O prefeito de Turilândia, Paulo Curió ( União Brasil), se entregou à polícia em São Luiz, na manhã de quarta-feira, 24 de dezembro, após ficar dois dias foragido. Segundo o Ministério Público do Maranhão, ao todo, 20 vereadores e 1 ex-vereador, são investigados por integrar um esquema de desvio de recursos públicos, mas nem todos tiveram mandados de prisão expedidos.

Tânia Mendes (vice-prefeita), e todos os 11 vereadores de Turilândia estão envolvidos em desvios de dinheiro público, segundo o MP-MA — Foto: Divulgação/Câmara de Turilândia
Além do prefeito, outros investigados também se apresentaram à polícia. Entre eles estão a primeira-dama do município, Eva Curió; a ex-vice-prefeita Janaina Lima e o marido dela, Marlon Serrão; além do contador da prefeitura, Wandson Jhonathan Barros. Com isso, todos os mandados de prisão em aberto foram cumpridos. Segundo o Ministério Público do Maranhão, os envolvidos integram uma organização criminosa responsável por desviar recursos públicos do município.
Após ser preso, Paulo Curió e a vice, Tânia Mendes, serão encaminhados para a Unidade Prisional de Ressocialização de Pedrinhas, em São Luís, para cumprir prisão preventiva. Já os 11 vereadores tiveram a prisão preventiva convertida para domiciliar ou uso de tornozeleira eletrônica.
“A Justiça preferiu transformar as prisões dos vereadores em domiciliar ou tornozeleira para não interromper as atividades em Turilândia, já que agora o presidente da Câmara terá que assumir o cargo de prefeito”, explicou o promotor Fernando.
Crimes cometidos
Ao todo, foram cumpridos 51 mandados de busca e apreensão e 21 mandados de prisão em São Luís, Paço do Lumiar, Santa Helena, Pinheiro, Barreirinhas, Governador Nunes Freire, Vitória do Mearim, Pedro do Rosário, São José de Ribamar e Presidente Sarney. A ação é um desdobramento da Operação Tântalo, realizada pelo GAECO em fevereiro deste ano.
De acordo com procedimento investigatório instaurado no GAECO, há indícios da prática dos crimes de organização criminosa, fraude à licitação, corrupção ativa e passiva, peculato e lavagem de dinheiro. As irregularidades teriam ocorrido durante a gestão do prefeito Paulo Curió, entre 2021 e 2025.

Vice-prefeita Tânia Mendes e cinco vereadores são presos em operação que investiga desvio de mais de R$ 56 milhões em Turilândia — Foto: Reprodução/Redes Sociais
Como funcionava o esquema?
De acordo com as investigações, a organização criminosa era liderada pelo prefeito Paulo Curió, com o apoio da vice-prefeita Tânia Mendes e da ex-vice-prefeita Janaína Lima. O esquema foi montado através de contratos fraudulentos com empresas de fachada.
Entre as empresas envolvidas estão:
- Posto Turi
- SP Freitas Júnior Ltda
- Luminer Serviços Ltda
- MR Costa Ltda
- AB Ferreira Ltda
- Climatech Refrigeração e Serviços Ltda
- JEC Empreendimentos
- Potencial Empreendimentos e Cia Ltda
- WJ Barros Consultoria Contábil
- Agromais Pecuária e Piscicultura Ltda
As empresas foram usadas como “laranjas” para desviar dinheiro dos cofres públicos. O prefeito Curió e diversos vereadores da cidade se beneficiaram do esquema, recebendo dinheiro tanto em contas pessoais quanto através de familiares.
Quem são os alvos?
A ex-vice-prefeita Janaína Lima e seu marido, Marlon Zerrão, que é tio da atual vice-prefeita, Tânia Mendes, tiveram um papel central no desvio de recursos. O Posto Turi, de propriedade de Marlon Zerrão, recebeu R$ 17.215.000,00dos cofres públicos de Turilândia, segundo o MP-MA.
Janaína e Marlon firmaram um acordo com o prefeito Paulo Curió para reter 10% dos valores dos contratos do Posto Ture. Esse valor era destinado ao pagamento da faculdade de medicina de Janaína Lima, enquanto os 90% restantes eram entregues ao prefeito ou a quem ele indicasse.

