A icônica frase de Miranda Priestly, personagem de Meryl Streep no filme “O Diabo veste Prada”, nunca soou tão real quanto agora. Aos 75 anos, Anna Wintour, a mulher que inspirou a chefe mais temida do cinema fashion, anunciou em junho deste ano, que está deixando um de seus cargos mais emblemáticos: o comando editorial da Vogue americana, após 37 anos moldando não só capas de revista, mas o próprio imaginário da moda mundial.

Apesar de continuar como diretora editorial global da Voguee diretora de conteúdo da Condé Nast, onde supervisiona títulos como Vanity Fair, GQ, Glamour e muitos outros, a decisão representa um movimento simbólico. Wintour está, aos poucos, se afastando da cadeira onde construiu uma lenda. Como uma Miranda que finalmente tira os saltos e solta o cabelo impecavelmente preso, a editora-chefe abre espaço para o próximo nome do (ainda não revelado) que terá a difícil missão de ocupar seus sapatos de grife.

Segundo o CEO da Condé Nast, Roger Lynch, a mudança faz sentido para que Wintour possa se concentrar em suas demais funções dentro da empresa, afinal, ela vem acumulando três cargos desde 2020. A informação sobre sua saída da Vogue americana foi confirmada nesta quinta-feira (26) pelos sites Daily Front Row, WWDe Business of Fashion.

Com um salário de pelo menos US$ 2 milhões por ano com a Vogue desde 2005, o seu cargo é um dos mais cobiçados do mundo da moda.
Wintour assumiu a Vogue em 1988 e transformou a publicação em um verdadeiro oráculo de tendências, estilo e poder. Foi ela quem elevou o Met Galã ao status de Super Bowl da moda, quem ousou colocar celebridades em capas antes dominadas por modelos, e quem soube, com disciplina glacial e visão estratégica, manter o trono em meio a transformações radicais no jornalismo e na cultura pop.
Nas redes sociais, o anúncio causou comoção. Muitos descrevem o momento como o “fim de uma era”, enquanto outros se perguntam: será possível existir Vogue sem Wintour? Como no filme que eternizou sua sombra de óculos escuros, sua presença continuará pairando, agora nos bastidores, enquanto uma nova voz tenta escrever o próximo capítulo de uma publicação que, por quase quatro décadas, teve apenas uma assinatura.
Quem poderia substituir Anna Wintour?
A questão do sucessor de Dame Anna é complexa. “Esta é uma era desafiadora para a mídia impressa”, explica o Dr. Strasdin. “As plataformas de mídia social da Vogue são frequentemente criticadas pelo conteúdo aparentemente implacável sobre celebridades, que os críticos denunciam como uma forma de diluir a missão da Vogue.”

Eva Chen
“Mas uma forte presença digital é vital. Eva Chen, como diretora de parcerias de moda do Instagram, traz essa expertise. Ela é presença constante no Met Gala há muito tempo e acho que precisa estar na lista de finalistas.”

Chioms Nnadi
” Chioma Nnadi também deve estar na disputa”, continua. “Ela vem de Londres e passou os últimos dois anos à frente do conteúdo editorial da Vogue britânica. Ela é a protegida de Wintour e parece que estava esperando nos bastidores.”

Amy Astley
Outros possíveis candidatos, de acordo com a editora de moda do jornal Daily Mail, Margaret Abrams incluem a ex-chefe da Teen Vogue Amy Astley , que ainda trabalha na Condé Nast editando outra revista.

Chloe Shama
A editora sênior da Vogue, Chloe Schama , sua homônima Chloe Malle, editora do site da Vogue, ou até mesmo a própria filha de Dame Anna, a produtora de cinema Bee Shaffer Carrozzini, também podem estar no cenário.

Choel Malle
“Como sempre, a moda é considerada superficial e economicamente valiosa”, diz o Dr. Strasdin.
“Anna Wintour teve que trilhar o caminho da manutenção da relevância em termos de estilo, ao mesmo tempo em que a moda teve que passar por uma reavaliação em relação à sustentabilidade, ao plágio e às condições de trabalho.
“Acredito que essas são preocupações muito reais que seu sucessor terá que enfrentar.”

Bee Shaffer Carrozzini e sua mãe Anne Wintour

