Em um escândalo que une o universo das fofocas de famosos a uma campanha milionária e artificial contra o Banco Central, instituição invariavelmente acusada pela direita de ser “pró-governo”, um administrador das empresas do jornalista Leo Dias surge agora como o epicentro de um verdadeiro terremoto midiático. Thiago Miranda, dono de uma agência de publicidade e gestor de duas firmas do famoso apresentador e colunista de celebridades, supostamente aparece ligado de maneira direta à operação que contratou influenciadores para atacar a decisão do BC de liquidar o Banco Master, de Daniel Vorcaro.
O que se vendia como revolta espontânea nas redes, conforme a reportagem, na verdade, era uma milícia digital contratada para fabricar pressão contra uma medida técnica do BC, motivada por insolvência e indícios de ilegalidades no referido banco. Até políticos teriam sido procurados, como o vereador Rony Gabriel (PL-Erechim), que recusou a proposta, assim como o deputado Leonardo Siqueira (Novo-SP), que igualmente foi abordado. No entanto, no caso do parlamentar paulista, a reportagem do Estadão não deixa claro se ele aceitou ou não a proposta, limitando-se a dizer que, em caso positivo, o influencer político só poderia descobrir quem era o cliente após a assinatura do termo de confidencialidade, diz a matéria.
Nesta quinta-feira (8), o ministro Jhonatan de Jesus recuou da inspeção direta no BC e remeteu o tema ao plenário do TCU, que retorna do recesso apenas em 16 de janeiro. Já o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) pediu à PGR investigação por abuso de autoridade por parte do TCU.
O caso, até onde foi revelado, expõe o cinismo da extrema direita bolsonarista, envolvida nas relações perigosas com o Master até o pescoço, mas que em público faz o Banco Central, dirigido por Gabriel Galípolo, de perfil progressista e indicado pelo presidente Lula (PT), de bode expiatório, por supostamente “politizar” algo que, ao fim e ao cabo, foi fruto de uma decisão técnica. Agora, descobre-se que tal ofensiva ao BC era financiada, nos bastidores, por muito dinheiro e uma onda falsa de indignação para salvar interesses privados.
As informações são do Jornal O Estado de São Paulo.
Documentos e mensagens apresentados pela reportagem do Estadão revelariam que André Silva Salvador, responsável pelas abordagens, se apresentava como parceiro de Miranda, descrito como “sócio do grupo Leo Dias”. Registros da Junta Comercial de São Paulo, mostra a publicação, confirmam que Miranda gerencia a Leo Dias Comunicação e Jornalismo Ltda e outra empresa similar, além de já ter figurado como sócio formal de uma delas no ano passado. Embora o nome dele e o de Leo Dias tenham sido mencionados nas mensagens trocadas com os influenciadores, os contratos foram formalizados por meio da empresa pertencente ao próprio André Silva Salvador, chamada UNLTD.
Por meio desta firma de capital irrisório, a UNLTD, sediada no Distrito Federal, Salvador ofereceria contratos confidenciais com valores que poderiam atingir até R$ 2 milhões, dependendo do alcance dos perfis. O “projeto DV”, que seria uma clara alusão às iniciais de Daniel Vorcaro, incluía cláusula de sigilo com multa de R$ 800 mil por descumprimento, enquanto os posts pagos exploravam despachos do ministro Jhonatan de Jesus, do TCU, para supostamente semear dúvidas sobre eventuais irregularidades na liquidação do Master.

