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Pior catástrofe natural de Petrópolis completa um mês dia 15

Um mês depois da pior catástrofe natural já registrada no município, Petrópolis tenta se recuperar. A chuva de 15 de fevereiro deixou estragos em 40 localidades e tirou a vida de 233 pessoas. Um legado de dor, que as vítimas que perderam seus familiares, amigos, lar, obrigatoriamente, terão que carregar. Para o psiquiatra Ilton Castro, estas experiências podem desencadear traumas profundos, de estresse pós-traumático, onde a recuperação se torna ainda mais difícil.

“É comum observarmos dois extremos: a hiperestabilidade e o estado de esquiva. No primeiro caso,  a pessoa demonstra memórias muito vívidas do evento traumático. Sonhos, tipo flashback, a sensação é de se estar preso. Sentimentos de angústia, raiva e muita dor. Já o estado de esquiva é caracterizado por lacunas de memória para fatos importantes. Esquecimento. Distanciamento afetivo, frieza e uma certa negação da realidade”, explicou.

O drama atingiu milhares de famílias. Nas primeiras semanas de atendimento nos abrigos, a assistência social do município ofereceu psicólogos para o trabalho de escuta e acolhimento. Foram contratados 49 profissionais, em regime especial de três meses.

“O atendimento psicológico é extremamente importante nesta fase. É certo que muitas das vítimas vão precisar de um tratamento clínico. Seria importante que este trabalho ganhasse continuidade”, afirma o psiquiatra Ilton Castro.

Desde 15 de fevereiro, 5,6 mil ocorrências foram registradas pela Defesa Civil,  a maior parte dos chamados são de deslizamentos. Depois de quatro semanas, 3,2 mil pessoas ainda aguardam os laudos.

“Agora é hora de priorizar a integridade física das famílias. Não permitir que voltem às situações de risco é primordial. A comunidade inteira precisa enfrentar o problema com resiliência e muita calma. As vítimas precisam se sentir amparadas e contar com apoio adequado para lidar com o peso emocional que o momento exige”, orienta o psiquiatra Ilton Castro.  

Ilton Castro é formado pela Faculdade de Medicina do Vale do Aço (MG). Cursou psiquiatria no Hospital Naval Marcílio Dias. Tem especialização em idosos e medicina do sono. Atua em Macaé, Rio das Ostras e todo o Brasil por atendimento online.

POR: Rita Moraes
Publicado em 15/03/2022