
Foto – divulgação W20
Os desafios na construção de políticas públicas para valorização e ressignificação da economia do cuidado foram discutidos no terceiro encontro do W20 Brasil, que aconteceu nesta terça-feira, 14 de maio, em Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana do Recife.
Dezenas de mulheres estiveram no auditório da UNIFG para compartilhar experiências e fazer uma escuta acerca do cuidado. O tema da edição Nordeste soma-se a outros quatro em debate no ciclo Diálogo Nacional, do W20, grupo de engajamento do G20 focado em promover a equidade de gênero e o empoderamento econômico das mulheres. Empreendedorismo e combate à violência de gênero já foram pautados em outras duas rodadas, no Rio de Janeiro e em Brasília, respectivamente.
A vice-prefeita do Recife, Isabella de Roldão, esteve no evento e reafirmou o compromisso assinado pela Prefeitura Municipal de, até 2037, se tornar uma cidade não-sexista. Segundo ela, essa é uma forma de garantir que mulheres não continuem sendo sobrecarregadas ou impossibilitadas de se desenvolverem em outros aspectos da vida. “É sobre reconhecer papéis essenciais que nós exercemos e que não são remunerados, não contabilizam para a nossa aposentadoria e, principalmente, não são reconhecidos pela sociedade. E que, além disso, muitas vezes nos tiram de onde realmente gostaríamos de estar”, pautou.
Um estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulgado em 2023 mostrou que, no Brasil, mulheres gastam, em média, 25 horas semanais em afazeres domésticos e cuidados. Já os homens, demandam apenas 11 horas a estas mesmas atividades. O dado foi trazido por Tássia Ginciene, diretora de Relações Institucionais da Organon, empresa global em saúde feminina e patrocinadora oficial do W20. “Nesse cenário, que horas que a mulher vai realmente olhar para si e priorizar o que tem que fazer pela saúde dela?”, questiona a diretora.
Na programação, o painel “O cuidado como direito universal e motor do desenvolvimento sustentável” contou com as falas de Janny Welma, representante da Secretaria de Saúde do Recife; Neuza Tito, do Ministério das Mulheres; e Vanessa Sampaio, da ONU Mulheres Brasil, que deu, em sua fala, um panorama de como o tema está sendo visto num âmbito geral.
“A ONU Mulheres tem um compromisso, estabelecido em 2022, que coloca o cuidado como direito em 3 dimensões fundamentais: o direito a receber o cuidado, o direito a poder prover cuidado – e aqui estamos falando das trabalhadoras do cuidado sejam elas remuneradas ou não -, e o direito ao autocuidado”, explicou Vanessa.
O segundo painel, com o tema “As experiências de programas de cuidados”, foi dedicado ao compartilhamento de iniciativas que fortalecem esses direitos. O momento foi mediado por Kamila Camilo, delegada líder do tema justiça climática do W20, e contou com a presença Tássia Ginciene; Jordana de Jesus, representando a Poverty Action Lab (J-PAL); Luciana Nabarrete, da ENGIE Brasil; e Evelyn Lins, coordenadora de Saúde da Mulher da prefeitura do Recife.
“Queremos promover ciclos virtuosos em que as mulheres não passam por gravidez indesejada ou não têm uma adolescência interrompida por uma gravidez. Nossa maior ferramenta para isso é a educação e a conscientização não só da população, mas especialmente dos profissionais de saúde”, acrescentou a diretora Relações Institucionais da Organon. Em sua fala, Tássia ainda contou sobre o next: Relaunch, novo programa da farmaceutica. “Se uma mulher sai do trabalho por conta de uma gravidez ou por ter que cuidar de alguém, por exemplo, a gente prioriza ela por meio de alguma vaga de trabalho aberta na Organon e oportuniza essa volta ao mercado”.
O evento foi encerrado com um momento de escuta acerca dos painéis para que sejam tomados encaminhamentos. O ciclo de debates ainda vai passar pelas regiões Norte e Sul, com os temas justiça climática e participação de mulheres e meninas nas áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia. Todos os trabalhos do W20 Brasil serão sintetizados no Communiqué, documento que será entregue pela presidência do W20 Brasil à presidência brasileira do G20 durante o Summit internacional, em outubro.

