Entre 15 e 20 anos, esses jovens lideram iniciativas que fortalecem direitos, ampliam oportunidades e cuidam do planeta
A Ashoka, maior rede global de inovadores sociais, acaba de reconhecer uma nova turma de Jovens Transformadores no Brasil. São adolescentes e jovens entre 15 e 20 anos, de 10 estados do país, unidos por um mesmo propósito: transformar o mundo em um lugar mais justo, inclusivo e sustentável — e inspirar outras pessoas a perceberem a potência que carregam dentro de si.
Os Jovens Transformadores Ashoka estiveram no Rio de Janeiro e foram oficialmente anunciados no dia 13 de junho, durante o Festival LED (Luz na Educação). A apresentação foi conduzida pela atriz Ana Hikari, que também mediou uma sessão onde compartilharam suas causas, projetos e impactos sociais.
Nos quatro meses que antecederam o reconhecimento, os jovens passaram por um processo intenso de entrevistas com inovadores sociais do Brasil e do mundo. Essa jornada foi pensada para ampliar suas redes de apoio e consolidá-los como aliados na construção de um mundo onde todas as pessoas se reconheçam como agentes de transformação.
Antes da cerimônia no Festival LED, os jovens participaram de dois dias de imersão no Rio de Janeiro, apresentando como suas iniciativas oferecem soluções para os desafios vividos pelas juventudes em todo o país: acesso à educação de qualidade, saúde e bem-estar, inclusão, acessibilidade, cuidado com o meio ambiente e participação cidadã.
Foram reconhecidos como Jovens Transformadores aqueles que demonstraram, na prática, habilidades essenciais como empatia, trabalho em equipe, liderança compartilhada e iniciativa empreendedora — além de um compromisso claro com a construção de uma cultura onde todas as pessoas possam exercer sua agência de transformação.
“Cada uma dessas histórias revela o poder que os jovens têm de transformar o mundo à sua volta. Ao reconhecer esses protagonistas, queremos inspirar outros jovens — e também os adultos — a enxergarem que a mudança social começa com atitudes simples, sustentadas por empatia, colaboração, iniciativa e uma nova forma de liderar que mostra que todas as pessoas têm o direito a contribuir com o bem comum”, afirma Helena Singer, líder da Estratégia de Juventude da Ashoka.
Há mais de 40 anos, a Ashoka mostra que um pequeno grupo de pessoas, realmente engajado em organizar a coletividade, pode liderar grandes transformações sociais. A rede de Jovens Transformadores Ashoka também contribui com todos os que trabalham com educação e comunicam com as juventudes, ajudando a criar ambientes onde cada adolescente possa se reconhecer como protagonista e tenha a chance de resolver problemas reais em sua escola, bairro ou comunidade.
Histórias dos Jovens Transformadores do Rio Grande do Norte
Dois jovens do Rio Grande do Norte foram reconhecidos Jovens Transformadores. Ana Luisa Maia Silva, de 15 anos, se destaca como uma liderança jovem, preta e bissexual que está transformando o cenário educacional do seu estado. Moradora do bairro Nova Betânia, em Mossoró, e estudante do 1º ano do Ensino Médio, ela fundou o Instituto Potiguando, uma iniciativa construída com objetivo de diminuir as disparidades regionais em educação por meio de iniciativas como workshops temáticos, debates semanais, utilizando materiais gratuitos e simulações da ONU. Sua atuação transcendeu fronteiras regionais e já chegou em mais três países, destacando os talentos potiguares em espaços nacionais e internacionais. O projeto também prepara jovens para oportunidades acadêmicas e estimula a valorização da cultura regional, com planos futuros de lançar uma newsletter, uma competição de artes, e a criação de embaixadas do Instituto em diversas cidades do RN.
Já Esthefany Rillary Bezerra Soares, de 17 anos, desde muito jovem carrega uma identidade que a conecta profundamente com sua causa: ela é surda. Residente de Nova Mossoró e estudante do 3º ano do curso técnico em Informática no IFRN, sempre enfrentou barreiras para se comunicar com o mundo ao seu redor. Foi a partir da ausência de acessibilidade linguística durante o seu deslocamento no transporte público que ela criou um dispositivo para passageiros surdos, um protótipo de baixo custo com Arduino, posicionado em frente ao motorista, que se comunica com um aplicativo no celular da pessoa surda. Com esse sistema, o passageiro pode sinalizar sua necessidade diretamente ao motorista, eliminando a dependência de terceiros ou a frustração de não ser compreendido.
O impacto dessa iniciativa foi imediato e notável. A ideia é patentear o projeto e vendê-lo para empresas de transporte público, garantindo sua implementação nos ônibus de Mossoró e, futuramente, em outras cidades. “O projeto melhora a acessibilidade dos surdos e colabora para que deixem de ser invisíveis e sejam respeitados por sua capacidade de criar, propor e liderar mudanças”, diz Esthefany.

