O baiano Paquito, um dos talentos da Música Popular Brasileira mostra no seu trabalho “xará”, palavra de origem tupi, de apenas 4 letras, a solidez de uma carreira que começou sob a produção de Cândido Neto, e terminou no Estúdio “Casa das Máquinas”, produzido por Tadeu Mascarenhas.
Paquito gravou 20 canções, 11 só dele, e 9 parcerias, cada uma com parceiros distintos: Geronimo, Capinan, Álvaro Lemos, Tony Lopes ( estes dois, como ele, da turma do rock baiano), Eduardo Luedy – baixista da Flores do Mal, banda de rock dos anos 80 da qual Paquito fez parte -, Rogério Duarte, Chico César e ainda os portugueses Agostinho da Silva e Fernando Pessoa, ele mesmo. Canções de um apaixonado pela tradição da canção, “com desvios estéticos de conduta”.
No conjunto, entretanto, toda essa variedade está ainda sob o signo da simplicidade: na maioria das canções, Paquito se acompanha ao violão ou ao piano apenas, com as participações de Caetano Veloso, Gerônimo, Lívia Nery, e sua sobrinha Tata Honorato. Na guitarra baiana, em duas faixas, Morotó Slim. Eduardo Luedy toca slide em “Por encanto”, Tadeu Mascarenhas toca sanfona e orgão em 5 canções, Cândido Neto, violão, e Bruno Fortunato, ex-Kid Abelha, comparece com a guitarra em “Igual você”.
O cd abre com, justamente, “Xará”, canção dedicada a Santo Antônio, em que se mesclam irreverência (“desça desse velho altar”) e fé (“eu guardo seu nome em meu peito”).
Com Chico César, Paquito fez “o monstro”, sobre os tempos estranhos em que vivemos, que rendeu um vídeo feito por Marcondes Dourado, gravado por André T.
Paquitocomeçou a carreira integrando a Banda Flores do Mal, nos anos 80, foi gravado por Bethânia, Daniela Mercury, Jussara Silveira e Sarajane, entre outros, e produziu, com J. Velloso, dois premiados cds (“Diplomacia”, de Batatinha, prêmio Sharp de melhor disco de samba de 1999, e “Humanenochum”, de Riachão, indicado ao Grammy Latino de 2001) com participações de Caetano, Gil, Chico Buarque e Bethânia, entre outros. Paquito gravou o ENSAIO, de Fernando Faro, em 2004, e gravou dois cds autorais, “Falso baiano”, 2003, e “Bossa trash”, 2008. De 2006 a 2014, foi colunista do “Terra Magazine”, de Bob Fernandes.
Em 2018, escreveu os textos do site do sambista baiano Ederaldo Gentil. Paquito também foi comentarista do programa “Feita na Bahia”, da Rádio Educadora.
Foto: Sora Maia
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