%. Naquele momento, a pauta passou a ser associada diretamente ao presidente Lula e a outras bandeiras de sua campanha, com slogans como “Bora, Lula! Contra as bets!”.
O levantamento aponta que, no auge da discussão, a narrativa pró-Lula representava 26% da conversa classificada. A leitura da Palver é que a pauta deixou de ser apenas um debate sobre regulação econômica e saúde pública para se transformar também em instrumento de mobilização política nas redes.
A discussão sobre as bets ganhou força em meio à pressão por medidas mais duras contra o setor, que se expandiu rapidamente no Brasil nos últimos anos. O tema passou a mobilizar tanto preocupações com endividamento e vício em apostas quanto disputas políticas sobre quem deve ser responsabilizado pela consolidação desse mercado.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou na quarta-feira, 23 de setembro, que pretende acabar com as bets e que os clubes de futebol precisarão encontrar outras formas de financiamento.
Ao rebater a pressão de dirigentes contrários a restrições ao setor, Lula disse que a medida é uma decisão do governo e não uma disputa com o futebol: “Essa não é uma guerra, é uma decisão”.
“A minha preocupação é que hoje tem uma parte da juventude atrelada aos algoritmos. E se a gente não fizer essa luta, os algoritmos vão ganhar. Eu não tenho nenhum problema em dizer. Eu terei o imenso prazer de acabar com as bets”. “Em nome da boa política, em nome da sociedade brasileira que a gente vai acabar com isso e os times que aprendam a viver sem lavagem de dinheiro. É isso. Vai ser assim. E isso vai ser bom para a juventude”, prosseguiu Lula. A declaração foi dada durante um ato de campanha no Rio de Janeiro com artistas.
O presidente se reuniu com ministros de seu governo para discutir medidas para restrição das bets. Estavam presentes os ministros Dario Durigan, da Fazenda, Miriam Belchior, da Casa Civil, Bruno Moretti, do Orçamento e Planejamento, Wellignton César, da Justiça e Segurança Pública, Sidônio Palmeira, da Secretaria de Comnicação, e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.
Segundo integrantes do governo que participaram da reunião no Palácio da Alvorada mais cedo, o encontro não foi conclusivo.
O presidente já decidiu que quer fazer o anúncio sobre o fim das bets, mas há uma divisão na equipe entre uma proibição total das apostas ou uma medida de impacto superficial, como vetar publicidades e proibir cassinos virtuais, como o “Jogo do Tigrinho”.
O desenho que está sendo feito é que a mudança seja anunciada por meio de Medida Provisória. Órgãos do Executivo já estão organizando ações internamente partindo do pressuposto de que a MP será publicada a qualquer momento.
O debate dentro do governo sobre o fim das bets já ocorre há algumas semanas. Nos últimos dias os ministros têm intensificado reuniões para chegar a um consenso sobre o tema e evitar que haja questões jurídicas após a decisão tomada.
Por outro lado, o governo também sofre pressão dos clubes e federações do país. No fim da semana passada, os clubes divulgaram um manifesto conjunto em que alertam sobre o “fim do futebol brasileiro” se a ação for levada à frente.
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Clubes são contra as restrições às bets
Na semana passada, alguns dos principais clubes de futebol do país defenderam o mercado regulado de apostas no Brasil. O documento é uma reação à possibilidade de o Governo Federal publicar uma Medida Provisória que proibiria os jogos de cassino on-line.
A nota afirma que “o investimento das empresas de apostas autorizadas tornou-se uma das principais fontes de receita do esporte” e que esses “recursos também alcançam equipes de menor expressão, divisões de acesso e competições com menor exposição comercial”.
Há alguns anos, as bets se tornaram as principais parceiras publicitárias das equipes.

