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Destaques

Aniversário da libertação de Auschwitz

Rita Moraes
Rita Moraes
Publicado 27 de janeiro de 2025
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Hoje. 27 de janeiro,  honramos a memória dos milhões de pessoas que sofreram e pereceram durante um dos capítulos mais sombrios da história da humanidade. Na comemoração de 80 anos da libertação do campo de concentração e extermínio de Auschwitz, recordamos a resiliência das pessoas que sobreviveram, a perda imensurável das que pereceram e as lições duradouras desta tragédia.

Para mais de 1,5 milhão de pessoas – a enorme maioria delas judias – o campo de Auschwitz marcou o último estágio de uma agonia indescritível. Uma lembrança desoladora das consequências devastadoras do ódio, do preconceito e da indiferença. Para o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), isso marca o maior fracasso de sua história, por não ter defendido e protegido os milhões de pessoas que foram sujeitas à perseguição e ao genocídio nazistas.

Ao refletirmos sobre este dia solene, renovamos o nosso compromisso de preservar a memória das vítimas e dos sobreviventes do Holocausto e de ser firmes na construção de um mundo no qual a dignidade e a humanidade de cada pessoa sejam não só reconhecidas, mas também defendidas com coragem – sem exceção, sem hesitação e sem concessão.

 


Reportagem dos Aliados

Uma reportagem filmada pelos aliados após a libertação da Europa mostra civis alemães sendo forçados a visitar os campos pelas tropas.

“Era apenas uma curta caminhada de qualquer cidade alemã até o campo de concentração mais próximo”, diz a voz americana.

O filme mostra alemães relaxados e elegantemente vestidos rindo e conversando enquanto caminham.

Eles passam por cadáveres, pilhas de homens e mulheres — que podem até ter sido seus vizinhos, colegas, amigos no passado. A câmera que havia capturado seus sorrisos relaxados antes de entrarem nos campos agora registra seu horror.

O choque está estampado em seus rostos. Alguns choram. Outros balançam a cabeça, cobrem o rosto com lenços e desviam o olhar.

A Europa do pós-guerra olhou para esse horror e reconheceu a profundidade do sofrimento. Mas como a Europa do pós-guerra tratou os perpetradores?

Quando falamos de matança industrializada, não queremos dizer apenas a escala dela, por mais vasta que fosse.

Também queremos dizer a sofisticação de sua organização: a divisão do trabalho, a alocação de tarefas especializadas, a eficiente mobilização de recursos, o planejamento meticuloso que era necessário para manter as rodas da máquina de matar girando.

Essas mesmas reportagens mostram guardas nazistas bem alimentados — homens e mulheres agora sob custódia dos aliados.

Qual foi a natureza do colapso moral que transformou esse horror em uma normalidade para os nazistas que comandavam esses campos — uma normalidade na qual o assassinato em massa se tornou, para eles, apenas um dia de trabalho?

Primo Levi 

Escritor e sobrevivente narrou a história 

O sobrevivente italiano, Primo Levi, escreveu É isto um homem?, suas memórias de Auschwitz imediatamente após a guerra. Ele era um dos poucos milhares que ainda estavam em Auschwitz quando as tropas soviéticas chegaram em 27 de janeiro de 1945.

A maioria dos prisioneiros foi forçada a marchar para o oeste, em direção à Alemanha, no inverno congelante.

Já enfraquecidos pelas condições do campo de concentração, muitos morreram no caminho no que veio a ser conhecido como Marchas da Morte.

Levi estava muito doente e as tropas soviéticas o encontraram perto da morte na enfermaria do campo.

Hoje, É isto um homem? é considerado uma obra-prima de testemunho de sobreviventes e uma das memórias mais importantes de toda a era. Mas em 1947, Primo Levi teve dificuldade em encontrar uma editora, mesmo em sua Itália natal.

Finalmente, uma pequena editora independente em Turim publicou a obra com uma tiragem de 2,5 mil. Foram vendidas 1,5 mil cópias e depois a obra desapareceu.

Para as editoras e para o público, ainda era muito cedo. Poucos, ao que parecia, queriam olhar para o Holocausto.

“Primo Levi não vendeu porque não era o momento certo e porque ele era um escritor muito bom para dar uma resposta heroica. Sua resposta é maior que o heroísmo”, diz Jay Winter, professor emérito de história na Universidade Yale. Muitos da família da mãe de Winter foram mortos no Holocausto.

Ele acrescenta: “Muitas pessoas transformaram Primo Levi em um santo, mas tudo o que você precisa fazer é ler o poema no começo de É isto um homem?para ver que ele não está perdoando ninguém — ele não está perdoando e não está esquecendo.”

“Houve um esforço de memorialização do Holocausto na década de 1950”, diz o professor David Feldman da Birkbeck University em Londres, “mas isso foi algo feito pelos próprios judeus, em pequenos grupos fragmentados.”

“Essas foram ocasiões de luto mais do que memorialização. A ideia que temos agora, de memorialização, de que de alguma forma há lições a serem tiradas do Holocausto, não era comum naquela época”.

De acordo com Winter, “os países que estavam se reconstruindo… precisavam de um mito de resistência, de conflito armado heróico contra os nazistas ou fascistas italianos”.

Esse mito de resistência “não tinha lugar para presos de campos de concentração”.

Líderes mundiais participarão do 80º aniversário da libertação de Auschwitz

Líderes mundiais estão na Polônia para marcar o Dia da Memória do Holocausto e o 80º aniversário da libertação do campo de concentração de Auschwitz-Birkenau da Alemanha nazista.

O monarca britânico, rei Charles, o chanceler alemão Olaf Scholz e o presidente francês Emmanuel Macron estão entre os participantes do evento, que começará em uma tenda erguida sobre o portão de entrada do antigo campo de extermínio.

Todos os sobreviventes restantes de Auschwitz estão convidados para as comemorações e podem trazer uma pessoa para apoio.

 

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