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“VISÕES DO IMPÉRIO”, longa dirigido pela cineasta portuguesa Joana Pontes estreia em SP e Rio de Janeiro no próximo dia 10/03

Visões do Império é uma viagem coletiva ao passado colonial através de uma seleção de fotografias do império português, captadas desde os finais do século XIX até à Revolução de Abril de 1974, que pôs fim tanto ao regime político que governava Portugal, como ao estatuto colonial de vários territórios africanos que só em 1975, depois de uma longa guerra, se tornaram países independentes.

As reflexões suscitadas pela revisitação de fotografias da infância da realizadora em Angola são o fio condutor de uma procura de contextos e sentidos sobre a documentação fotográfica do império colonial português, existente em Portugal.

Essas perguntas levaram a realizadora, Joana Pontes, ao encontro de dois investigadores, Filipa Lowndes Vicente e Miguel Bandeira Jerónimo. Com Filipa, descobrimos os locais onde hoje se compram e vendem fotografias e postais realizados em contextos coloniais e os arquivos onde se guardam as milhares e milhares de imagens relacionadas com o passado imperial português, reflectindo sobre os problemas historiográficos e éticos associados aos seus usos. Pela mão de Miguel, percebemos as diferentes apropriações da fotografia como instrumento político, propagandístico, documental e probatório, por exemplo ao serviço de uma suposta “missão civilizadora” colonial ou, pelo contrário, da denúncia das iniquidades recorrentes da dominação colonial. A busca pessoal da realizadora revela a relação diversa que diferentes pessoas – de colecionadores e comerciantes a arquivistas e académicos – têm hoje com o tão vasto e heterogêneo arquivo fotográfico centrado no antigo império colonial português, nos seus territórios, recursos e populações.

Revela ainda como a coincidência temporal entre o colonialismo moderno e a crescente democratização da câmera fotográfica tornou a prática fotográfica num elemento central na imaginação e construção do projeto imperial.  A fotografia é, assim, um objeto indispensável para repensar criticamente a história do colonialismo, incluindo o português.

Sinopse

Um filme sobre o modo de como o império português e sua história foram imaginados, documentados e publicados a partir da fotografia, desde o final do século 19 até a revolução que, em 1974, pôs fim ao regime político autoritário que governava Portugal.

Nota Realizadora

Abrimos um álbum de fotografias antigas e vemos os nossos avós, pais, irmãos, primos, tios, amigos, mas também os locais, as paisagens e os objetos que compõem a nossa história pessoal. Sem esta memória fotográfica e sem os pormenores que realçam o trajeto único que faz da nossa, uma vida diferente de outras e, ao mesmo tempo, uma vida semelhante a tantas, a nossa história apresentar-se-ia mais difusa.

Conheci os historiadores Miguel Bandeira Jerónimo e Filipa Lowndes Vicente em 2011. Com eles foi-me possível repensar o que já sabia da colonização portuguesa e começar a vê-la sob outra luz. Dos interesses comuns nasceu a ideia deste projeto: revelar como a fotografia esteve presente na construção do império colonial português, como contribui para a sua compreensão e faz parte da sua memória. No sentido mais lato, o cruzamento destes dois meios,  o do documentário e o da investigação histórica, permite ver o que ainda não se viu ou o que apenas se conhece a partir de outros retratos, através de imagens que são parte da memória privada de pessoas, anónimas ou não, e de instituições que as têm à sua guarda. Será a nossa apropriação que as constituirá em sinais, fundamentais para decifrar o que fomos, como, hoje, vivemos e somos.

Todos somos agentes da história, fazemos parte dela. Contribuímos para a sua formação, mas também para a sua narração e memória. Objetos, vestígios, documentos e memórias do passado não estão apenas nos arquivos oficiais, púbicos ou privados. Estão também nas nossas casas e são produzidos por nós. Neste sentido, os arquivos do colonial são quase infinitos. Queremos mapear e interpelar a sua diversidade e riqueza.

Gostaríamos que o documentário surgisse também como uma forma de tomada de consciência histórica por parte das pessoas que viveram nesses espaços coloniais. Mas que funcionasse ainda como um modo através do qual as gerações nascidas já depois de 1974 conhecessem melhor um passado recente que, muitas vezes, ainda se cruza com as suas histórias de família: pais que estiveram na guerra colonial, de um ou outro lado, avós ou bisavós que lá viveram, como administradores coloniais ou como colonos migrantes à procura de melhores condições de vida. Tal como os muitos portugueses asio-descendentes (timorenses, goeses ou macaenses) e afrodescendentes (de origem guineense, cabo-verdiana, são-tomense, angolana ou moçambicana), que têm inscrita a história da nação colonizadora na sua pele, nos seus percursos e nas suas histórias.

