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Saúde

Acordar durante a cirurgia? Tatuagem impede anestesia na coluna? Especialista esclarece 10 mitos e verdades sobre anestesia

Rita Moraes
Rita Moraes
Publicado 26 de agosto de 2026
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Medo de perder a memória, alergia, riscos da anestesia geral e possibilidade de ficar consciente durante uma cirurgia estão entre as principais dúvidas dos pacientes antes de um procedimento

 

 

A anestesia ainda é cercada de dúvidas e receios que podem aumentar a ansiedade de quem vai passar por uma cirurgia. Afinal, é possível acordar durante o procedimento? A anestesia pode causar perda de memória? Quem tem tatuagem na região lombar pode receber anestesia na coluna? E a anestesia geral é mesmo mais perigosa do que a raquidiana?

Para esclarecer essas questões, a Dra. Lucia Pereira Nascimento, anestesiologista do Centro Médico Elsimar Coutinho Day Hospital – CEPARH, explica dez dos principais mitos e verdades sobre o tema.

 

“A anestesia moderna é extremamente segura quando realizada por profissional habilitado, em ambiente adequado e com monitorização. A técnica é escolhida de forma individualizada, considerando as condições clínicas do paciente, medicamentos em uso, alergias, cirurgias anteriores e o tipo de procedimento”, explica.

1. É possível acordar durante a cirurgia?

Verdade, mas é muito raro.

A chamada consciência intraoperatória pode ocorrer durante a anestesia geral, fazendo com que o paciente se lembre de sons, vozes ou sensações. É mais associada a situações de emergência e procedimentos nos quais a quantidade de anestésico precisa ser limitada.

“É importante diferenciar anestesia geral de sedação. Na sedação, o paciente pode permanecer parcialmente consciente. Na anestesia geral, o objetivo é manter o paciente inconsciente, com monitoramento contínuo dos sinais vitais”, esclarece a especialista.

2. A anestesia faz perder a memória?

Verdade, geralmente de forma temporária.

Alguns medicamentos podem causar sonolência, confusão ou alterações temporárias de memória após a cirurgia. Isso não significa perda permanente. Idade, condições de saúde, tipo de cirurgia e medicamentos utilizados influenciam esse efeito.

“É comum ter dificuldade para lembrar de momentos próximos à cirurgia. Isso é diferente de perda definitiva de memória”, afirma a médica.

3. Existe alergia à anestesia?

Verdade.

Reações alérgicas aos medicamentos utilizados durante a anestesia podem acontecer, inclusive de forma grave, mas são raras. Por isso, o paciente deve informar alergias conhecidas e qualquer reação anterior a medicamentos ou anestesias.

“Mesmo que não saiba qual medicamento causou uma reação anterior, o paciente deve contar ao anestesiologista”, orienta.

4. Quem tem tatuagem pode fazer anestesia na coluna?

Verdade.

A tatuagem lombar, por si só, não impede a anestesia raquidiana ou outros bloqueios na região. Quando possível, o anestesiologista pode escolher uma área de pele sem pigmentação para realizar a punção.

“Ter tatuagem nas costas não significa que a pessoa não poderá receber anestesia na coluna. Avaliamos a localização, o aspecto da pele e as condições do paciente”, explica a Dra. Lucia.

5. A anestesia geral é mais perigosa que a raquidiana?

Mito.

Não existe uma técnica universalmente mais perigosa. A escolha depende do tipo de cirurgia, das condições clínicas do paciente e da relação entre riscos e benefícios.

“O que existe é a técnica mais adequada para determinado paciente e procedimento. Por isso, a avaliação pré-anestésica é fundamental”, ressalta a especialista.

6. A anestesia geral faz o paciente parar de respirar?

Verdade, em determinadas situações.

Alguns medicamentos utilizados na anestesia geral podem reduzir ou interromper temporariamente a respiração espontânea. Quando isso acontece, a equipe anestésica utiliza equipamentos para auxiliar a ventilação e monitora continuamente a oxigenação e os demais sinais vitais.

