Projeto Brasil Sem Fronteiras, de apoio a refugiados e migrantes, realizado em parceria com a ACNUR desde 2018, será mantido, a partir deste mês, agora 100% financiado com recursos próprios da Organização
A Aldeias Infantis SOS,, organização global que lidera o maior movimento de cuidado do mundo, anunciou a obtenção de um aporte financeiro de cerca de € 2 milhões — mais de R$ 12,4 milhões — para garantir a continuidade do projeto Brasil Sem Fronteiras pelos próximos dois anos. O anúncio marca um novo capítulo na trajetória do projeto que, desde 2018 era desenvolvido pela Organização em parceria com a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e, agora, passa a ser 100% financiado pela Aldeias Infantis SOS.
Outra novidade é a expansão da atuação territorial do Brasil Sem Fronteiras. Atualmente, o acolhimento das famílias venezuelanas acontecia nas capitais São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ) e Brasília (DF) e, agora, chega a Manaus (AM), reconhecida como uma das principais portas de entrada de refugiados no país. A continuidade do projeto será viabilizada por um aporte inédito obtido junto à Children’s Village Worldwide (CVW), organização que integra a estrutura global da Aldeias Infantis SOS, presente em mais de 130 países.
Os recursos garantem a continuidade da iniciativa por mais dois anos, com a expectativa de beneficiar 960 pessoas, que irão receber apoio com moradia adequada, alimentação, acesso a serviços de saúde, incluindo vacinação, e as crianças, por sua vez, serão matriculadas no ensino regular.
Além disso, é oferecido suporte para regularização de documentos, validação de diplomas, renovação de vistos, aprendizado do idioma português e elaboração de currículos traduzidos, visando facilitar a integração no mercado de trabalho e garantir os direitos daqueles que deixaram seus países em busca de segurança e dignidade.
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A obtenção dos recursos foi celebrada em encontro realizado no escritório da ACNUR em Brasília (DF), com presença de Peter Fechner, membro da diretoria da CVW, representantes da diretoria da Aldeias Infantis SOS no Brasil e o representante da ACNUR no país, Davide Torzilli. A ACNUR seguirá responsável pelo encaminhamento das famílias acolhidas, reforçando o compromisso conjunto das duas organizações com a proteção e a integração de pessoas em situação de deslocamento forçado.
Além do Brasil, Peru e Colômbia, que também são rotas de migração para venezuelanos, receberão recursos da CVW, totalizando 6,2 milhões de euros para as três nações.
De acordo com Michéle Mansor, Gerente Nacional de Desenvolvimento Programático da Aldeias Infantis SOS no Brasil, a novidade consolida a evolução do projeto e abre espaço para ampliar o alcance das ações.
“A efetivação do Brasil Sem Fronteiras nos permite não só dar continuidade ao trabalho que estamos desenvolvendo desde 2018 no apoio e desenvolvimento das famílias venezuelanas migrantes no Brasil, mas também a ampliar e diversificar esse apoio, garantindo que mais famílias em situação de refúgio encontrem acolhimento, integração comunitária, acesso a direitos e apoio emocional.”
Segundo a porta-voz, a atuação regional integrada também deve fortalecer as ações de cuidado mantidas pela Organização. “A oportunidade de desenvolver o projeto com outras Associações Nacionais, de diferentes países, possibilitará uma aprendizagem enorme para todos nós, ampliando nossos resultados e alcance”, afirma.
Para a ACNUR, a continuidade da parceria representa a garantia de que famílias refugiadas poderão seguir recebendo apoio qualificado em um contexto global desafiador para a resposta humanitária. “A continuidade da parceria entre o ACNUR e Aldeias Infantis SOS Brasil reforça nosso compromisso conjunto com a proteção e o cuidado de crianças, adolescentes e famílias em situação de deslocamento forçado no Brasil. Este ano, de fato, foi muito difícil em razão dos cortes de investimento humanitário como um todo”, diz Davide Torzilli, representante do ACNUR no Brasil.
“Assim, unimos nossa experiência e capacidades para seguir oferecendo acolhimento digno, fortalecendo vínculos comunitários e criando oportunidades para a autossuficiência dessa população. Seguimos honrados em fortalecer os direitos às pessoas refugiadas”, conclui.
Dessa forma, o Brasil Sem Fronteiras entra em uma nova fase preservando o propósito que o originou: oferecer acolhimento seguro, oportunidades de integração e condições reais de autonomia para famílias que buscam proteção no Brasil. O financiamento inédito obtido pela Aldeias Infantis SOS assegura a sustentabilidade de longo prazo do projeto e renova o compromisso da Organização com a defesa dos direitos de crianças, adolescentes e famílias em situação de vulnerabilidade social.
Desde 2018, o Brasil Sem Fronteiras, já beneficiou mais de 5 mil pessoas em sete anos, sendo majoritariamente famílias venezuelanas e afegãs que deixaram seus países de origem em razão de crises, conflitos e perseguições, e encontraram no Brasil abrigo seguro e a oportunidade de recomeçar.
Sobre a Aldeias Infantis SOS
A Aldeias Infantis SOS é a maior organização não-governamental do mundo dedicada a apoiar crianças e jovens sem cuidados parentais ou em risco de perdê-los.
A negligência, o abuso e o abandono infantil estão presentes em toda parte. As famílias correm o risco de se separarem. Liderados localmente, a Aldeias Infantis SOS está presente em mais de 130 países e territórios, onde trabalha para fortalecer as famílias sob pressão, de modo a permitir que permaneçam unidas. Quando isso não for do interesse da criança ou do jovem, a Organização oferece cuidados de qualidade, de acordo com as suas necessidades específicas.
Em colaboração com parceiros, doadores, comunidades, crianças, jovens e famílias, a Aldeias Infantis SOS garante que as crianças cresçam com os laços de que necessitam para se desenvolverem e se tornarem a melhor versão de si mesmas. A Organização defende os direitos de cada criança e promove mudanças para que todas possam crescer num ambiente acolhedor.
Para saber mais: www.aldeiasinfantis.org.br