Apreender a diversidade de lugares ocupados nos espaços coloniais e as formas pelas quais essas posições interagem com a fotografia, criando inúmeros arquivos do colonial – em diálogo, mas também em contradição – é um eixo central do nosso trabalho. Para explorar a ideia de multiplicidade – de como o mesmo objeto está presente em diferentes lugares com significados distintos – Visões do Império caracteriza- se pela diversidade de contextos, vozes e sentidos, explorando a ligação entre personagens e espaços, tendo a fotografia como intermediária.

Joana Pontes

Ficha técnica

autoria

Joana Pontes, Miguel Bandeira Jerónimo, Filipa Lowndes Vicente

realização

Joana Pontes

participação (ordem de entrada)

Sandra Paraíso, Eduardo Martinho, Filipa Lowndes Vicente, Catarina Mateus, Miguel Bandeira Jerónimo, Margarida Dias da Silva, Afonso Ramos, Carmen Rosa

produtoras

Filipa Reis, Patrícia Faria

assistentes de realização

Luís Nunes, Rui Branquinho

direção de fotografia

Rui Xavier

direção de som

Armanda Carvalho

montagem

Rui Branquinho, Joana Pontes

montagem e misturas de som

Gonçalo Ferreira

música original

Carolina Néu

colorista

Paulo Américo

assistentes de imagem

Afonso Marmelo, João Nunes

assistentes de produção

Carolina Néu, Isa Reis, Pedro Antunes, Raquel Rolim Batista, Filipa Falcão

maquilhagem

Inês Pais

transcrições

Marta Lourenço

coordenação de pós-produção

Catarina Lino

estúdios de pós-produção

Walla Collective, On Air

imagens de arquivo

Instituto de Investigação Científica Tropical (IICT), Universidade de Lisboa Arquivo Histórico Ultramarino

Arquivo de Botânica da Universidade de Coimbra

Museu da Ciência da Universidade de Coimbra

Arquivo do Santuário de Fátima

Arquivo Nacional da Torre do Tombo

Biblioteca Nacional de Portugal

Arquivo da Fundação Mário Soares e Maria Barroso

Arquivo da Liga dos Combatentes

Arquivo Histórico Parlamentar

Arquivo Histórico Militar

Arquivo RTP

Arquivo de Documentação Fotográfica – Direção-geral do Património Cultural

Joana Pontes

Portuguesa, é licenciada em Psicologia pela Universidade de Lisboa. Fez estudos em cinema na Escola Superior de Teatro e Cinema de Lisboa e em televisão na Rádio Televisão Portuguesa, tendo concluído formação em TV Production com a BBC, British Broadcasting Corporation. Foi realizadora da SIC, Sociedade Independente de Comunicação, de 1992 a 2002, tendo saído para se dedicar a trabalho académico. 

Em 2002/2003 concluiu o Programa Avançado em Jornalismo Político no Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica de Lisboa. De 2004 a 2008 foi assessora da Direção de Programas da RTP para a área do documentário. Doutorou-se em História Contemporânea em março de 2018, tendo sido bolseira da Fundação da Ciência e Tecnologia. A dissertação, Sinais de Vida, Cartas da Guerra 1961-1974, foi publicada em 2019 pela editora Tinta da China tendo obtido o prémio Fundação Calouste Gulbenkian para a História Moderna e Contemporânea, da Academia Portuguesa da História. Dedica-se à escrita e realização de documentários. 

Em 2011, recebeu o prémio da Sociedade Portuguesa de Autores pela realização e co- autoria de argumento do filme As Horas do Douro. Em 2018 recebeu o prémio Fernando de Sousa pela realização e co-autoria da série Europa 30, exibida na RTP2. Em 2007 recebeu o Grande Prémio da Lusofonia pelo documentário O Escritor Prodigioso, filme sobre a vida de Jorge de Sena, de que é autora e realizadora. Tem editados em DVD, Portugal, Um Retrato SocialAs Horas do Douro e a série O Valor da Liberdade – diálogos sobre as possibilidades do humano. Entre 2013 e 2015 foi membro do júri do Instituto do Cinema e do Audiovisual. Atualmente lecciona na Escola Superior de Comunicação Social, em Lisboa.

BRETZ FILMES / BRASIL

Desde 1991 responsável pela distribuição de filmes e documentários no Brasil em cinemas, home vídeo, tvs e internet. Seu catálogo conta com aproximadamente 300 filmes de autor, de arte, clássicos e documentários, nacionais e internacionais.

LUIZ ERNESTO BRETZ / DISTRIBIDOR

Trabalhou no mercado de vídeo doméstico desde seus primórdios no início da década de 1980, distribuindo e representando empresas brasileiras e multinacionais. Em 1990 fundou a Bretz Filmes direcionada a este mercado. Passou a dirigir a área de aquisição e distribuição da Videofilmes em 2003 e, em 2011 retornou à Bretz Filmes, passando a distribuir em sua própria empresa, filmes nacionais e internacionais para cinema, vídeo, TV e VOD.

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POR: Rita Moraes
Publicado em 04/03/2022