O Banco Central decretou, nesta quarta-feira, 21 de janeiro, a liquidação extrajudicial da Will Financeira, instituição controlada pelo Banco Master, após o descumprimento de obrigações no sistema de pagamentos. Agora, clientes se perguntam se o Banco Will faliu e como ficam os recursos em conta, investimentos e faturas a pagar.
O Banco Master, detinha da Will, 0,57% do ativo total e 0,55% das captações totais do SFN (Sistema Financeiro Nacional). O Master também foi liquidado pelo BC e que vem operando sob RAET (Regime Especial de Administração Temporária) desde sua liquidação, decretada em novembro de 2025.
A Will Financeira não declarou oficialmente falência. O que ocorreu foi a constatação, no dia 19 de janeiro, do descumprimento da grade de pagamentos da instituição junto ao arranjo de pagamentos da Mastercard.
Diante desse cenário, o Banco Central inevitável a decretação da liquidação extrajudicial da Will Financeira, em razão do comprometimento de sua situação econômico-financeira.
A medida também está relacionada ao fato do Banco Will ser controlado pelo Banco Master.

Os bens dos controladores e de ex-administradores da instituição — que integravam o conglomerado do Banco Master — estão bloqueados por decisão judicial, o que dificulta a capacidade da Will Financeira de honrar seus compromissos financeiros.

Dívidas com banco Will: precisa pagar faturas?
Para esclarecer essas questões, o especialista em mercado financeiro, André Franco, explicou como funciona o processo de liquidação extrajudicial, quais são os impactos para os clientes e quais garantias podem ser acionadas nesse tipo de situação.

Um liquidante é nomeado para avaliar a situação. O profissional vai levantar os valores que a Will possui, o que tem a receber e o que tem a pagar, para então definir como fazer o pagamento a quem tem crédito com a empresa. No entanto, as obrigações contratuais continuam existindo.
Então, se a pessoa tem que pagar a fatura do cartão de crédito, ela deve fazer o pagamento, explica o especialista em mercado financeiro, André Franco.
“A fatura do cartão de crédito não é perdoada, tá registrado no sistema financeiro nacional. Então, o não pagamento vai causar inadimplência e você ter ali a sua conta colocada no Serasa e no SPC.”
E quem tem investimentos e valores na conta do banco Will?
Se a pessoa tem dinheiro em conta ou investimento, ela vai ter que esperar o trabalho do liquidante, diz André.
Se tiver cobertura pelo FGC – Fundo Garantidor de Crédito, o risco é menor. “O dinheiro em conta de investimento entra na garantia do FGC até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ. Então, essa garantia se estende à conta-corrente que você também tem lá dentro”.
“Quanto a algum risco, o principal é o risco de demora do FGC. Produtos que não são cobertos pelo FGC, como débito, letra financeira e outras coisas, isso pode ser o risco do investidor. Mas, se ele tiver garantido pelo FGC, o risco é muito baixo, o principal seria o atraso no pagamento” complementa André.

Com esses esclarecimentos, a orientação aos clientes é manter atenção redobrada e cumprir normalmente os compromissos financeiros assumidos, como o pagamento de faturas e parcelas, para evitar a inadimplência e eventuais restrições nos órgãos de proteção ao crédito, como Serasa e SPC.
Já quem possui valores em conta ou investimentos deve acompanhar as comunicações oficiais e aguardar os procedimentos conduzidos pelo liquidante e, quando aplicável, pelo Fundo Garantidor de Créditos.

