Antecipação de embarques e busca por novos mercados impulsionam faturamento, mas setor mantém cautela
O panetone brasileiro continua conquistando consumidores ao redor do mundo. De acordo com os dados mais recentes Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, e compilados pela Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos Industrializados(Abimapi), entre janeiro e julho de 2026, as exportações brasileiras de panetones alcançaram o faturamento de USD 6,7 milhões. O número representa uma alta de 42,6% em comparação com os USD 4,7 milhões registrados no mesmo período de 2025. Em termos de volume, o crescimento foi ainda mais robusto: o país embarcou 1,8 mil toneladas do produto, um salto de 63,6% frente a 1,1 mil tonelada no ano anterior.
A dinâmica das exportações de panetone do Brasil apresentou uma mudança significativa, com os embarques concentrando-se fortemente nos meses de junho e julho. Este movimento de antecipação foi provocado diretamente pelo “tarifaço” imposto pelos Estados Unidos. O impacto dessas taxas já havia começado a alterar o comportamento das exportadoras no ano anterior, em 2025, quando o pico das vendas se deslocou para agosto, mês em que as tarifas americanas entraram em vigor. Esse cenário atual rompe com o padrão histórico do setor: entre os anos de 2021 e 2024, o mercado era marcado por uma forte sazonalidade tradicional, na qual as exportações se concentravam em agosto e setembro, encerrando-se no início do ano seguinte.
Rodrigo Iglesias, Diretor Internacional Abimapi, explica que houve resiliência e rapidez de resposta frente ao cenário nos EUA, maior destino dos panetones brasileiros no mundo. “Diante da pressão de novas taxas alfandegárias, as empresas brasileiras adotaram planos de ação estratégicos com alta precisão para o desempenho fabril, antecipando os embarques de panetones. Isso garantiu que os produtos chegassem de forma competitiva aos estoques norte-americanos, abastecendo o mercado antes do início das campanhas de vendas. Porém, o cenário ainda é desafiador já que novos embarques devem ocorrer já sob as novas configurações tarifárias. Portanto, não acreditamos que ocorra um crescimento sustentável nesse patamar até o final do ano e conforme o período sazonal de embarques. O que exportamos para o país até julho deste ano, representa cerca de 35% do total esperado para exportações em todo o ciclo, se compararmos com 2025.”
A expectativa é que os panetones brasileiros continuem alcançando novos destinos e alcancem aumento de cerca de 5% nas exportações para o mundo em comparação ao ano de 2025.
EUA lideram
Apesar dos desafios, os Estados Unidos mantêm-se como o maior mercado comprador do panetone brasileiro. No acumulado de janeiro a julho de 2026, os embarques somaram USD 4,3 milhões, e 1,3 milhão de kg. Já no balanço de fechamento de 2025, os EUA sozinhos puxaram queda de 7,5%, se comparado ao ano de 2024. Além disso, houve redução da presença total, de 60% em 2024 para 55% dos embarques brasileiros para o exterior, em 2025.
O diretor explica que outra estratégia fundamental da indústria brasileira é trabalhar de forma consistente para diversificar os destinos de exportação por meio do projeto Amazing Foods Brazil, parceria da Abimapi com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil). Até o momento, em 2026, o Brasil exportou panetones para 33 países nos primeiros sete meses de 2026. O Japão é o segundo principal parceiro neste ano, com faturamento de USD 800 mil e 200 toneladas embarcadas. Venezuela aparece em terceiro colocado, gerando USD 400 mil e somando 100 mil toneladas. O México aparece empatado, em quarto lugar, com USD 400 mil e 100 mil toneladas.
Rodrigo Iglesias avalia positivamente os resultados. “A diversificação é um caminho indispensável. Em 2025, encerramos o ano com exportações totais de USD 20,6 milhões e 5,1 mil toneladas — o que representou uma pequena queda de 3% frente a 2024 devido à retração de 7,5% no mercado norte-americano. O crescimento expressivo em mercados consolidados como o Japão, o avanço robusto no Peru e a entrada em mercados alternativos provam que o portfólio sazonal brasileiro está ganhando fôlego global e diminuindo a dependência de um único parceiro comercial.”
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Sobre a Abimapi
Uma das maiores associações alimentícias do país, a Abimapi representa mais de 110 empresas que detêm cerca de 80% do setor e geram mais de 260 mil empregos diretos. No Brasil, os produtos estão presentes em 100% dos lares brasileiros. Sua missão é fortalecer e consolidar as categorias de biscoitos, massas, pães e bolos industrializados nos cenários nacional e internacional.