“O paciente não fica simplesmente ‘sem respirar’. Temos recursos para controlar e auxiliar a ventilação durante todo o procedimento”, explica.

7. É preciso informar todos os medicamentos usados?

Verdade.

Medicamentos de uso contínuo, suplementos, fitoterápicos e remédios usados eventualmente devem ser informados ao anestesiologista. Doenças preexistentes e experiências anteriores com anestesia também são importantes para o planejamento.

“Um medicamento que o paciente considera comum pode ser relevante para a anestesia. É fundamental fornecer essas informações com precisão”, destaca a médica.

8. É possível sentir dor durante a anestesia geral?

Mito, quando a anestesia é adequadamente conduzida.

O objetivo da anestesia geral é manter o paciente inconsciente e sem dor durante a cirurgia. A equipe monitora continuamente o paciente e ajusta os medicamentos conforme necessário.

Casos de consciência acidental são raros e não devem ser confundidos com a sedação, na qual algum grau de consciência pode ocorrer.

9. Anestesia na coluna deixa a pessoa paralítica?

Mito.

A raquianestesia bloqueia temporariamente a transmissão dos sinais nervosos, causando perda de sensibilidade e de movimento na região anestesiada. O efeito desaparece gradualmente à medida que o medicamento perde a ação.

“A sensação de não conseguir movimentar as pernas pode assustar, mas esse bloqueio é esperado e temporário. O movimento e a sensibilidade retornam gradualmente”, explica a especialista.

10. A anestesia é sempre igual para todos os pacientes?

Mito.

A anestesia é planejada individualmente, considerando idade, peso, doenças preexistentes, medicamentos, alergias, cirurgias anteriores e características do procedimento.

“Duas pessoas podem fazer a mesma cirurgia e receber planos anestésicos diferentes. O objetivo é encontrar a estratégia que ofereça o melhor equilíbrio entre segurança, conforto e eficácia para cada paciente”, finaliza a Dra. Lucia Pereira Nascimento.

Informação ajuda a reduzir o medo

Conversar com o anestesiologista antes da cirurgia é uma das principais formas de reduzir a ansiedade e esclarecer dúvidas.

“O paciente tem o direito de perguntar qual técnica será utilizada, por que foi escolhida, quais são os possíveis efeitos e o que será feito para garantir sua segurança. Uma boa conversa antes da cirurgia faz parte do cuidado anestésico”, conclui a Dra. Lucia.

Além de conduzir a anestesia, o anestesiologista também atua no controle da dor durante e após o procedimento. O planejamento da analgesia contribui para um despertar mais tranquilo, com menos dor e mais conforto nas primeiras horas de recuperação.

 

Sobre a médica

Dra. Lucia Pereira Nascimento é médica anestesiologista, associada à Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA) e à Sociedade de Anestesiologia do Estado da Bahia (SAEB). Atua como coordenadora do Grupo de Anestesiologia do Centro Médico Elsimar Coutinho Day Hospital – CEPARH e integra, como sócia, o Grupo de Anestesiologia do Hospital Cardiopulmonar, da Rede D’Or.

Com experiência na área de anestesiologia hospitalar, Dra. Lucia exerce papel de liderança na coordenação da assistência anestésica, contribuindo para a segurança e a qualidade do atendimento aos pacientes submetidos a procedimentos cirúrgicos.

 

Sobre o CEPARH

O Centro Médico Elsimar Coutinho Day Hospital (CEPARH) é uma instituição com mais de 40 anos de atuação dedicada à saúde integral da mulher e do homem, com destaque para Planejamento Familiar e saúde reprodutiva. Reconhecido nacional e internacionalmente, alia atendimento humanizado à excelência científica, desenvolvendo pesquisas em métodos contraceptivos, terapias hormonais e técnicas cirúrgicas minimamente invasivas.

Com estrutura moderna que inclui ambulatórios, laboratórios, centro cirúrgico e Day Hospital, o CEPARH oferece acompanhamento multidisciplinar, exames e procedimentos especializados, atendendo pacientes particulares e pessoas em situação de vulnerabilidade social. Sua missão é transformar vidas por meio da ciência, da inovação e do cuidado.

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