Aposentados e pensionistas mantêm acampamento na sede da Petrobrás em vigília pelo fim dos PEDs
A partir da zero hora da próxima segunda-feira, 15 de dezembro, petroleiros das bases da Federação Única dos Petroleiros (FUP) entraram em greve por tempo indeterminado. A paralisação foi aprovada por unanimidade nas assembleias realizadas pela Federação, encerradas ontem, dia 11, refletindo a insatisfação da categoria diante do impasse nas negociações e do tratamento da gestão da empresa com os trabalhadores. O comunicado de greve foi enviado à empresa nesta sexta-feira, 12.
“Temos aposentados e pensionistas dormindo na porta da sede da Petrobrás e uma greve que iniciará na segunda-feira, em função da postura da diretoria da empresa que reluta a apresentar contrapropostas dignas. Precisamos resolver os três eixos principais das reivindicações da categoria. Esperamos ter um avanço na negociação, ao longo do processo”, disse Deyvid Bacelar, coordenador-geral da FUP.
A greve tem como base três eixos aprovados nas assembleias: distribuição justa da riqueza gerada pela Petrobrás; fim dos PEDs da Petros – aposentados e pensionistas acumulam prejuízos e descontos cada vez maiores nos benefícios devido aos equacionamentos, que se arrastam há anos sem solução; e o reconhecimento da Pauta pelo Brasil Soberano, incluindo a suspensão de desimplantes arbitrários – retiradas de trabalhadores das unidades sob a justificativa de descomissionamento, processo que envolve a desativação de uma plataforma -, demissões no E&P e a retomada de condições de trabalho dignas.
De norte a sul do Brasil, as assembleias mostraram uma categoria indignada com a postura da gestão atual. Os petroleiros estão comprometidos com a construção de um Acordo Coletivo que recupere direitos retirados nos últimos anos e garanta qualidade de vida para trabalhadores próprios e terceirizados.
A partir de segunda-feira, a categoria une o movimento grevista ao acampamento dos aposentados no Edifício Senado (Edisen), no Centro do Rio de Janeiro, sede administrativa da Petrobrás, reforçando que a luta é coletiva e atravessa todas as gerações da Petrobrás.
Aposentados e pensionistas em vigília permanente no Edisen
Desde quinta-feira (11), representantes de sindicatos dos petroleiros de todo o país, aposentados e pensionistas mantêm um acampamento em frente ao Edisen. Eles afirmam que permanecerão no local por tempo indeterminado, até que a empresa apresente formalmente a proposta construída na Comissão Quadripartite, envolvendo entidades representativas, órgãos reguladores e a Petros.
O movimento ocorre em um momento de crescente tensão. A gestão da empresa instalou barreiras físicas em volta da sede para restringir o acesso do grupo ao calçadão da portaria, resultando em episódios de truculência contra idosos e lideranças sindicais. Para a categoria, a tentativa de impedir a livre manifestação evidencia mais um desrespeito aos trabalhadores que dedicaram suas vidas à estatal.

