Uma mãe e sua filha de 11 anos, ambas de nacionalidade brasileira, foram mortas em um ataque israelense no Líbano. O pai da família, de nacionalidade libanesa, também morreu no mesmo ataque. Outro filho do casal, igualmente brasileiro, está hospitalizado; a idade dele não foi divulgada. Eles foram atingidos na cidade de Burj Qalaouiyah (a 95 quilômetros de Beirute), no distrito de Bruno Jbeil, sul do Líbano.

Vítimas foram identificados
Eles eram de Foz do Iguaçu, no interior do Paraná, conforme informações da comunidade libanesa da região. Entre os mortos estão o empresário Ghassan Nader, a esposa dele Manal Jaafar e a filha do casal Ali Nader, de apenas 11 anos. Eles possuíam cidadania brasileira.
A informação foi confirmada pelo Governo do Brasil, por meio do Itamaraty, na segunda-feira, 27, mas sem a divulgação dos respectivos nomes das vítimas. Porém, o portal Panorama Real verificou que os brasileiros mortos são membros da família assassinada em Burj Qalaouiyah.
Segundo o comunicado do Itamaraty , um outro filho do casal, igualmente brasileiro, encontra-se hospitalizado.
“É uma notícia muito triste. O Ghassan era uma pessoa educada e querida por todos da comunidade libanesa. Ele era um intelectual que atuava em questões humanitárias e participava ativamente das atividades da colônia libanesa em Foz”, afirmou com exclusividade ao portal Panorama Real o jornalista Ali Farhat, 48 anos, morador de Foz do Iguaçu e amigo de Ghassan Nader.
Segundo Farhat, a família de Ghassan Nader havia deixado o Brasil há mais de dez anos para se estabelecer no Líbano. Porém, o empresário morto ainda possui parentes na cidade paranaense.
“O assassinato deles mostra que ninguém está protegido no Líbano dos ataques israelenses, que não distinguem entre militares e civis. Qualquer cidadão pode ser alvo dos massacres israelenses, que querem se vingar de todo mundo no Líbano. Até os cemitérios, os israelenses estão atacando. Eles querem apagar nossa história e a memória do povo libanês”, declarou o jornalista, que também tem origem no sul do Líbano, da cidade de Aadchit.
Farhat disse que Ghassan Nader não tinha envolvimento com grupos militares ou políticos. “Era um cidadão da paz, que gostava de ajudar as pessoas”, concluiu.
O incidente representa mais uma tragédia envolvendo civis brasileiros no conflito que se arrasta na região.
As vítimas brasileiras estavam no Líbano quando foram atingidas pelo bombardeio israelense. A identidade das mulheres ainda não foi oficialmente divulgada pelas autoridades brasileiras. O Ministério das Relações Exteriores do Brasil não havia se pronunciado publicamente sobre o caso até o momento da publicação desta reportagem.
Contexto do conflito
Israel mantém operações militares no território libanês, com foco declarado em estruturas do Hezbollah. Os ataques, no entanto, têm atingido civis em diversas regiões do país. A ONU e diversos governos já manifestaram preocupação com o número de mortes entre a população civil.
Brasileiros no Líbano
O Brasil possui uma das maiores comunidades de descendentes libaneses fora do Líbano, estimada em mais de 7 milhões de pessoas. Parte dessa população mantém vínculos familiares e residência no país do Oriente Médio, o que coloca cidadãos brasileiros diretamente na zona de conflito.
Repercussão diplomática
Mortes de cidadãos brasileiros em zonas de conflito internacional costumam gerar pressão diplomática sobre o governo federal. O Brasil tem adotado postura de condenação aos ataques que vitimam civis, mas sem ruptura formal nas relações com Israel. O episódio deve intensificar cobranças internas por uma posição mais firme do Itamaraty.

